Transplante de fezes será feito pelo Hospital das Clínicas da UFMG

O HC constituiu o primeiro banco de fezes do Brasil e faz a triagem de pacientes. Há material para cinco transplantes

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postado em 02/12/2017 15:10 / atualizado em 02/12/2017 15:14

Euler Junior/EM/D.A Press
Procedimento pouco conhecido no Brasil, o transplante fecal está prestes a ser realizado em Belo Horizonte. O Hospital das Clínicas, da UFMG, que constituiu o primeiro banco de fezes do país, divulgou nesta semana que está em fase de análise e seleção de pacientes para realizar o procedimento. A cirurgia é indicada para pacientes com infecção recorrente ou refratária causada pelo clostridium difficile.

Segundo informações do hospital, o transplante consiste na infusão de uma solução composta por substrato fecal de pessoas sadias no paciente doente. De acordo com a UFMG, uma triagem inicial com grupos de doadores saudáveis foi realizada em março e o material doado foi  encaminhado ao banco de tumores e tecidos do IAG. Lá é feito o processamento e preparo das fezes para armazenamento. Elas ficam em um ultrafreezer à temperatura de menos 80 graus, para garantir a viabilidade a longo prazo. 

O hospital tem material suficiente para pelo menos cinco transplantes. De acordo com o chefe do Instituto Alfa de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da UFMG, Luiz Gonzaga Vaz Coelho, o procedimento se assemelha à uma colonoscopia tradicional, mas tem a infusão da microbiota. 

O médico, diz que não há registro no país de um centro de transplante de microbiota fecal como o do HC. “Há poucos relatos de transplante fecal. Apenas um estudo foi publicado no ano de 2015, descrevendo a experiência de 12 pacientes submetidos ao transplante no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Além disso, há registros no Hospital Vera Cruz, em Campinas, e em uma clínica em São José do Rio Preto (SP). No entanto, todos os casos foram isolados e de forma experimental”, afirmou.

Segundo a UFMG, o ser humano tem cerca de cem milhões de bactérias formando a flora intestinal. A clostridium difficile, que é patogênica, está presente na microbiota de até 20% dos adultos hospitalizados, levando à diarreia de até 5% deles. O tratamento é necessário porque um grupo considerável dessas pessoas não apresenta resposta a tratamentos com antibióticos, podendo chegar à morte.  O HC poderá fornecer o tratamento com substrato fecal para outros hospitais de Belo Horizonte. 

O primeiro banco de fezes do mundo foi criado em 2015 nos Estados Unidos no norte de Cambridge, em Massachusetts. Lá, empresa OpenBiome paga pelas amostras. Naquele país, o transplante é usado para curar a infecção intestinal que mata milhares de pessoas no ano. 

No Brasil, o primeiro transplante fecal foi feito no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, em 2013, para o tratamento da colite (inflamação do intestino grosso causada pelo Clostridium difficile).


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