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Correio Braziliense

Com canções alegres e shows animados, o axé estourou na cidade em 1990

Foi com a primeira edição da Micarecandanga, em 1991, que o ritmo começou a estourar em Brasília

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postado em 21/04/2013 07:00

Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press

Nos anos 1980, Brasília era conhecida no Brasil, e por que não, no mundo, como a capital do rock. Paralelamente, outro movimento musical chegava à cidade e conquistava fãs adoidado. O ritmo era alegre; as letras despojadas (às vezes, ingênuas e de mau gosto); e os shows, frenéticos. Aí, o axé music explodiu. Os primeiros acordes do estilo baiano começaram a ser ouvidos por volta de 1988, quando a boate Zoom recebeu o grupo Reflexu’s, em julho daquele ano. Em seguida, viriam as apresentações da banda Eva (na época, ainda com Daniela Mercury) e da Beijo, com o vocalista Netinho, no estacionamento do Gilberto Salomão. Outro local que tocava axé music era a Hyppo’s, onde havia a Noite Bahia-Caribe todas as quartas-feiras, às 22h.

Mas foi com a primeira edição da Micarecandanga, em 1991, que o ritmo começou a estourar em Brasília. Com apresentações do Asa de Águia e de Daniela Mercury, o carnaval fora de época partia do Eixão Norte, na altura da 106, e terminava no Estádio Mané Garrincha, percurso que foi repetido no ano seguinte. Em 1993, o palco do evento foi a Esplanada dos Ministérios. Lá, os nomes de maior expressão do gênero, como Chiclete com Banana, Banda Eva e Cheiro de Amor, apresentaram-se para o público da rua e dos camarotes montados em frente ao Congresso Nacional.

A folia no local, porém, incomodou políticos e representantes da Igreja Católica, que prontamente pediram a transferência do evento para outro local. De 1997 a 2000, a Micarecandanga passaria a ser realizada próximo à Torre de TV; depois, no Autódromo Nelson Piquet, primeiro local fechado a receber a festa. A partir de 2005, a Micarecandanga mudou oficialmente de nome e passou a se chamar Brasília Indoor, como é conhecida até hoje.

Fred Pontes/Divulgação

A saída das ruas e a adoção do modelo indoor se deram, principalmente, por conta de constantes problemas de segurança, como assaltos e brigas em meio ao numeroso público, que chegou a contar com 200 mil pessoas em uma edição realizada próximo à Torre de TV. Para o bancário André Macarini, que frequentou as Micarecandangas de rua, o modelo em local fechado é mais conveniente hoje. “Quando a gente é jovem, tem mais disposição de sair naquela multidão. Hoje em dia, eu prefiro ter mais conforto e segurança, então é melhor o evento indoor”, diz Macarini.

Para o vocalista do grupo Chiclete com Banana, Bell Marques, a diferença entre tocar na rua e em local fechado é grande. “Sentimos muita falta de tocar em rua aqui, porque tem uma magia diferente, mas entendemos que o indoor funciona e é mais seguro”, afirma o músico.

Pérolas

Se você é chicleteiro
(Chiclete com Banana)

"Se você é chicleteiro
Deus te abençoa
Se você não é,
Deus te perdoa"

Dança do Vampiro
(Asa de Águia)

Gatinha põe o dente
No pescoço do rapaz
Na dança do vampiro
Você se satisfaz...

Arerê
(Banda Eva)

Arerê, Um lobby,
um hobby,
um love Com você,
ê ê Arerê,
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