Campanha do Ministério da Saúde busca reduzir sal das massas

Acordo entre Ministério da Saúde e indústria alimentícia busca reduzir cloreto de sódio nas massas industrializadas. Brasileiros consomem 140% mais do que o limite máximo de 5 gramas do ingrediente por dia, o que eleva o risco de hipertensão

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Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press - 22/8/14

Governo e indústria alimentícia querem fazer o brasileiro ingerir menos cloreto de sódio. Desta vez, o foco é o sal do principal ingrediente do café da manhã, o pãozinho. Documento firmado ontem entre o Ministério da Saúde e representantes das empresas produtoras de comida processada estendeu acordo de cooperação técnica que, nos últimos seis anos, impediu a chegada às bocas dos brasileiros de 17 mil toneladas de sódio, danoso ao sistema cardiovascular e principal causador da hipertensão.
 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo per capita desse ingrediente pelos brasileiros supera em 140% o limite máximo, de 5 gramas por dia. Falta, ainda, trabalho parecido com o açúcar e a gordura. O acordo do governo com a indústria para a redução no consumo de sódio está restrito aos alimentos processados.

Nas fábricas, de início, o objetivo foi acabar com o excesso do sal das receitas. Agora, a meta é chegar até 2022 ao total de 28,5 toneladas de redução no consumo só com a mudança na fórmula, sem a descaracterização que poderia comprometer a aceitação do produto. “A indústria quer pessoas saudáveis, que possam consumir, mas não dá para fazer comida de hospital”, explicou o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi), Cláudio Zanão.

Na nova versão do acordo, pães, bisnaguinhas e massas instantâneas são os próximos a se sujeitar às adaptações para a redução do sal que chega às mesas dos brasileiros. Conforme o Ministério da Saúde, em 2011, quatro fatias do pão nosso de cada dia nutriam um ser humano com 40% da sua necessidade de sódio, ou 796 miligramas (mg). No ano passado, essa proporção chegou aos 22% e, para 2020, a meta é alcançar os 20%, ou 400 mg. “Esse é um processo complicado, mas faz parte do dia a dia das empresas a reinvenção”, disse Zanão.

A primeira etapa do acordo para a redução do sal nos alimentos, em abril de 2011, impactou 30 categorias de produtos que representam 70% do faturamento da indústria e resultou em 1.859 toneladas a menos de sódio. As sopas são o alimento que apresenta a maior redução no teor de sódio. A quantidade desse ingrediente nas cumbucas baixou 65,15%. Para as linguiças, houve diminuição de até 15,6%, no caso das cozidas.

Os queijos e requeijões também apresentaram significativamente menor quantidade do elemento químico danoso na sua composição, respectivamente 23,1% e 20,4% menos. O sal está presente na alimentação humana desde a pré-história mais pela conservação da comida do que pelo paladar. Mas, com o tempo, houve a inversão daquela que seria a função mais importante para sua inclusão nas misturas. “É viciante”, notou a nutricionista Raquel Adjafre.

O efeito da má alimentação para a saúde é indiscutível. No Brasil, as doenças crônicas não transmissíveis são causa de 72% das mortes. Só o tratamento da obesidade custa ao Sistema Único de Saúde (SUS), anualmente, R$ 500 milhões. “O grande impacto que se busca é evitar a hospitalização”, afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

"A indústria quer pessoas saudáveis, que possam consumir, mas não dá para fazer comida de hospital”
Cláudio Zanão, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi)
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Fernando
Fernando - 14 de Junho às 15:28
Falta reduzir o flúor na água. O Brasil é um dos poucos países que ainda mantém a adição de flúor pelas companhias de saneamento. Flúor em acúmulo no organismo é canceríreno e o argumento de combate à cárie não é mais prepoderante.