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Estado de Minas

LGBTs são ignorados nas estatísticas oficiais de crimes de ódio

Sem estatísticas oficiais, ONGs tentam, por conta própria, contabilizar agressões por motivos homofóbicos


postado em 19/11/2017 08:00 / atualizado em 18/11/2017 23:44

Na esfera governamental, o Ministério dos Direitos Humanos utiliza o Disque 100 para receber denúncias de agressões contra diferentes grupos de vítimas(foto: AFP / PAU BARRENA)
Na esfera governamental, o Ministério dos Direitos Humanos utiliza o Disque 100 para receber denúncias de agressões contra diferentes grupos de vítimas (foto: AFP / PAU BARRENA)


As perseguições e agressões atingem, principalmente, a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais). Na falta de estatísticas governamentais sobre crimes de ódio, grupos ativistas fazem seus próprios levantamentos. Segundo o Grupo Gay da Bahia, o número de assassinatos relacionados à homofobia no Brasil tem aumentado significativamente: de 2000 a 2016, saltou de 130 para 343 casos. Em 2017, já são 320, e a maioria dos registros foram em São Paulo (42), em Minas Gerais (38) e na Bahia (29).

“A completa ausência de dados acerca da população LGBT dificulta não só a implementação de políticas públicas, como tem contribuído para a invisibilidade das violações e violências contra essas pessoas”, critica Simmy Larrat, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais (ABLGBT) e ex-coordenadora-geral de Promoção dos Direitos LGBT da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. 
Na esfera governamental, o Ministério dos Direitos Humanos utiliza o Disque 100 para receber denúncias de agressões contra diferentes grupos de vítimas, incluindo a população LGBT. Com relação a esse público, foram 10.757 registros de 2011 a 2016.

Segundo Renata Castro, advogada brasileira especializada em imigração e atuante nos EUA, muitos representantes da população LGBT, oriundos de diferentes continentes, buscam asilo em terras americanas pelo fato de a sociedade local respeitar as liberdades individuais.

“Aqui, nos Estados Unidos, o individual sobrepõe o coletivo, e a Constituição, por exemplo, proíbe o Estado de agir contra as liberdades individuais. Muito diferente do Brasil, onde é grande a influência da religião no Estado e na política, com reflexos na formação da sociedade”, avalia ela, citando, como consequência, os ataques à comunidade LGBT, a terreiros de religiões de matriz africana e a seus frequentadores. 

Já a advogada americana Carmen Arce afirma que, cada vez mais, o Brasil é visto nos Estados Unidos como um país intolerante em relação à homossexualidade. “Porque existe muita violência e discriminação contra esse grupo”, ressalta. 

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