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Chapecó consternada após tragédia que acabou com sonho de toda uma cidade

A mesma cidade que há uma semana celebrava a classificação heroica à final da Copa Sul-Americana está hoje afundada na tristeza.

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postado em 29/11/2016 21:17

Depois de uma noite chuvosa que acabou em pesadelo, Chapecó amanheceu de luto, na medida em que as esperanças de encontrar mais sobreviventes esvaneciam. A mesma cidade que há uma semana celebrava a classificação heroica à final da Copa Sul-Americana está hoje afundada na tristeza.

Com seu uniforme verde da Chape e óculos escuros escondendo as lágrimas, Carine Valer tentava processar a dura realidade depois de 12 horas de telefonemas que traziam uma má notícia atrás da outra.
Seu namorado, Adriano Bittencourt, era o chefe de segurança do clube catarinense e sempre viajava com a equipe. Morreu junto com os jogadores, no avião que também tinha assento reservado para a própria Carine.

"Não fui porque estava tirando passaporte, mas na sexta-feira fui informada que não chegaria a tempo. Ele me disse para continuar insistindo, mas não adiantou. Deus sabe de todas as coisas e acho que não era minha hora", relatou, aos prantos, à beira do gramado da Arena Condá, que virou ponto de encontro dos familiares.

"Ele me dizia que iria me dar uma vida de rainha, e isso aconteceu, em todos os sentidos. Infelizmente, não vou ter essa vida nunca mais, nem o contato com ele", desabafou, antes de ser consolada por um dos psicólogos mobilizados na sede do clube.

Até o fim

Desde que a tragédia foi confirmada, nas primeiras horas da madrugada, a Arena Condá também virou o ponto de peregrinação de torcedores, que na última quarta-feira empurraram o 'Verdão do Oeste' na semifinal contra San Lorenzo.

John Victor Carraro nunca se esquecerá dessa noite histórica em que compareceu ao estádio para ver seu time de coração garantir a classificação para a final da Copa Sul-Americana, ao segurar o empate heroico em 0 a 0, depois do 1 a 1 na Argentina.

Poucas horas antes de tomar conhecimento da tragédia que acabou com o sonho da Chape, ele teve que acordar às 3h00 da madrugada para ajudar vizinhos a tirar água que entrara em suas casas depois de um temporal.

Ele acabou indo direto para o estádio, ao amanhecer, com sua camisa listrada e seu gorro verde. 

"Nunca abandonarei este clube. Com meu amigo prometemos tatuar o escudo da Chapecoense se fosse campeão, mas o sentimento é ainda mais forte", afirmou o torcedor de 18 anos à AFP.

A poucos metros de John Victor, perto da estátua do índio Condá, que dá seu nome ao estádio, operários que trabalham na obra de um edifício em construção instalarem uma grande faixa preta, enquanto um guindaste colocava a bandeira do clube a meio-mastro.

Danilo, o herói com destino trágico

Na entrada do estacionamento, onde o ônibus oficial do clube permanece estacionado, Nelson Maguluche se lembrava da trajetória do 'Verdão do Oeste', que vivia um verdadeiro conto de fadas nesta temporada, depois de passar anos nas divisões inferiores.

"Eu soube da notícia pela televisão. Acordei cedo e me deparei com essa... (ele fica sem voz). Sou torcedor desde sempre, assistia a todas as partidas", recordou esse funcionário de uma empresa de logística.

"Estávamos preparando a viagem para Curitiba (onde estava inicialmente maraca a partida de volta da final, no dia 7 de dezembro, no estádio Couto Pereira) e agora ficamos sem referências, sem palavras, sem nada. Só muita tristeza", completou.

Um das vítimas da tragédia foi o herói de toda uma cidade, o goleiro Danilo, que morreu a caminho do hospital.

Uma das avenidas de Chapecó ainda ostenta um grande cartaz com foto do goleiro, que garantiu a classificação histórica à decisão da Sul-Americana com defesa milagrosa com o pé no último minuto da semifinal contra o San Lorenzo.

Na frente desse cartaz, Jodelcir Pereira não conseguia conter as emoções nesta terça-feira. 

"Vendo essa imagem, sinto muita tristeza, porque na parte da manhã disseram que estava vivo e depois anunciaram seu falecimento. É muito doloroso ver um ídolo como Danilo, que lutou tanto e estava no auge, sair de cena dessa forma", lamentou o torcedor.

Embaixo da foto do goleiro de costas, comemorando a defesa salvadora com as duas mãos apontadas para céu, uma mensagem: "Torcedor, obrigado por lutar conosco em 2016. Que venha 2017!".

Nesse dia 20 de novembro, o tempo parece ter parado para sempre em Chapecó.

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