PF vai apurar vandalismo em manifestação na Esplanada e procurar autores

A Polícia Civil do Distrito Federal também vai investigar depredações

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postado em 27/05/2017 08:00 / atualizado em 26/05/2017 22:34

Ed Alves/CB/D.A Press


Os atos de vandalismo na manifestação de quarta-feira em Brasília serão investigados pela Polícia Federal. O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, tomou a decisão após reunião com o presidente Michel Temer e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen. Na quinta-feira, peritos da PF estiveram em ao menos seis ministérios que sofreram depredações e foram incendiados para analisar os estragos. Agora, cabe à corporação apurar os danos, identificar os vândalos, líderes dos movimentos, dimensionar os prejuízos e, futuramente, responsabilizar os autores pelas depredações. “Evidentemente, nós apoiamos, prestigiamos e protegemos a manifestação pública. Agora, uma coisa é uma manifestação ordeira, democrática. Outra coisa é esse vandalismo. Precisamos identificar quem coordena e, se possível, levar a responsabilização aos tribunais”, disse o ministro da Justiça.


A manifestação provocou prejuízo de mais de R$ 2 milhões aos ministérios afetados. Nas ruas, placas, semáforos, bicicletas públicas e paradas de ônibus foram destruídos. De acordo com o Governo do Distrito Federal, o levantamento inicial aponta prejuízo de pelo menos R$ 150 mil. Para Etchegoyen, os envolvidos nos atos de vandalismo “são criminosos e devem ser tratados como tal”. “Eu não os chamo de grupos radicais. Eu os chamo de vândalos, de criminosos. É um pouquinho diferente de grupos radicais. Os radicais são pessoas com quem se pode conversar. Neste caso, não são pessoas com quem se pode conversar. São posições criminosas”, afirmou o general.

A Polícia Civil do Distrito Federal alegou que, paralelamente, vai continuar a apuração dos fatos e a investigação de quem são os envolvidos. “Existem crimes que são de competência da PF, como os cometidos dentro dos ministérios. Nossas investigações vão subsidiar o que cabe à PF”, explicou o delegado George Estefani do Couto, diretor do Departamento de Gestão da Informação (DGI). A corporação iniciou uma coleta de vídeos e fotos por meio do disque-denúncia. “Em função da gravidade do evento, decidimos dedicar parte desse sistema para coleta de imagens e informações, caso alguém conheça um dos autores”, disse.

A população pode enviar o conteúdo pelo site da Polícia Civil (www.pcdf.df.gov.br) ou pelo Whatsapp — (61) 98626-1197. “Existe uma dificuldade natural de identificar os criminosos. E a população se torna aliada para trazer novos dados. Às vezes, um tira a foto de ângulos diferentes do cenário e isso contribui para revelar aquilo que aconteceu”, esclarece. Segundo o delegado, após o envio dos dados, uma equipe analisa e processa as informações que são consistentes. Em seguida, tudo é enviado à 5ª DP (Asa Norte). O local concentra todas as investigações referentes ao protesto.

No dia do ato, nove pessoas foram presas. Nenhum dos detidos reside no DF. Assinaram um termo de compromisso e vão responder em liberdade. De acordo com a corporação, os crimes registrados são classificados como de menor potencial ofensivo. Do total, quatro são de São Paulo, três, do Espírito Santo, um, do Recife e outro, da Bahia. Todos chegaram à capital em caravanas para participar do ato convocado por entidades sindicais e movimentos sociais.

Sem resposta


Questionado se haveria alguma investigação sobre a atuação de policiais militares na manifestação por parte da PF, Osmar Serraglio evitou falar. Ao ser questionado sobre o uso de explosivos e armas letais contra manifestantes que não estavam praticando vandalismo, Etchegoyen disse que acredita que a “polícia jogar bomba em manifestantes em geral é uma visão um tanto quanto unilateral do problema e uma consequência que não faz parte da nossa discussão hoje (ontem)”. Durante a manifestação, um homem acabou baleado no maxilar. PMs foram flagrados utilizando armas de fogo. A Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social identificou os militares e abriu inquérito para investigar a conduta.
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