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Futuro da Chapecoense, meninos do time sub-20 recebem apoio psicológico

Após reunião marcada por choro e orações, eles decidiram participar da Copa Ipiranga, torneio júnior disputado no Rio Grande do Sul

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postado em 30/11/2016 13:56 / atualizado em 30/11/2016 14:24

Marcos Paulo Lima , Breno Fortes , Enviados Especiais /

Chapecó (SC) — Eles foram passando um por um. De cabeça baixa, olhavam para os pés que, a partir de agora, terão a missão de ser ferramentas de trabalho para reconstruir a história da Chapecoense. Os garotos saíam de uma reunião na sala da secretaria do departamento de base depois de uma reunião com a assistente social do clube, Irlene Würzius.
 
A missão dela era acalmá-los. Diminuir o impacto do acidente com o avião do time profissional na mente de garotos nascidos em 1996, 1997, 1998 e 1999. Em silêncio, eles formaram um círculo. Rezaram. E tomaram uma decisão. Trocar o ambiente de luto na cidade do interior catarinense por uma competição.
 

 
“Nós decidimos entre a gente que vamos disputar a Copa Ipiranga Sub-20 lá no Rio Grande do Sul. A gente estreia na segunda-feira contra o Corinthians (no Estádio Morada dos Quero-Queros, em Alvorada). A assistente social perguntou se nós estamos precisando de ajuda. Foi muito importante. A dor é muito grande”, disse o volante Roni Gebing, nascido em Três Passos (RS). Outros dois jogadores endossaram a atitude. Nós decidimos jogar a Copa Ipiranga, e agora quem vai definir é a diretoria. Queremos jogar para mostrar nossa força e honrar os amigos que se foram”, disse o volante Lucas Mineiro.  O elenco vai viajar de ônibus até a cidade de Alvorada (RS).
 
No fim de semana, o time derrotou o Criciúma na primeira partida da decisão do Campeonato Catarinense da categoria. O segundo jogo seria amanhã, mas foi cancelado. “Eu lembro que o goleiro Danilo e outros jogadores nos deram muita força, acompanharam a partida. Nós aprendemos muito com eles. Sou muito fã do Cleber Santana, era uma referência”, diz Roni.
 
Tratados como jóias, os meninos da base da Chapecoense já moram em apartamentos individuais bancados pelo clube. Um deles é o meia-atacante Guilherme Lima, uma das principais apostas das divisões de base. “Nós sabemos que a situação é difícil, é um momento de muita dor, mas temos que ser fortes. O futuro da Chapecoense, agora, somos nós”.
 
Guilherme Lima chegou a treinar com os profissionais no início do ano, quando voltou da Copa São Paulo de Futebol Júnior. “Eu e mais quatro fomos chamados pelo técnico da época (Guto Ferreira) para treinar no time principal. Eu cheguei a disputar uma partida”, lembra.  
 
Atentos ao noticiário de que clubes do Brasil e do mundo estão dispostos a enviar socorro financeiro e até emprestar jogadores para a remontagem do elenco da Chapecoense, os meninos da base não desprezam as mãos amigas. “Somos muito novos. Vamos precisar, sim, de gente mais experiente quando tivermos que disputar o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil, quem sabe a Copa Libertadores da América. É bom para o nosso amadurecimento”, disse Guilherme Lima, lembrando que estagiou com o elenco principal no início do ano e evoluiu.

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