Festa de Momo já começou nas principais capitais brasileiras

Nas ruas, blocos tradicionais e novatos, com marchas irreverentes, darão a tônica dos próximos dias de folia. Afinal, o ano só se inicia de verdade na quarta-feira de cinzas, como reza a tradição

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postado em 24/02/2017 08:01 / atualizado em 24/02/2017 08:05

ClelioTomaz/Divulgação
Hoje é carnaval! A hora é de entrar na folia. Reúna boas doses de deboches, bizarrices, irreverência, criatividade, ritmo e muita diversão. Quase pronto! Agora, convide gente muito animada e coloque o bloco na rua, como já recomendava, lá nos idos dos anos 1970, cantando em alto e bom tom, o compositor Sérgio Sampaio. Em plena ditadura militar, a letra cheia de metáforas de “Eu quero colocar meu bloco na rua” caiu no gosto da população amordaçada pelo regime de exceção.

No país do carnaval, a diversão democrática da maior festa de participação popular está desde sempre hiperconectada à realidade política. Em Pernambuco, onde os blocos desfilam nas ruas sem cobrar nada dos foliões, a tradição é reverenciada e em sintonia com o atual momento político do país e com o exterior, no caso dos Estados Unidos e da eleição de Donald Trump.

Além da Sapucaí

Na terra do axé, a programação do reinado do Momo já reina absoluta e deve reunir, apenas na capital baiana, 1 milhão de turistas até o fim da festa. Há diversão para todos. Dos blocos famosos e endinheirados aos que surgem todos os anos e liberam a diversão, sem abadá e corda. Quem não quer ou não tem dinheiro para ir atrás dos famosos trios elétricos tem opções de sobra para curtir de graça. São dezenas de blocos espalhados pelos bairros do circuito carnavalesco de Salvador. A energia é contagiante. Tanto em grupos tradicionais, como o “Alerta geral” e o “Habeas copos”, quanto nos mais recentes como o “Mulheres no poder”, formado somente por elas.

E quem ainda acha que carnaval é só na avenida, principalmente se for no Rio de Janeiro, está enganado. Além da Sapucaí e seu famoso Sambódromo, em terras cariocas há mais de 400 blocos com permissão para desfilar. E essas agremiações arrastam verdadeiras multidões. Há os badalados e tradicionais como o “Cordão da Bola Preta”, que chega a reunir um milhão de pessoas na Cinelândia. Ainda outros, como o bloco “Banda de Ipanema”, “Carmelitas”, “Simpatia é quase amor” ou “Suvaco do Cristo” e “Monobloco”. E, se a preferência for por blocos com trocadilhos, há o animado “Largo do Machado, mas não largo do copo”. Em São Paulo, paralela à diversão dos desfiles das escolas de samba no Sambódromo do Anhembi, os blocos se multiplicam. Entre os mais famosos estão o “Acadêmicos do Baixo Augusta” e “Ritaleena”.

Irreverência

A criatividade reina absoluta na hora de escolher o nome dos blocos. Mais do que isso definem sua personalidade. No Rio, há nomes como “Nunca mais eu bebo ontem”, “É pequeno, mas vai crescer”, “A ema gemeu de canto a canto”, “Eu choro curto, mas rio comprido”, “Mostra o fundo que eu libero o benefício”, “Largo da mulher, mas não largo da cerveja”, “Te vejo por dentro, sou da radiologia”, “Parei de beber, não de mentir”. Em Pernambuco, ao lado de blocos mais antigos como o “Galo da Madrugada”, “Homem da meia noite” e “Enquanto isso na sala de justiça”, há outros como “Antes aqui que na UTI”, “Acorda pra tomar gagau” e “Vai morrer solteira”.

A brincadeira irreverente parece até abusar da bizarrice e criatividade. Mas nada de estranhar se for levado em conta o espírito brincalhão, mesmo em tempos de crise econômica. E, se o ano no Brasil só começa mesmo depois do carnaval, a partir de hoje até a quarta-feira de cinzas, a ordem é não pensar nas preocupações. Não pensar nos sucessivos escândalos e notícias de corrupção, porque hoje é carnaval.
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