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Correio Braziliense

Foliões de blocos de rua preferem incrementar fantasias de outros carnavais

Ao menos 1 milhão de pessoas devem marcar presença nos mais de 30 blocos no período de folia, previsto para terminar só em 17 de fevereiro.

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postado em 14/01/2016 06:10

Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press
 
 
Os blocos de rua, principais atrativos do carnaval brasiliense, já começam a tomar conta da cidade no próximo domingo. Este ano, a estimativa da Secretaria de Cultura é que pelo menos 1 milhão de pessoas marquem presença nos mais de 30 blocos no período de folia, previsto para terminar só em 17 de fevereiro. Mas nem todo mundo está preocupado com os trajes.

Apesar de o boom dos blocos de rua impulsionar o comércio local, que aposta neles como salvadores do carnaval de Brasília, o mercado de fantasias tem poucas expectativas para este ano. O problema não é a escassez de festas, mas as restrições orçamentárias dos clientes. Com o poder de compra corroído, investir em fantasias não tem sido prioridade para os brasilienses. “Esse ramo é o mais supérfluo possível, então, é o primeiro a ser cortado em tempos difíceis”, lamenta André Vieira, dono de três lojas de aluguel de fantasias, que tem percebido a queda no movimento em todas as unidades.

Feito o balanço do ano passado, as expectativas do comerciante para o carnaval de 2016 não animaram.. “2015 foi péssimo para os negócios, tivemos menos da metade dos aluguéis dos anos anteriores. O mercado está estagnado e a tendência de baixa deve se manter”, acredita. Nas lojas dele, 20% dos funcionários foram dispensados nos últimos meses. Com os fracos resultados, o investimento em produção de novas peças ficou para depois.

A esperança da atendente da filial do Sudoeste, Amanda Victória, é na popularização dos blocos de rua. “Por conta do aumento dessas opções de festa, é provável que mais pessoas busquem nossos serviços. Tenho clientes que já reservaram as roupas para as atrações do fim do mês”, afirma. Ela tem notado, no entanto, que as pessoas têm preferido incrementar as fantasias de outros carnavais. “A procura por acessórios cresceu bastante, ao contrário da por trajes completos”, observou.

Chapéus, gravatas e óculos estão cotados para roubar a cena nas ruas. Para a estudante de comunicação Rafaela Santana, 21 anos, não é preciso algo muito elaborado para fazer a diferença na hora da folia. “Uma coisinha no cabelo já traz o conceito de brincadeira e alegria que o carnaval pede”, explica. Para economizar, a dica é o improviso. “Acho que, para driblar a crise, os comerciantes acabam elevando um pouco os preços. A saída é procurar algo novo no que temos”, considerou.

Peças usadas
Quem também pretende procurar a fantasia de carnaval no próprio guarda-roupa é a estudante de engenharia ambiental Yuliana Chaparro, 27. Para ela, o momento é de investir pouco, buscar versões mais simples ou roupas antigas. Mas assume que a tarefa não será fácil. “Eu já tenho uma fantasia, mas vou precisar comprar mais alguns acessórios, e sei que vou encontrar o preço mais alto nas lojas”, diz.

“Não é só questão de orçamento. As pessoas buscam praticidade, porque não querem se preocupar em perder a fantasia na hora da festa”, acrescenta o gerente de vendas de uma loja na Candangolândia, Ícaro Salles. Ele acredita que isso incentiva a busca por acessórios em vez de fantasias, que também têm sido a opção da estudante Ana Clara Ribeiro, 24. “Fica muito caro comprar trajes completos e tenho medo de perder ou estragar algum detalhe. Prefiro trocar peças usadas com as minhas amigas.”

Além da crise, o calendário não tem ajudado os comerciantes. Apesar de ser uma boa notícia para os foliões, o carnaval adiantado, com inicio previsto para a primeira semana de fevereiro, não agradou aos lojistas. “Combinado à crise, o período de férias grudado no feriado afastou nossos clientes”, admite Fátima Jorge, gerente de uma loja de aluguel de fantasias em Taguatinga. A queda na procura por fantasias infantis é um motivo de preocupação para os comerciantes. “Tradicionalmente, a maior demanda não é para trajes adultos, é para as matinês de crianças nas escolas. Este ano, as aulas não vão ter nem começado durante o carnaval, então, certamente, vamos ter menos aluguéis”, lamentou o lojista André Vieira.

Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), Adelmir Santana, esse é um ponto que deve prejudicar as vendas, mas pode ser contornado. “Apesar de o calendário atrapalhar, as crianças ainda contam com blocos infantis e muitos carnavais de clube” considerou. O importante é correr atrás do prejuízo.

“Para conquistar clientes, faremos promoções e não subiremos os preços”, garante Joventina Santos, proprietária de uma loja de fantasias no Riacho Fundo. A mesma estratégia será usada no estabelecimento onde Ícaro Salles e Fátima Jorge trabalham.

 

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