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Estado de Minas

Polícia do Rio investiga site que prega sexo com cadáveres e morte a negros

A maioria das postagens do blog, assinada por "RicWagner", são altamente ofensivas e preconceituosas com mulheres, negros, gordos e lgbts


postado em 23/01/2018 21:45 / atualizado em 25/01/2018 11:22

A Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) do Rio de Janeiro abriu um inquérito para investigar um site que tem publicado mensagens e imagens ofensivas, incitando o ódio contra estudantes da Unicarioca, centro de ensino supeior do estado. Chamado de "Rio de Nojeira", o blog faz ataques a negros, mulheres, gordos e lgbts, postando, inclusive, fotos dos estudantes e links para as redes sociais das vítimas. Em uma postagem, o autor, que ainda não foi identificado pelas autoridades, oferece a recompensa de R$ 15 mil a quem matar uma travesti. Apesar do caso já ter sido levado à Polícia Civil,  o link continua ativo na internet. A corporação confirma a existência da investigação, mas afirma que o processo corre em segredo de Justiça, o que impede que detalhes sobre o caso sejam divulgados.
 

Um dos posts deixa claro a intenção do autor de passar no concurso público para o Instituto de Medicina Legal (IML) do estado do Rio, com a única e exclusiva intenção de praticar sexo com os cadáveres de jovens que chegam ao local. Com títulos "Concurso do IML: a melhor maneira do homem branco satisfazer seus impulsos sexuais", o autor narra que se nega a fazer sexo com as universitárias em vida, porque, assim, inflaria o ego das jovens. Outros posts foram feitos com o título "Por que devemos estuprar lésbicas nos dias atuais? Como aplicar a cura gay em lésbicas" e "Mulher cadeirante: sexo fácil ambulante". O blog é alimentado quase diariamente, sempre com postagens agressivamente ofensivas. A mais recente, publicada na segunda-feira (22/01), é sobre como preparar ácido para jogar em "vadias feministas".  

No último 20 de janeiro, o autor do blog postou um texto desafiando as autoridades. Ele afirma já ter pago 10 anos de servidor para o site e agendado mais de 50 artigos para serem postados automaticamente, em datas e horários já definidos por ele mesmo. "Mesmo que eu morra,  o site vai continuar mandando a real. Esqueçam, negros cotistas, vadias feministas etc. Vocês perderam dessa vez. Eu trabalho com computação há mais de 15 anos. Vai ter liberdade de expressão sim" [sic].
 
Nas postagens, autor, que é investigado pela polícia, prega ódio e intolerância às minorias(foto: Reprodução)
Nas postagens, autor, que é investigado pela polícia, prega ódio e intolerância às minorias (foto: Reprodução)
 
 
Uma das vítimas do suspeito, a estudante de Ciência da Computação Jéssica Castro descobriu que havia tido a própria foto publicada no blog quando foi alertada por outra menina, que também estava na postagem. "Não conhecia, só soube da existência quando me avisaram. Na hora não sabia o que fazer, nunca havia passado por isso, além de me atacar de forma racista ele me aponta como algo que eu não sou", lamenta. 

Apesar de já ter denunciado a página, Jéssica lamenta que ela ainda esteja disponível. "Nossa esperança era de que o site fosse retirado do ar, mas ele continua lá para nos atormentar. Ver seu nome sendo mencionado em mentiras é realmente ruim e a sensação é de que nada será resolvido, mesmo com todos os esforços". 

 
Traumas 

Outra vítima das mensagens de ódio da plataforma, Caroline Correia, estudante de Publicidade e Jornalismo, 24 anos, contou ao Correio que, mesmo sendo um momento difícil, juntou forças e preferiu não se deixar abalar. "Já passei por muita coisa ruim e muito trauma que carrego até hoje. E prometi a mim mesma que não deixaria isso me abalar, nem me impedir de ir à faculdade", disse.

Segundo Carolina, o autor de algumas postagens, assinado no blog como "Ricwagner1", também teria sido um estudante da Unicarioca. No entanto, ela afirma que não chegou a conhecê-lo. "Infelizmente, a internet é o meio que pessoas assim encontram para expressarem seus piores pensamentos e cometer diversos crimes. Mas sigo torcendo muito para que tudo possa se resolver logo sem causar danos piores".
 
Em nota, a Unicarioca afirma que lamenta profundamente o ato de preconceito e repudia qualquer ação discriminatória contra a instituição, os alunos, os professores e os colaboradores. "As autoridades já estão cuidando do caso, no âmbito do inquérito instaurado na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), onde foi apresentada notícia-crime no dia 8 de janeiro. A UniCarioca vem prestando solidariedade às vítimas e acompanhará até a conclusão do inquérito na Polícia", escreveu. 

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