Confrontos em morros deixam 7,5 mil crianças sem aulas no Rio

Na terça-feira (13/6), 7.596 alunos de 12 escolas, quatro creches e cinco Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs) do complexo da Maré ficaram sem aulas, segundo a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro

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postado em 14/06/2017 08:50

Sem poder ir à creche ontem, mais uma vez por causa dos tiroteios que se sucedem no complexo de favelas da Maré, na zona norte do Rio, a pequena Alicy, de 4 anos, chorou e reclamou com o pai: "Escuta esse barulho, pai, é tiro de novo, né? Caramba, não vai ter aula!".

O fotógrafo Fagner França, de 26 anos, registrou a decepção da filha, parada na porta de casa, e a foto repercutiu nas redes sociais. "Ela cursa a pré-escola na creche municipal Monteiro Lobato e neste ano já ficou vários dias sem aulas por conta dos tiroteios", contou o pai. 

Na terça-feira (13/6), 7.596 alunos de 12 escolas, quatro creches e cinco Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs) do complexo da Maré ficaram sem aulas, segundo a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Pela manhã, a Polícia Civil promoveu uma operação para recuperar cargas roubadas e combater o tráfico de drogas. Houve confrontos e intensos tiroteios, e um homem morreu e dois ficaram feridos e estão sob custódia no Hospital Federal de Bonsucesso.

Ainda durante a operação na Maré, foram apreendidos mais um fuzil israelense da marca Galil, calibre 5.56 mm, 12 carregadores de fuzil de diversos calibres, uma espingarda calibre 12, 50 quilos de maconha, 14 quilos de pasta base de cocaína e 5 quilos de crack.

Desde o início da manhã de terça, moradores da Maré se manifestavam, nas redes sociais, sobre os intensos tiroteios em favelas locais. "Ia trabalhar hoje, mas nem fui. Muito tenso e triste isso. Moradores presos em suas casas", escreveu Wander Firmino, morador da Maré, no perfil Maré Vive.

Outras áreas


Também na terça, no Morro da Providência, na região central da cidade, um ataque à base da Unidade de Polícia Pacificadora deixou três policiais feridos. O confronto começou após criminosos atacarem a base da UPP com uma granada de fabricação caseira. 

Houve também confrontos entre policiais e traficantes na Fazendinha, no Complexo do Alemão, na zona norte. Segundo o comando da UPP, policiais da unidade estavam em patrulhamento quando se depararam com criminosos armados. Não há informações sobre feridos, prisões ou apreensões. 

No morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, na zona sul, os moradores enfrentaram ontem o segundo dia consecutivo de confrontos. Parte do comércio foi fechado em Copacabana e Ipanema.

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