Rejunta meu Bulcão se firma como bloco da diversidade sexual e cultural

Espaço na 201 Norte reuniu nessa terça-feira (2/2) cerca de 300 pessoas

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postado em 03/02/2016 10:37

Bernardo Bittar/CB/D.A Press

Em meio à polêmica sobre o carnaval de rua de Brasília, a Praça dos Prazeres, na comercial da 201 Norte, tem se consolidado como espaço de resistência. Lá, se reúnem os foliões que defendem mais liberdade social e discordam da severidade da Lei do Silêncio. Pelo segundo dia consecutivo, o espaço foi ponto de encontro e concentração de blocos, como o Rejunta meu Bulcão, que desfilou ontem. O grupo homenageia o artista plástico Athos Bulcão, apaixonado por carnaval e por Brasília. No dia anterior, o Me Engole que eu sou Jiló, movimento de oposição declarada ao limite de decibéis estabelecido pela legislação, partiu de lá, após desligar os equipamentos de som por falta de autorização da Administração Regional de Brasília. Os dois eventos terminaram às 22h.

A praça ganhou esse nome por causa da ocupação feita por frequentadores do Balaio Café. Os grupos que de lá partem têm em comum o apoio ao estabelecimento, que encerrou as atividades no fim do ano. O bar era alvo constante de operações da Agência de Fiscalização (Agefis), sob justificativa de desrespeito ao limite de 50 decibéis de volume do som, depois das 22h. Foram tantas multas e tantos embargos que o bar da 201 Norte teve que encerrar as atividades. Apesar disso, a praça permanece como símbolo de território livre: ali, as várias orientações políticas, ideológicas e sexuais são respeitadas; as diversas expressões culturais, valorizadas, e o carnaval acontece, mesmo sem alvará.

O Rejunta Meu Bulcão parecia um quintal de casa. Os donos da festa comandavam o som, serviam bebidas e tomavam conta da churrasqueira. Foi feita uma parceria entre o evento e o Balaio Café, o bar vizinho à praça que, tecnicamente, está fechado, mas funcionou, pelo segundo dia consecutivo, como ponto de apoio para a venda dos comes e bebes. “Ano passado a gente reuniu 1,5 mil pessoas aqui. Este ano, a ideia é que haja número equivalente”, disse a organizadora Marina Mara. Segundo estimativa da Polícia Militar, entretanto, compareceram ao local no máximo 300 pessoas.

Ocupação
Ao som de Asé Dudu e da Bateria Umbak, a folia começou com atraso de quase uma hora. Marcada para as 19h, teve início às 19h45. “Sempre venho nas festas que acontecem aqui. Considero mesmo um lugar de resistência, porque é por causa deles que a cultura da cidade não acaba. Você soube de algum outro carnaval, terça-feira, em Brasília?”, questionou o estudante Gustavo Seixas, 35 anos. O brasiliense emendou, aproveitando para reclamar da falta de opções: “Os artistas estão cansados de lutar contra um sistema falho. Estão procurando outros lugares para se apresentar, e quem gosta de aproveitar a noite fica desestimulado”.

Quando souberam do evento, as amigas Cinthia Kikuchi, 34 anos, Karla Gentil, 36, e Gabriela Leitão, 33, colocaram o espumante para gelar em casa. Elas levaram a própria bebida, e ficaram de longe observando a bateria. “Adoramos o Athos Bulcão, mas sentimos falta de música cantada. Não é que a percussão não seja legal, mas gostamos de marchinhas. No entanto, valeu a pena. A ideia do bloco é maravilhosa”, contaram as funcionárias públicas.

Pela internet, a também servidora Erika Ferreira, 40 anos, comprou adereços inspirados nas obras de Bulcão. À venda, havia cartolas, camisetas e ímãs de geladeira. O lucro será usado para arcar com os custos de produção do evento, segundo a organização. A Polícia Militar esteve no local com sete viaturas, sendo quatro carros e três motos, e 17 homens. “Dava para proteger a Asa Norte toda”, contou um dos oficiais que preferiu não se identificar. O combinado foi de não ultrapassar o horário limite nem sair da praça, como ocorreu no dia anterior no bloco Me Engole que eu sou Jiló, que teve as atividades canceladas, mas resistiu, saindo do local e ocupando as passarelas e as ruas entre a 201/202 e a 101/102 Norte.
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