Blocos tradicionais do carnaval candango enfrentam crise para ir às ruas

Blocos que se tornaram sinônimos de carnaval candango, como Pacotão, Baratona, Asé Dudú e Babydoll de Nylon estão sem recursos para desfilar nas festas deste ano

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postado em 05/02/2016 06:15

Antonio Cunha/CB/D.A Press


Quem desconhece o carnaval de Brasília e vê a extensa lista de blocos que vão desfilar na folia deste ano pode até pensar que a prática de festejar pelas superquadras e eixos da capital é algo recente. Mas basta saber que o mais antigo deles, o Baratona, levou às ruas mais de 20 mil pessoas no ano passado para entender que botar o bloco na rua é algo comum na história brasiliense. “O público já conhece a nossa festa e sabe que estamos consolidados. Por isso, mesmo com todas as dificuldades, a gente pretende levar alegria”, garante Paulo Henrique de Oliveira, que está à frente do Baratona e do Baratinha, sua versão infantil.

Surgido em 1978, o evento faz parte da Liga dos Blocos Tradicionais de Brasília, entidade que reúne os mais antigos representantes de Momo na capital. De acordo com Paulo Henrique, é esse grupo que  não deixa que crise alguma atrapalhe os quatro dias de festa, mesmo que a recessão econômica no Governo do Distrito Federal (GDF) tenha prejudicado, principalmente, os mais antigos. “Acho que o aumento na quantidade de blocos é algo benéfico, mas não concordo que todos recebam o mesmo tratamento do governo. Afinal, somos nós quem mais levamos as pessoas às ruas”, reclama. O governo disponibilizou R$ 780 mil para garantir estrutura, como banheiros químicos e tendas, para 30 blocos.

Mesmo assim, ele diz que o desfile está garantido e a bandeira da paz será a mais balançada enquanto eles descerem pelo Eixão. O tema já estava escolhido mesmo antes do assassinato do jovem Wesley Sandrikis Gonçalves da Silva, 29 anos, um no dia 30 de janeiro, durante um evento carnavalesco na Funarte. Reforçando o discurso de que o caso foi uma fatalidade, ele garante que todos os organizadores estão a postos para retirar qualquer estigma de violência do carnaval de Brasília. “A gente sabe que casos como esse podem assustar o folião, mas estamos em contato direto com a Polícia Militar, que nos garantiu efetivo suficiente para a segurança de todos.”

A segurança também é tema de outro dos blocos tradicionais, mas em forma de incentivo à tolerância. O Asé Dúdú, que existe desde 1987, sempre trouxe para a avenida muito mais que batuque. Sendo um grupo que tem como estandarte a divulgação da cultura afro-brasileira, ele pretende também manifestar apoio aos terreiros de candomblé que sofreram ataques em 2015. “Nossa proposta sempre foi diferenciada, porque nos expressamos a favor da liberdade religiosa. Quem vai ao Asé Dúdú tem esse espírito”, garante Elizabete Cintra, presidente do bloco. Ela explica que, a cada ano, quem vai até a Praça do DI, em Taguatinga, não apenas dança, mas ganha conhecimento sobre cultura negra e religiosidade afro. Somente no ano passado, 15 terreiros foram atacados no DF e Entorno. “Por isso o assunto não pode sair do nosso repertório”, garante.

Mistura
O caldo cultural tipicamente carnavalesco fica ainda mais evidente em uma cidade como Brasília. Não é à toa que a capital é um dos maiores polos de frevo do país. Quem garante é o pernambucano Romildo de Carvalho Júnior, um dos fundadores do Galinho de Brasília. Mesmo que o gênero musical seja tão presente no Planalto Central, ele assegura: a maior novidade deles em 2016 é mesmo a decisão de ir à rua, já que eles tiveram bem menos dinheiro que confetes. “ Não queremos fazer um arremedo, mas garantir a retomada de um patrimônio cultural imaterial da humanidade, que é o frevo.”

Programação
Sábado
» Galinho — 202 Sul, às 12h
» Ase Dudu/Mamãe Tagua — Taguatinga — Praça do DI, às 16h
» Babydoll De Nylon  — Praça do Cruzeiro, às 13h
» Concentra Mais Não Sai —  404/5 Norte, às 14h

Domingo
» Pacotão —  302 Norte, às 12h
» Raparigueiros —  Eixão Sul, às 17h
» Baratona —  Eixão Sul, às 11h
» Menino de Ceilândia  —  Ceilândia Centro, às 14h
» Agoniza, Mas Não Morre  —   209/210 Sul, às 14h
» Concentra Mais Não Sai  —   404/405 Norte, às 14
» Baratinha —   Parque da Cidade, às 10h

Segunda-feira
» Galinho  —  202 Sul, às 12h
» Ase Dudu/Mamãe Tagua Taguatinga - Praça do DI, às 16h
» Aparelhinho Setor Bancário Sul, às 14h
» Concentra mas não Sai 404/405 Norte, às 14h

Terça-feira
» Baratinha  —  Parque da Cidade, as 11h
» Pacotão  —  302 Norte, às 12h
» Raparigueiros/Baratona  — Parque da Cidade, às 17h
» Meninos de Ceilândia  —  Ceilândia Centro, às 12h
» Bloco Santo Pecado   —  Orla Ponte JK, às 14h

 

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Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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Gustavo
Gustavo - 05 de Fevereiro às 23:30
Vejo esta situação com tristeza, um pai morre na porta da escola esperando os filhos, em Santa Maria, mulher é assinada com filho de onze meses no colo, entre outros assassinatos no Distrito Federal, so nessa semana, não vejo motivo para comemorar. Agora vem um grupo o oba festejar... festejar o que o aumento do luz? do combustível? a falta de segurança ? a desvalorização do ser humano? O que estamos comemorando? Ah vamos esquecer e e festejar ... Beleza!!! Na quarta-feira de cinza voltamos a triste realidade.
 
ricardo
ricardo - 05 de Fevereiro às 21:21
só pode ser brincadeira, nao tem dinheiro para saude e gente pedindo dinheiro para carnaval,
 
Raimundo
Raimundo - 05 de Fevereiro às 13:05
Que peninha!!! Governador tira dinheiro da saúde, da educação e da segurança e da pra esses "pobres" coitados fazerem o carnavam deles na áreas nobres do Plano Piloto, tomando seu Whisk 12 anos e pertubando a vida da vizinhança.
 
julio
julio - 05 de Fevereiro às 10:20
Qual crise? Porque o bloco precisa de dinheiro? sendo que é um aglomerado de pessoas que saem de suas casas e vão até o local. Os integrantes da banda cobram para tocar? ou aproveitam para brincar o carnaval? A partir da hora que o governo dê a infraestrutura como segurança e banheiros, eu nao vejo o porque de crise para colocar o bloco na rua.