Polícia diz que rua não foi 'devidamente bloqueada' para skatistas

"Ainda estamos colhendo depoimentos e vamos chegar a uma conclusão se houve falha da CET, da Prefeitura ou do policiamento", afirmou o delegado responsável pelo caso

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postado em 27/06/2017 18:07

Responsável pelo inquérito que investiga o atropelamento de skatistas durante um evento na capital paulista no último domingo, 25, o delegado Roberto Pacheco de Toledo, do 4.° Distrito Policial (Consolação), disse nesta terça-feira (27/6), que uma das vias de acesso à Rua Augusta "não foi devidamente bloqueada" ao trânsito pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para evitar o encontro entre veiculos e skatistas.



"Às 9h30, eles (CET) colocaram os ofendículos para que o bloqueio fosse efetuado. Evidentemente a (Rua) Martins Fontes não foi bloqueada devidamente", disse Toledo na tarde desta terça após colher depoimentos de diretores da CET. Nesta quarta-feira, 28, o delegado deve interrogar dois agentes de trânsito que seriam os responsáveis pelo bloqueio não executado. "Ainda estamos colhendo depoimentos e vamos chegar a uma conclusão se houve falha da CET, da Prefeitura ou do policiamento", completou.

Foi pela Rua Martins Fontes, na região central, que o servidor público José Iriovaldo Ferreira, de 55 anos, acessou a Rua Augusta com sua EcoSport preta na manhã do último domingo. Imagens de câmeras de segurança mostram mais de dez carros subindo a Augusta em direção à Avenida Paulista enquanto skatistas desciam a via em direção ao centro.

O evento 'Go Skate Day', em comemoração ao Dia Mundial do Skate, foi marcado para as 10 horas no vão-livre do Masp, na Avenida Paulista, com saída prevista para o centro às 10h30, e estimativa de 5 mil participantes. O itinerário, no qual constava a Rua Augusta, foi acordado e autorizado pela Prefeitura. Mas, segundo a administração municipal e organizadores do evento, um grupo de skatistas partiu antes do horário combinado, após o estouro de um rojão.

A Prefeitura Regional da Sé multou os organizadores do evento em cerca de R$ 20 mil porque descumpriram o horário combinado.

Segundo um dos vídeos, às 9h48, um skatista arremessa o skate no vidro traseiro do carro de Ferreira após supostamente ter sido atingido pelo veículo. Na sequência, um grupo de skatistas começa a depredar o carro, onde também estavam um amigo e a mãe do motorista, de 80 anos, que teria ficado ferida. Ferreira então desvia do carro da frente e acelera na contramão, atropelando aos menos três skatistas, todos socorridos com ferimentos leves.

 

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Em depoimento à polícia, na segunda-feira (26/6), Ferreira disse que seu carro foi atacado pelos skatistas e que acelerou com medo de ser linchado. Ele foi indiciado por lesão corporal dolosa, por colocar vidas em risco e fuga do local. O servidor, que vinha da zona leste para buscar uma amiga na Rua Oscar Freire, afirmou ao delegado que não havia bloqueio na Augusta no momento em que subiu a via e cruzou com os skatistas.

A CET chegou a afirmar em nota divulgada à imprensa que a operação de trânsito para o evento de skatistas começou às 9 horas de domingo e que a Rua Augusta foi bloqueada às 9h20, sem detalhar se parcial ou totalmente. Em um segundo comunicado, disse que o trecho da Rua Augusta estava previsto para ser interditado a partir das 9h30 e que antecipação do início do trajeto pelos skatistas, sem autorização prévia, levou a uma ação emergencial dos agentes para acompanhar os participantes e ordenar o trânsito das ruas transversais.

Depois de prestar depoimento por mais se três horas à polícia, o diretor de operações da CET, Milton Persoli, negou que tivesse havido falha da companhia nos bloqueios de trânsito para o evento de domingo e destacou que "houve uma precipitação da saída (dos skatistas) que precipitou o início dos bloqueios". "Não houve erro por parte da CET", afirmou Persoli.

Segundo ele, o cronograma acordado com os organizadores do evento era início dos bloqueios às 9h30, fechamento do circuito por onde eles iriam passar entre a Avenida Paulista e o Vale do Anhangabaú às 10 horas, e uma varredura no trajeto pela Polícia Militar e CET entre 10 horas e 10h30. "Não teve falha", reiterou

Persoli disse ainda que os dois agentes da CET que aparecem descendo de moto nas imagens que mostram o carro de Ferreira sendo atacado pelos skatistas não pararam para socorrer o motorista porque estavam a caminho de uma outra ocorrência. "Não é que ficaram sem atitude. Eles foram destacados para atender a outra ocorrência, um atropelamento", disse.

Segundo ele, uma sindicância foi aberta para apurar a conduta dos agentes de trânsito durante o evento de domingo.

 

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