Só educação ambiental solucionará crise hídrica, afirmam especialistas

Seminário promovido pelo Correio reúne ministros, o governador do DF e especialistas em debate sobre os desafios do uso consciente da água. Participação da sociedade é considerada fundamental para busca de soluções

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Luis Nova/Esp. CB/D.A Press


Em seminário promovido pelo Correio Braziliense, ontem, diversos especialistas debateram os desafios da crise hídrica e os preparativos para o 8º Fórum Mundial da Água. Um tema foi consenso no evento: a importância da educação ambiental para que a sociedade participe e se conscientize sobre o uso responsável da água.


O presidente dos Diários Associados, Álvaro Teixeira da Costa, na abertura do evento, ressaltou a importância da discussão sobre o tema, sobretudo no Brasil, uma das nações que mais desperdiça água. Segundo ele, enquanto a perda no país é de 30%, no Japão representa menos de 10%.

 

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press


O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, disse, no seminário, que o Distrito Federal precisa gerenciar melhor o uso dos recursos hídricos. “Essa questão da água diz respeito a todos nós. Só vamos construir formas mais sustentáveis de nos relacionarmos com a água, garantindo eficiência nos múltiplos usos do recurso, se tivermos consciência coletiva”. Ele ressaltou que, com obras de infraestrutura e o aumento das chuvas a partir de outubro, a falta de água poderá ser superada até o fim de 2017.

Em meio à pior crise hídrica do Distrito Federal, especialistas participantes do debate apontaram algumas soluções para o problema. Para o presidente da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme-CE), Eduardo Sávio Martins, a relação de parceria com a população é essencial. Ele defendeu que, com diálogo, é possível explicar as reais necessidades de economia de água.

“Dizer que tem de fazer racionamento parece palavrão, mas não é. É um dos instrumentos de gestão. A crise está aí, nós temos que contar com o racionamento para lidar com o problema. Se bem explicado, se bem comunicado, a população entende e faz a sua parte”, argumentou Sávio, que participou do primeiro painel do evento, sobre Segurança Hídrica e Mudanças Climáticas.

O ministro da Integração Nacional, Hélder Barbalho, fechou o primeiro bloco do Seminário ressaltando os esforços da pasta na importante tarefa de levar água a quem precisa. Barbalho admitiu que existe um passivo de políticas públicas, que poderiam ter evitado que se chegasse ao estágio atual, e destacou que a crise é um motivador para as várias áreas do governo debaterem a boa utilização da água.

O Ministério da Integração Nacional possui investimentos da ordem de R$ 7 bilhões na questão hídrica. Entre eles, a transposição do Rio São Francisco, que chega hoje à Bacia do Boqueirão, na Paraíba, beneficiando mais de 900 mil pessoas. Com a conclusão do projeto de transposição, a previsão é atender 12 milhões de brasileiros nos próximos 10 anos.

Fórum

O Fórum Mundial da Água é o maior evento global sobre o tema e é organizado pelo Conselho Mundial da Água, uma organização internacional que reúne interessados no tema. A entidade tem como missão “promover a conscientização, construir compromissos políticos e provocar ações em temas críticos relacionados à água para facilitar a conservação, proteção, desenvolvimento, planejamento, gestão e uso eficiente, em todas as dimensões, com base na sustentabilidade ambiental, para o benefício de toda a vida na terra”.

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