Mês das Crianças é marcado por tragédias e atentados à infância

Nos primeiros 20 dias de outubro, ao menos 13 crianças foram brutalmente assassinadas e 44 ficaram feridas em massacres

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postado em 20/10/2017 19:37 / atualizado em 20/10/2017 19:46

Arquivo Pessoal

 
O mês em que se comemora o Dia das Crianças foi marcado por massacres e violência à infância. Em 20 dias, ao menos 13 crianças foram brutalmente assassinadas e 44 ficaram feridas em Minas Gerais, São Paulo e Goiás. 
 
 
Nesta sexta-feira (20/10), um estudante de 14 anos abriu fogo contra os colegas de sala, em uma escola particular em Goiânia. O jovem matou dois adolescentes e deixou mais quatro feridos - um deles segue em estado grave. Os outros três estão estáveis, após passarem por cirurgia. 

De acordo com uma colega de turma do atirador, o aluno era alvo de bullying rotineiro no colégio. Ele costumava sentava-se na última fileira da sala, era excluído pelos outros jovens e motivo de chacota entre os adolescentes. Testemunhas contam que o motivo seria o odor que o jovem exalava em sala de aula.
 
Em São Paulo, em 12 de outubro, exatamente no Dia das Crianças, foram encontrados os corpos de duas meninas em uma van, na Zona Leste da cidade. Ambas as vítimas tinham 3 anos e, segundo a equipe de investigação da Polícia Civil de São Paulo, já estavam em avançado estado de decomposição quando foram encontradas. Adrielli Mel Porto, apelidada carinhosamente pela família como Mel, e Beatriz Moreira dos Santos, a Bia, foram veladas e enterradas no Cemitério da Saudade.
 
Nesta sexta-feira, a Polícia Civil prendeu dois homens, acusados de terem cometido o duplo homicídio. Marcelo Pereira de Souza e Everaldo Jesus Santos confessaram envolvimento no crime. Um deles, de 37 anos, já cumpriu pena por estupro. 

No domingo (15/10), a dupla chegou a ser torturada por moradores da região, que suspeitavam do envolvimento dos dois no caso. A polícia foi chamada e, na ocasião, os homens negaram a autoria, e foram liberados em seguida. A equipe de investigação ainda aguarda exames para determinar se as crianças sofreram abuso sexual. 
 
 

Fogo em crianças

Há pouco mais de duas semanas, no último 5 de outubro, nove crianças de 4 anos foram brutalmente assassinadas em uma creche em Janaúba, no Norte de Minas Gerais. O vigia Damião Soares dos Santos, 50, jogou álcool e queimou as vítimas vivas. Outras 21 pessoas ficaram feridas na ação do vigilante.
 
Morreram na tragédia, além das crianças, a professora da turma, Helley de Abreu Silva Batista, 43, que heroicamente conseguiu salvar várias crianças, e o próprio autor do ataque. Helley foi tragada pelas chamas e teve 100% do corpo queimado. Foi socorrida, mas não sobreviveu. O autor do ataque era vigia da unidade de ensino e também morreu queimado. Damião estava de atestado médico e foi à escola supostamente para levar o documento à direção. Na situação, jogou álcool nos alunos e riscou o fósforo. 

No enterro de Helley, o marido dela emocionou os presentes quando, aos prantos,mencionou as qualidades da mulher. "Ela se foi por salvar vida de crianças. Acho que a missão dela era esta, salvar vidas. Mesmo sofrendo, eu tenho que aceitar. Foi por obra de Deus. E Deus é justo", disse Luiz Carlos. Ele contou que a companheira considerava as crianças da creche como verdadeiros filhos, 'embora eles não fossem filhos biológicos dela'.
  

Caso no Realengo 

Em abril de 2011, 12 adolescentes – 10 meninas e dois meninos - morreram em um massacre na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Eles foram vítimas do ex-aluno do colégio Wellington Menezes, 23, que atirou contra os estudantes na sala de aula.

O suspeito teria entrado na instituição alegando que buscaria um histórico escolar. Wellington entrou em uma classe e começou a atirar na direção dos alunos. À época, a polícia informou que toda a ação não durou mais que 5 minutos. Além dos mortos, quatro jovens ficaram feridos. Após o ataque, Oliveira cometeu suicídio. Foram encontrados com ele dois revólveres, munições, colete à prova de balas e cinturão com armamento. 

Um bilhete foi encontrado com o jovem, que colocava a culpa da ação nos colegas que o humilharam durante a adolescência. "Muitas vezes aconteceu comigo de ser agredido por um grupo e todos os que estavam por perto debochavam, se divertiam com as humilhações que eu sofria sem se importar com meus sentimentos", escreveu. 
 
 
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