Quarteto de Brasília leva a música instrumental da capital para o mundo

O quarteto fez sua fama a partir do alto nível técnico dos quatro integrantes e do repertório eclético, focado em compositores clássicos, mas que também flerta com o popular

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postado em 21/04/2013 07:00 / atualizado em 30/12/2014 12:10

Étore Medeiros

Virginia Bauer/Divulgação

Com prêmios acumulados e turnês por Estados Unidos, Europa e Ásia, o Quarteto de Brasília leva a música instrumental da capital para o mundo há 27 anos. “Depois de tanto tempo de trabalho, nosso grupo já tem público cativo. Quem vai assistir vai sempre, porque gosta”, justifica a tcheca Ludmila Vinecka, primeiro-violino do quarteto e mulher de Guerra Vicente, professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB) e violoncelista do grupo. Completam a formação a professora de viola da UnB Glêsse Collet e o ex-spalla e atual regente da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, Cláudio Cohen — o único membro “novo” em relação à formação original, integrado ao quarteto com a saída do violinista Moisés Mandel, há 22 anos.

O nome do grupo não foi uma decisão das mais difíceis. “Glêsse foi criada aqui; eu, o Guerra e o Moisés achamos aqui a nossa felicidade, através do trabalho; por isso batizamos com o nome da cidade: Quarteto de Brasília. O Cláudio, que entrou depois, nasceu aqui”, explica Ludmila. Natural de Praga, República Tcheca, a violinista de 64 anos migrou para o Brasil aos 21, atrás de oportunidade de trabalho. “Lá, não aceitavam mulher em orquestra.”

O quarteto fez sua fama a partir do alto nível técnico dos quatro integrantes e do repertório eclético, focado em compositores clássicos, mas que também flerta com o popular. “Nossa linguagem é erudita; quando abordamos temas e músicas populares, o fazemos dentro de uma roupagem erudita”, explica Guerra Vicente. Curiosamente, dos nove álbuns do quarteto, os dois de maior sucesso têm exclusivamente versões instrumentais de canções brasileiras de sucesso. “Temos dois CDs só de música popular, com clássicos da MPB e arranjos de bossa nova, como Chico Barque e Tom Jobim. São os que vendem mais”, conta Guerra Vicente.

Ao chegar a Brasília, em 1972, o violoncelista se deparou com uma cidade em formação que, para a música erudita, não guardava boas surpresas. “Naquela época, com a sala Villa-Lobos ainda fechada, os concertos aconteciam de forma provisória na sala Martins Pena, que tinha uma rampa famosa, onde o pessoal caía, quebrava o pé...”, rememora Vicente.

Hoje, segundo Vicente, o cenário é mais acolhedor para a música de concerto e de câmara. “Temos o CCBB, com uma estrutura ótima; as várias unidades do Sesc, com auditórios maravilhosos; Sesi; Caixa Cultural; a sala Cássia Eller; da Funarte; os auditórios da Escola de Música de Brasília; a Brasília Super Rádio FM, entre outros”, enumera.

Mesmo com a oferta de palcos, a vida atribulada dos integrantes do Quarteto de Brasília levou o grupo a um “descanso”, nas palavras do violoncelista de 71 anos. Enquanto a próxima apresentação não é confirmada, Ludmila recorda-se da última grande turnê do grupo, em 2010: “Passamos por 86 cidades do Brasil. A aceitação foi uma coisa maravilhosa, e não era popular. Era música erudita, brasileira”.
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