Ocorrência de cirurgias de coração no SUS aumentou 16% em sete anos

Previsão é de que, até 2040, as mortes causadas por problemas cardíacos aumentem em 250%

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postado em 17/07/2017 06:00 / atualizado em 17/07/2017 14:44

Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2010 e 2016, o número de cirurgias cardíacas feitas por meio do Sistema Unificado de Saúde (SUS) aumentou em 16%, de 67.499 mil para 78.491 mil intervenções no ano passado. No Brasil, os problemas de coração são causa de 300 mil mortes ao ano, ou seja, um óbito a cada dois minutos. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo.

A triste realidade tende a piorar: a Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta aumento de 250% nas mortes causadas por problemas cardíacos até 2040. Segundo a OMS, 17,5 milhões de pessoas morrem por ano vítimas de doenças no sistema circulatório, incluindo infarto, derrame, insuficiência cardíaca e angina. As doenças cardiovasculares matam duas vezes mais brasileiros do que o câncer. De acordo com o Ministério da Saúde, o infarto do miocárdio é causa do óbito de 70 mil pessoas por ano.

A mãe da artesã Girleide Santos de Castro, 46 anos, Ednalva dos Santos, 69, foi internada para fazer uma cirurgia de retirada de um tumor benigno da tireoide e, ainda no hospital, se recuperava bem. Mas, uma semana antes de receber alta, Ednalva sofreu um ataque cardíaco, que se repetiu daí a 15 dias. No último 17 de abril, faleceu.

Girleide conta que a mãe não tinha nenhum problema de coração e até hoje não entende bem as circunstâncias da morte da mãe. “Ela nunca teve problema de coração. Os médicos começaram injetando 2 adrenalinas por dia, mas o coração não respondia, então passaram para 4, depois para 6, até que ela não aguentou mais. Os médicos dizem que o coração simplesmente traiu minha mãe”, lamenta a artesã.

Anderson Cabral, analista de teste de software, foi diagnosticado aos 29 anos com QT Longo, problema que afeta a frequência de batidas, pode causar arritmia grave e evoluir para a morte súbita. É doença genética rara, que só se manifestou em outubro de 2010, quando Cabral sofreu duas paradas cardíacas e um infarto. Socorrido pelo Corpo de Bombeiros, o recém-descoberto cardíaco ficou 23 dias sob tratamento intensivo para fazer um cateterismo, passou por um estudo eletrofisiológico e ganhou um implante de marca-passo.

“O tratamento para a minha doença é o implante de um cardio-desfibrilador que monitora minha frequência cardíaca 24 horas por dia e intervém se alguma anomalia ocorrer e se houver uma outra parada cardíaca”, afirma o analista de software, hoje com 35 anos, que leva uma vida normal e sem sequelas. “Minha vida hoje é normal, apenas devo evitar atividades que apresentem a possibilidade de impacto no marca-passo, devido ao risco de danificar o equipamento e também modifiquei algumas coisas na minha alimentação, mas nada que me atrapalhe no dia a dia”, completa. O ajuste na dieta é, nesse caso, segundo os médicos, bem-vindo.

De acordo com o  cardiologista e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia Celso Amodeo, um dos tratamentos mais utilizados nos casos de doença cardíaca é a cirurgia. “Os tratamentos são amplos, mas os mais utilizados são as pontes de safena e o tratamento hemodinâmico com a dilatação dos vasos comprometidos e colocação de stents intracoronários”, explica Amodeo.
 
 

Estilo de vida

O médico cardiologista coordenador das unidades de terapia intensiva do Instituto de Cardiologia do Distrito Federal, Vitor Barzilai, aponta os hábitos de vida como um dos principais vilões do coração. “Esses números todos de morte por doenças cardiovasculares estão muito correlacionados com alimentação, exercícios”, alerta Barzilai.

Para manter o coração saudável é primordial uma alimentação regulada e a prática constante de exercícios físicos. Na sociedade do imediatismo, os níveis de estresse se elevam e isso é um facilitador para a hipertensão, o acidente vascular cerebral (AVC), o infarto agudo do miocárdio. A prática de esportes funcionam como uma válvula de escape para a tensão. “Funciona como meditação em movimento”, diz Barzilai.

O professor da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília (UnB) e doutor em Ciências da Saúde, André Reis, destaca as atividades aeróbicas, corrida, natação, caminhada, andar de bicicleta, como as mais recomendáveis para manter o coração em forma. “Essas atividades que são de média ou longa duração, de baixa intensidade, solicitam do sistema cardiovascular um maior fluxo de sangue e isso faz o coração ficar alerta”, indica Reis.

Para quem pretende adotar por opção ou precisa necessariamente praticar hábitos mais saudáveis, é importante saber qual o limite de seu corpo. “Não é recomendável, para uma pessoa que não tem costume, começar com uma atividade de longa duração que exija muito do corpo”, recomenda o professor. “Deve-se começar sempre observando sua frequência cardíaca para não exigir demais do coração”, completa.

O médico Barzilai ressalta que, para controlar o sedentarismo e alcançar uma vida mais produtiva, é recomendável a prática de 150 minutos semanais de exercícios físicos em atividades que demandem mais tempo e menos intensidade. André Reis reforça essa recomendação e diz que, para obter bons resultados, vale praticar 30 minutos de atividades físicas diárias ou 60 minutos em três vezes na semana, e o ideal é que seja com acompanhamento de um profissional.

“A atividade física sem fazer uma reeducação alimentar é uma coisa insignificante, não adianta um sem o outro”, salienta André Reis. O professor indica a ingestão de proteínas e vitaminas para manter a saúde. Os carboidratos, mesmo sendo importantes, são prejudiciais, se ingeridos de forma proporcional. “Tem que fazer um ingestão de carboidrato proporcional ao que seja gasto”, adverte. Barzilai alerta que é mais importante manter uma alimentação livre de carboidratos do que livre de gordura.

Uma alimentação mais frugal, mais leve, mais baseada em frutas e verduras, legumes, é o caminho para a saúde. Barzilai alerta para os riscos da ingestão exagerada de tapioca com manteiga, cuscuz de milho, pão francês, pão de queijo, farofa e grandes quantidades de arroz. “De  maneira balanceada, é importante ter no prato bastante salada, uma colher e meia de arroz e feijão e mais carne, frango ou peixe”, recomenda.

Prevenção Gratuita

O Ministério da Saúde incentiva a adoção de cuidados para prevenir a ocorrência de doenças relacionadas ao coração. A atenção básica em saúde se caracteriza por um conjunto de ações, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde. O atendimento à população se dá nas unidades básicas de saúde (UBS), unidades odontológicas móveis e nas academias de saúde.

O Instituto Nacional de Cardiologia realiza ações gratuitas com orientações e exames gratuitos para prevenir doenças cardiovasculares. São avaliações de pressão arterial, medidas de peso e altura, além de orientações sobre os fatores de risco, como o tabagismo e hábitos alimentares inadequados. A equipe conta com cardiologistas, nutricionistas, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais.

A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), dispõe do Programa Ginástica nas Quadras. Professores de educação física dão aulas de modalidades como natação, hidroginástica, ginástica localizada, yoga, condicionamento físico. A Secretaria de Esporte, Lazer e Turismo também oferece políticas públicas de incentivo à prática física desenvolvidas nos 11 Centros Olímpicos e Paralímpicos encontrados em todo o Distrito Federal.

Arte/CB/DA Press

Os principais males

» Infarto agudo do miocárdio


Popularmente conhecido como ataque cardíaco, ocorre quando há obstrução do fluxo sanguíneo para o coração, geralmente devido à da formação de coágulos. Sem sangue, o tecido fica privado de oxigênio e morre. Os sintomas mais frequentes são dor no peito, sudorese, falta de ar e batimento cardíaco anormal. O tratamento impõe mudanças no estilo de vida, medicamentos e cirurgia. Entre os fatores de risco, estão o tabagismo, diabetes, obesidade, níveis altos de colesterol e histórico familiar
 

» Doença vascular periférica

 
É consequência do depósito de gordura com obstrução das artérias periféricas do corpo. Os vasos sanguíneos ficam estreitos demais, isso aumenta a pressão e impede o normal fluxo sanguíneo. É mais comum nas artérias do coração, mas pode afetar todas as partes do corpo. Nos membros inferiores, a redução do fluxo de sangue resulta em dores nas pernas, dificuldade para caminhar e queda da temperatura local, com dormência. A idade aumenta o risco de ocorrência desse problema.
 

» Acidente vascular cerebral

 
Também chamado de derrame, ou pelas iniciais, AVC, se dá com o entupimento com o rompimento dos vasos que levam o sangue ao cérebro. O AVC causa a paralisia da área cerebral que ficou sem a circulação sanguínea. Os sintomas são dor de cabeça, tontura e prejuízo à movimentação de braços, pernas e face, com risco do comprometimento da fala e dos processos neurológicos. O socorro imediato diminui as sequelas e o risco de morte. O tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas e o sedentarismo aumentam a ocorrência do AVC.  

» Morte Súbita


É óbito de forma repentina, quando não há chance de socorro. A causa principal é o infarto fulminante. Depois disso, o coração para de funcionar pela degeneração dos tecidos, provocada pela falta de sangue e, portanto, de oxigênio. Com o comprometimento, o músculo cardíaco fica incapaz de bombear sangue, o que leva ao colapso circulatório, sem que os órgãos recebam a irrigação sanguínea. A idade avançada, a obesidade, o diabetes e o alcoolismo são fatores de risco. 

*Estagiária sob a supervisão de Leonardo Cavalcanti
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