SIGA O
Correio Braziliense

Blocos no DF arrastaram um milhão de pessoas em quatro dias de carnaval

Pelo segundo ano consecutivo, os grupos tomaram as avenidas da capital federal com irreverência, bom humor e uma dose de protesto

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 10/02/2016 06:31 / atualizado em 10/02/2016 06:42

Chegou a hora de se despir das fantasias carnavalescas e encarar a quarta-feira de cinzas, que impõe fim aos festejos de momo. Nos últimos quatro dias, a alegria tomou conta de ruas e praças da capital federal. Blocos tradicionais e mais descolados arrastaram, no total, cerca de 1 milhão de pessoas durante todo o feriado, segundo a Polícia Militar. Em 2015, a corporação apontou 850 mil. Ao todo, 81 grupos — o dobro do ano passado — comandaram a folia, também marcada pela presença de famílias e crianças. Alguns tiveram dificuldades para obter alvarás.

Democrático, o carnaval teve samba, frevo, marchinha e até rock e música eletrônica. Como Brasília está ligada intimamente às decisões do poder, na hora da folia, essa característica também é usada como tempero da farra. O estudante Jackson Batista, 28 anos, acredita que o sucesso dos blocos de rua da capital federal se deve à repercussão do cenário político. “Não é só mais um movimento festivo, mas crítico, como é o caso do Pacotão. As pessoas aproveitam o feriado para se aproximar da realidade brasileira”, destacou o folião, que participou do Babydoll de Nylon, do Pacotão e do Raparigueiros.

Segundo boletim parcial da Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social, até as 4h de ontem houve 115 ocorrências — no carnaval de 2015, houve 109 delitos. Os crimes contra o patrimônio representaram 62% dos registros neste ano. Apenas na terça-feira policiais militares abordaram cerca de 7 mil pessoas. Dos atendimentos realizados pelo Corpo de Bombeiros, 43% envolveram alcoolemia. Durante a Operação Álcool Zero, 124 motoristas acabaram autuados. Houve, ainda, o flagrante de quatro condutores dirigindo sem carteira de habilitação.

Leia mais notícias no especial de carnaval

Segundo o Executivo local, 1,4 mil PMs, bombeiros e agentes de trânsito trabalharam nas festas. O balanço de todas as ocorrências do carnaval será apresentado hoje.

Raparigueiros,
o mais popular


Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


O bloco fundado em 1992 arrastou a multidão de 150 mil pessoas para o Eixinho Sul no domingo. Trata-se do maior público de 2016. Apesar do início tranquilo, à noite, houve relatos de brigas, assaltos e assédio sexual. Cerca de 700 policiais militares fizeram a segurança do local e precisaram intervir algumas vezes. Ontem, o grupo desfilou pela segunda vez, também na altura da 106 mil, e reuniu, novamente, 150 mil pessoas.

Babydoll de Nylon
é só alegria


	Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press


O bloco ganha público a cada ano. Em 2016, o bom humor dos foliões se confirmou, mais uma vez, com a maioria deles vestidos com roupas de dormir. O Babydoll de Nylon desfilou no sábado e reuniu cerca de 65 mil pessoas na Praça do Cruzeiro, segundo estimativas da Polícia Militar. No ano passado, o grupo arrastou 50 mil. Cerca de 150 policiais militares fizeram a segurança do grupo. Além de 40 brigadistas, seis médicos, seis enfermeiros e seis ambulâncias prestaram apoio no local. Não houve registro de ocorrências graves.

Galinho de Brasília,
xodó das famílias


Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


O grupo abriu o terceiro dia de carnaval na capital federal com irreverência e ao som de muita marchinha. Cerca de 40 mil pessoas acompanharam o desfile no Setor de Autarquias Sul, próximo à sede da Caixa Econômica Federal. O bloco que chama a atenção pelas cores vivas surgiu em alusão ao Galo da Madrugada, de Pernambuco. Tem como principal atração o frevo. É o que mais atrai famílias. Neste ano, o governador Rodrigo Rollemberg participou da festa. Não houve maiores confusões, segundo a Polícia Militar.

Pacotão,
sempre irreverente


	Breno Fortes/CB/D.A Press


Em 1977, o então presidente da República, general Ernesto Geisel, lançou um conjunto de leis para alterar as regras das eleições. As mudanças ficaram conhecidas como Pacote de Abril. No ano seguinte, ganhava as ruas de Brasília o Pacotão, bloco de carnaval formado por jornalistas que debochavam e ironizavam a política brasileira. Neste ano, o tradicional grupo reuniu, no total, 8 mil foliões na 302 Norte, com marchinhas bastante críticas ao cenário político. Teve sósia do ex-presidente Itamar Franco e até o Japonês da Polícia Federal.

Troféu Correio Braziliense
Agora não tem mais jeito: o carnaval é nosso! O brasiliense se apropriou, de vez, da festa do momo. Tomou as ruas da cidade, dançou, beijou, travestiu-se do que bem entendeu. Seguiu o trio, caiu no samba, no axé, nas marchinhas e — quem diria — na música eletrônica. Senhor dos festejos, nada mais justo que vista a fantasia de juiz e eleja o melhor bloco de 2016. Pela primeira vez em 56 carnavais, o Correio Braziliense vai entregar um troféu aos três mais votados pelo leitor. Para escolher, entre no site (www.correiobraziliense.com.br) e participe da enquete. Até quinta-feira, você pode votar. Na sexta, uma festa na redação do jornal vai coroar os vencedores do carnaval de Brasília. Que vença o mais animado!
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.
 
José
José - 10 de Fevereiro às 22:14
Inglaterra, Austrália e Canadá tem festas também, e lá a coisa funciona, não por chatice, e sim porque o governo lá tem compromisso, e fico a pensar, quantos milhões de brasileiros conhecem a Europa, elogia e aqui cagam nas ruas, os mesmo que elogiam a Europa, são os mesmo que querem se dar sempre bem com o jeitinho brasileiro. Até concordo que essa multidão que vai ao carnaval, também poderia ir em protesto contra esses politicos corruptos, mas não irão, pois muitos ai, também são corruptos.
 
Thiago
Thiago - 10 de Fevereiro às 16:30
Claúdio, você deve todo dia enfrentar horas de trânsito para trabalhar. Como todo brasileiro, deve pagar uma nota de plano de saúde, se tiver. Com certeza você não sai na sua rua à noite. Acha comum e normal um assalto ali e acolá. Se tem carro, paga uma nota de seguro, se tiver. Sua casa ou condomínio é todo cercado. Adora os carros que passam na sua porta com som alto de madrugada. Seus vizinhos jogam lixo na rua e você nem liga. Então, me desculpe. Prefiro ser chato mesmo. Quem sabe nosso país não fica chato um dia como a Inglaterra, a Austrália ou o Canadá. Que chatisse!
 
jefferson
jefferson - 10 de Fevereiro às 15:36
Daqui há 9 (nove) meses, passadas as orgias do carnaval, nascerá uma geração de crianças com microcefalia. Àquelas que não se cuidaram... Mas, afinal de contas, carnaval não é carnaval.
 
Thiago
Thiago - 10 de Fevereiro às 15:10
O Carnaval é a síntese do Brasil. 50 pessoas em protestos pela saúde, educação e transporte. "Coisa de vagabundo". 1 milhão de pessoas no Bola Preta bebendo, fumando e urinando nas ruas. "Manifestação cultural". Quando alguém precisa da saúde pública e não encontra, "culpa do governo". Quando alguém, que não está na festa, precisa da saúde pública, está lotado por pessoas em alcoolizadas e acidentadas devido ao Carnaval. O melhor? No Brasil o ano só tem 10 meses e meio, porque "o ano só começa depois do Carnaval". Não sou contra o Carnaval, mas é uma festa violenta. Violência contra a limpeza urbana, nas estradas e avenidas recheadas por bêbados, nos blocos cheios de brigas e assaltos. Enquanto for assim, não vejo sentido nenhum nisso tudo. Mas como um pleonasmo vicioso, ano que vem tem mais do mesmo tudo de novo.
 
claudio
claudio - 10 de Fevereiro às 15:58
Deixa de ser chato!!!
 
Georgina
Georgina - 10 de Fevereiro às 11:57
Viva o Brazil, viva esse povinho hipócrita, que luta por bobagem, mas não dão a minima para coisas básicas, como saúde, educação...
 
claudio
claudio - 10 de Fevereiro às 15:59
Deixa de ser chata, vai arrumar um macho p...a!
 
rogerio
rogerio - 10 de Fevereiro às 10:10
E haja bolsa escola pra essa galera tomar essa cachaça toda