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Correio Braziliense

Cidades de MG próximas ao DF cancelam carnaval por falta de verba

Pouco dinheiro no caixa, falta de itens básicos e salários atrasados de servidores despontam como argumentos dos gestores municipais para suspensão; Decisão divide opiniões

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postado em 01/02/2017 19:51 / atualizado em 07/02/2017 14:38

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Ao menos três cidades vizinhas ao Distrito Federal ficarão sem carnaval em 2017. A decisão foi tomada pelos prefeitos de Arinos, Buritis e Unaí, cidades mineiras distantes 193km, 160km e 125km de Brasília, respectivamente. Os municípios são destinos conhecidos de moradores do DF que buscam carnavais em cidades menores, tradicionalmente bem animados. A alegação para o cancelamento das festas, segundo os gestores locais, é a falta de dinheiro para custeio do evento.
 
 
A notícia do cancelamento dos carnavais foi divulgada na última semana. Como justificativa, os administradores alegam que os municípios enfrentam problemas financeiros e que a decisão é necessária para garantir prestação de serviços básicos aos moradores, como saúde e educação. Alguns aprovaram a decisão, outros, nem tanto. 
 
 
"Concordo que estamos em um ano de crise, mas porque, então, não fazer uma coisa mais simples?"
Clésia Batista, 25 anos, moradora de Arinos 
 
 
Para a estudante, o cancelamento da festa vai representar um prejuízo na arrecadação do setor hoteleiro e de restaurantes da cidade. "É uma festa que atrai gente de vários lugares e que gera renda para cidade", acrescentou. 

Opinião parecida tem a auxiliar de secretaria Daiane Rodrigues, 29 anos, que mora no DF, mas morou 18 anos em Arinos. A ideia dela era passar o carnaval desse ano na cidade. Para ela, o cancelamento da festa vai causar prejuízo não apenas para hotéis e restaurantes, mas também para ambulantes. "E eles [os ambulantes], como ficam? É dessas festas, com a venda de cachorros-quentes e de bebidas, que eles tiram seu sustento", protestou. 

A favor do veto 

A empresária Hérica Valadares, 47 anos, também mora em Arinos e pensa diferente. A jornalista afirma que o município passa por um momento de crise e não tem condições de pagar pela folia.
 
A comunicóloga sugere, contudo, que o evento seja pago por comerciantes locais, um dos beneficiários diretos com a folia. "Festa é importante? É! Mas no atual cenário, prioridade é educação, saúde e segurança", defende.
 
A professora Tatiana Alvares, 31 anos, que mora em Buritis (MG), argumenta o mesmo. Ela diz que a cidade dela, que também cancelou o carnaval, passa por problemas financeiros desde a gestão passada. "Claro que lazer e diversão são importantes, mas não se sobrepõe a prestação de serviços básicos como saúde, educação e o pagamento de servidores", observa.

Municípios endividados 

O prefeito de Arinos (MG), Carlos Alberto Recch (PSD-MG), disse que os gastos da festa desse ano ficariam em torno de R$ 50 mil. Segundo ele, cancelar o evento foi necessário para honrar as dívidas feitas pela gestão passada e para sanar os graves problemas que a cidade enfrenta atualmente, como falta de remédios. O gestor admitiu que o comércio local será afetado, mas diz que tentou negociar uma parceria com a iniciativa privada local, mas que não houve consenso. "Não chegamos a um denominador comum", declarou. 

Rech informou, ainda, que a arrecadação durante os dias de festa não costuma compensar o investimento público no evento. "Aquece o comércio, sim, mas não devolve o valor investido", pontuou.

Paulo H. Carvalho/CB/D.A Press
O chefe do executivo de Buritis, Keny Soares (PDT-MG), declarou que a prefeitura não tem dinheiro para pagar a festa, que ficaria em torno de R$ 200 mil. Soares alega que a prefeitura precisa honrar contas pendentes e salários atrasados de servidores também deixados pela gestão passada. Admitiu, também, que não conversou com a comunidade e nem com representantes comerciais antes de tomar a decisão, "Mas estamos aberta a propostas", pontuou.

João do Caixão (PSDB-MG), ex-prefeito de Buritis, que deixou o cargo em dezembro, rebate as acusações. Em uma rede social, o ex-gestor diz ter "assegurado o salário dos servidores públicos em dia até dezembro de 2016", incluindo o 13°. Na publicação, ele crescentou que o município arrecadaria, até janeiro, mais de 5 milhões de reais. 
 
O valor não foi confirmado pelo atual prefeito, Keny Soares (PDT-MG). O atual chefe do município diz que o orçamento da prefeitura já tem destinação definida. Sobre atrasos de salário da gestão anterior, negou que os vencimentos de dezembro tenham sido pagos. Que apenas o 13° foi depositado.

Folia pela região 

Em Unaí, terceira cidade do noroeste mineiro que também não terá carnaval esse ano, o atual prefeito, José Gomes (PSDB-MG), informou que servidores locais não recebem salários desde dezembro, incluindo 13°. Diferentemente de Arinos e Buritis, que tinham carnaval até o ano passado, Unaí não tem a festa desde 2012.
 
Em Valparaíso (GO), Luziânia (GO) e Santo Antônio do Descoberto (GO), no entorno do DF, a situação ainda não foi definida, segundo contato feito pelo Correio com as prefeituras.
 
Em Valparaíso, o assunto está sendo discutido e a prefeitura não descarta a possibilidade de não haver a festa. Em Luziânia, a questão deve ser definida até semana que vem, quando assume o novo secretário de cultura local. A prefeitura informou que a festa na cidade dependerá do orçamento da pasta, mas garantiu que os blocos locais vão às ruas. Situação idêntica é a de Santo Antônio do Descoberto, que discute se dará apoio financeiro ao bloco carnavalesco da cidade. A reportagem não conseguiu contato com as prefeituras de Águas Lindas (GO) e Formosa (GO).

Em Planaltina de Goiás (GO), a pasta informou que a cidade terá carnaval, mas que os custos serão pagos pela iniciativa privada. A administração disse que não financiará o carnaval desse ano exaamente por causa do estado de calamidade financeira decretado mês passado pelo município.
 
* Estagiário sob supervisão de Anderson Costolli 
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