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Correio Braziliense

Relembre os hits do axé que bombaram em carnavais passados e saiba por onde andam seus intérpretes

Às vésperas do carnaval, o Correio lista aquelas canções que marcaram a folia para milhares de brasileiros e conta: como está a carreira de grandes nomes que ajudaram a consolidar o gênero musical baiano

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postado em 22/02/2017 19:50 / atualizado em 22/02/2017 20:01

O axé music – ritmo que tem como marco inicial o lançamento da música Fricote, de Luiz Caldas, em 1985 – completa 32 anos de existência em 2017. Ao longo desse período, diversas canções do gênero fizeram um enorme sucesso no país e tornaram-se verdadeiros hinos do carnaval. Se você curtiu a folia momesca na década de 90 e mesmo no começo dos anos 2000, certamente se lembrar de clássicos como Milla, Liberar geral e Vai sacudir, vai abalar. O Correio fez um levantamento, conversou com intérpretes baianos e mostra onde e como estão os "donos" desses grandes sucessos. Aumente o som e aproveite essa viagem ao passado para entrar de vez no clima do carnaval:
 

Reinaldo

Fenômeno musical do fim da década de 1990, o grupo Terra Samba, sob o comando de Reinaldo Nascimento, chegou a vender três milhões de discos do mesmo álbum, o Ao vivo e a cores. O cantor deixou a banda em 2014 e passou a atender pelo nome artístico de Reinaldinho. “É um nome mais carinhoso, dá mais intimidade. Deu certo, as pessoas já estão assimilando”, explica ele.
 
 

Parte importante da história do axé, o agora Reinaldinho gravou um CD em homenagem ao gênero e, hoje em dia, apresenta em seus shows algumas releituras de grandes hits. O baiano afirma que o público continua acompanhando sua carreira e se diz grato ao grupo que o consagrou. “Se não fosse o Terra Samba, eu não seria o que sou hoje. No meu caso, foram as músicas que fizeram o artista. Eu fico surpreso com o carinho das pessoas. Existe uma continuidade. O público sente saudade, mas entende que a história continua”, pontua o cantor, que neste carnaval se apresentará em cidades de Minas Gerais, São Paulo e Pará.

Xexéu

A Timbalada é, sem dúvidas, um patrimônio do carnaval baiano. Criado em 1991 por Carlinhos Brown, o grupo – que, atualmente é comandado por Denny Denan e Millane Hora – já teve vários vocalistas que deixaram sua marca. Responsável por eternizar hits como Beija-flor, Toneladas de desejo e Namoro a dois, Alfredo de Souza Cerqueira Filho, mais conhecido como Xexéu, é um desses nomes. Ele esteve à frente da orquestra percussiva entre 1993 e 1998 e, hoje, segue cantando as canções que popularizou, mas em carreira solo. 

"A gente repaginou a nossa história musical, fez uma triagem e atende a uma demanda de, em média, oito shows por mês. Nós deixamos um legado. Eu busco com o meu canto, fazer as pessoas felizes, preencher o interior delas”, conta. Depois de enfrentar problemas relacionados ao consumo de drogas, Xexéu também virou palestrante. “Foi um fato da minha vida que me fez crescer muito. Os erros são responsabilidade de cada um e, hoje, eu tento ajudar outras pessoas”, afirma ao Correio.
 

 
Considerado um sex symbol da época, Xexéu diz não sentir falta do assédio das fãs. "Tinha show que eu precisava sair com 200 seguranças”, relembra. Apesar do desmprendimento, assume: gostaria de ter um reconhecimento maior pelo trabalho que desenvolveu enquanto esteve nos vocais da Timbalada.
 
O cantor, que passará por Pernambuco, Ceará e Maranhão no carnaval, pede ainda que a indústria fonográfica abra espaço para novos talentos, em prol de uma “renovação do axé”. Entre esses artistas, segundo o ex-timbaleiro, está MC Beijinho, autor de Me libera, nega, que, para Xexéu, será o grande hit de 2017. “Conheci o menino e acho que a gente tem que dar oportunidade e credibilidade para mais pessoas como ele”, conclui.

Carla Visi

Segunda vocalista da história do Cheiro de Amor – sucedendo Márcia Freire em 1996 –, Carla Visi ficou famosa por eternizar aquele que, certamente, é o maior hit do grupo: Vai sacudir, vai abalar. Em 2000, ela deixou a banda para seguir carreira solo. A essa altura, a baiana já era conhecida nacionalmente por outras canções que chegaram ao topo das paradas, a exemplo de Quixabeira, Ficar com você e Aviãozinho. “Como são músicas de qualidade, elas permanecem vivas na memória de muita gente”, avalia.
 
 
 
Hoje, Carla conta participar de diversos projetos que envolvem, principalmente, a história da música brasileira. “Como é o caso do último disco em homenagem a Clara Nunes, o Pura claridade. Meu objetivo enquanto artista é oferecer a minha voz para além da fruição estética”, define.
 
Recentemente, a baiana também que se uniu a outros ex-integrantes do Cheiro de Amor para criar a banda Simpatia. Neste carnaval, a trupe irá se apresentar em estados do Nordeste, como Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas, além de uma passagem pelo Distrito Federal. “A agenda está bem generosa nesse verão, afinal, sabemos fazer festa”, celebra a cantora.

Gilmelândia

A baiana Gilmelândia Palmeira dos Santos – também conhecida pelo nome artístico Gil – recebeu em 1998 a árdua missão de reativar a Banda Beijo, que havia feito enorme sucesso sob o comando do cantor Netinho e estava parada desde 1994, quando ele partiu para a carreira solo. A cantora não titubeou e, já no primeiro álbum, emplacou o hit Peraê.
 
Seu maior sucesso à frente do conjunto, no entanto, viria poucos anos depois: Bate lata, que, inclusive, foi eleita a música o carnaval de 2001. “São duas músicas maravilhosas. Assim que bateu no ouvido da galera, o povo se apaixonou, dançou e curtiu. Então, foram muito importantes para mim. Eu já comecei com duas canções na minha carreira que foram logo sucesso”, lembra Gil.
 

 
Após deixar a banda, a cantora lançou, em 2002, seu primeiro disco solo e, mais uma vez, emplacou um grande hit: Maionese. Atualmente, Gil segue exaltando as raízes do axé music. Seu mais novo álbum, Tambores de Gil, por exemplo, presta uma homenagem à percussão da Bahia. Ela também continua se apresentando no carnaval de Salvador, com um trio pipoca – que não exige a compra de um abadá. Na folia deste ano, a cantora passará ainda por São Paulo e Pernambuco. “Vou cantar todos os dias”, comemora. 

Netinho

Um dos maiores nomes da história do axé music, Netinho começou a carreira em 1988, na Banda Beijo. Logo no primeiro disco, emplacou o sucesso Beijo na boca que, de acordo com ele, foi a música do carnaval de Salvador naquele ano. Bateu recorde de execução em todo o país. Em 1993, partiu para carreira solo e continuou a colecionar hits, como Menina, Capricho dos deuses e Preciso de você. Até que, em 1996, gravou Milla. Não é nem preciso dizer o "boom" que foi. “Sou muito feliz por ter gravado essa música, porque é uma canção muito positiva, a melodia é muita alegre e ela só passa energia positiva, a vibração é altíssima, por isso que ela não para”, avalia.
 

 
Alguns anos atrás, no entanto, graves problemas de saúde afastaram o cantor dos palcos e dos trios elétricos. “Foram muitas coisas terríveis que eu tive. Três AVCs, falência de pulmão, fígado e rins e vários comas. Mas tudo passou e eu sou muito agradecido por isso tudo que vivi, porque mudou muito a minha cabeça. A pessoa mais hiperativa do mundo, que era eu, aprendeu a ter paciência. Entendi que cada coisa tem seu tempo certo para acontecer”, afirma.

Com o aval dos médicos, Netinho começou o ano do jeito que gosta: nos palcos. Fez um show completo no revéillon de 2017, no Rio de Janeiro. Agora, ele também vai voltar à festa que ajudou a construir. "Farei show em um camarote no carnaval de Salvador. Já estou liberado para fazer trio, mas não quero ainda. Estou fazendo tudo passo a passo. Estou muito feliz e vou seguir me apresentando. Me sinto pronto, já estou recuperado, tudo que tive passou e, olha que maravilha, não tomo mais nenhum remédio. Tenho certeza que não vou sentir mais nada. Minha voz ainda não voltou como era antes, mas, para quem perdeu a voz toda, já estou falando e cantando. Meu fonoaudiólogo disse que meu timbre só ia voltar quando eu fosse para a estrada. Então estou indo”, conta. “Estou recuperando o tempo perdido. Vou alegrar a vida de muita gente ainda, tenho certeza”, finaliza, emocionado.

Sarajane

Uma das pioneiras do axé music, a cantora Sarajane explodiu nacionalmente em 1987 com o hit A roda (vamos abrir a roda, enlarguecer...), um dos primeiros sucessos do gênero musical baiano. “Foi uma canção muito importante para mim. Primeiro, porque foi eu que escrevi boa parte dela. Segundo, porque ela é impressionante. Até hoje faz sucesso na África, na Europa e aqui todo mundo ama. Acho que é um dos maiores hits do Brasil”, diz.
 
 
 
Depois de A roda, Sarajane, que era presença constante no Programa do Chacrinha, ainda emplacou outros sucessos, como Venha me amar e Ela sabe mexer, mas foi, gradativamente, perdendo espaço na mídia. Ela afirma, no entanto, não sentir falta da exposição – “ninguém fica no glamour o tempo todo. Tudo é mutável”. – e garante ainda contar com o reconhecimento do público na atual fase da carreira, mais dedicada ao forró. “O público é maravilhoso. É a maior mídia que a gente tem. Às vezes um artista tá na televisão para caramba, tocando muito na rádio, mas não é história. Ele tá estourado, mas no outro dia a música dele sai, porque é tudo muito rápido e ninguém lembra. Acho que estar na mídia é o povo te reconhecer. É chegar e o povo te abraçar, falar com você, ir ao show. Isso é tão bacana”, avalia a baiana que fará quatro apresentações no carnaval de Salvador.
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