Padre Alessandro Campos celebra missa ao som de música sertaneja

Sacerdote jovem, que também é tenente, faz sucesso na capela da Paróquia Militar criando letras com mensagens cristãs para canções de raiz, que ele mesmo toca ao violão

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postado em 02/07/2009 09:23 / atualizado em 02/07/2009 14:28

Erika Klingl

A igreja do Colégio Militar só foi inaugurada oficialmente em 22 de maio deste ano. No entanto, na última terça-feira, já não cabiam mais fiéis dentro da capela da Paróquia Militar São Luiz Gonzaga e Santa Rita de Cássia. Os corredores estavam tomados e foi necessário buscar cadeiras da escola para acomodar as pessoas. Mesmo com os bancos emprestados, muitos tiveram que assistir à missa em pé. E não era uma missa qualquer. Foram quase duas horas de celebração.
Breno Fortes/CB/D.A Press
Engana-se quem pensa que alguém saiu mais cedo ou aparentava cansaço no fim da liturgia. “A gente nem vê o tempo passar quando está aqui”, comenta a comerciante Erivalda Gomes, de 40 anos. Moradora do Lago Norte, toda terça-feira, ela chega mais tarde em casa. O motivo do atraso é o padre Alessandro Correia de Campos e a missa carismática que ele celebra toda semana. Com apenas 27 anos, o padre é o novo sucesso da corrente carismática(1) católica no Distrito Federal. “Conheço ele desde que virou padre aqui em Brasília. Gosto porque é muito animado e diferente daqueles padres tristes e que dão até sono”, brinca Erivalda. Na missa de Alessandro é mesmo difícil ficar parado. São muitas músicas evocando a doutrina católica. Sempre que possível, com o pé na roça. Alessandro é do interior de São Paulo e adora uma moda de viola. Tanto que as missas de maior sucesso são sertanejas, quando ele usa músicas de raiz e transforma as letras em mensagens cristãs. Até hoje, ele celebrou duas desse jeito. Mas, a partir de agosto, pretende produzir uma missa sertaneja por mês. E, como um animador de auditório, o padre cobra a participação de todos. “Ih, hoje está muito fraco! Estou me sentindo em frente a um caixão no meio de um velório. Vamos bater palmas para Nossa Senhora e nos animar”, provocou, logo no início da celebração. Não à toa, das quase duas horas de orações, pelo menos uma foi destinada ao canto de músicas cristãs. Entre as canções escolhidas, destacavam-se a de ídolos do movimento carismático como Padre Zezinho e Padre Fábio Melo(2). Além do carisma e da simpatia, o jovem padre chama atenção das mulheres por ser charmoso. Moreno, alto e magro, ele está acostumado com os galanteios. “Aceito os elogios, mas nunca me esqueço do meu objetivo aqui. Sou padre e sirvo a Deus”, garante. A estudante de direito Gizele Damasceno Pereira, de 23 anos, personifica o que muitas fiéis pensam a esse respeito: “É a primeira vez que eu venho à missa dele. O padre é mesmo muito bonito. Na verdade, nem parece padre. Mas a gente tem que respeitar a missão dele”. Na última missa, mais de 70% dos fiéis eram mulheres. E o padre aproveitou para brincar com o fato: “Quero mais força e concentração nas palavras de Deus. Fechem os olhos e não fiquem olhando para o padre. Ele já é casado”. Contraste A alegria da missa contrasta com o ambiente da celebração. A paróquia recém-inaugurada fica dentro do Colégio das Forças Armadas, campeão em disciplina e em notas quando comparado com as mais de 600 escolas públicas do DF. Ainda mais curioso é o fato de o padre Alessandro ser tenente do Exército Brasileiro, com direito a farda camuflada e tudo mais. Há um ano, ele está no Colégio Militar. Três vezes por semana, usa farda e provoca: “Tenho até arma”. Diante dos olhares chocados da repórter, se corrige: “É brincadeira. Não ando armado, mas também nunca me esqueço das minhas origens. Não posso esquecer que sou padre e não posso esquecer que sou militar”. Até a chegada dele no colégio, os padres frequentavam a instituição de ensino esporadicamente e usavam o auditório ou uma pequena capela do lugar. Com a presença constante do padre Alessandro no colégio, foi necessário expandir o ambiente das celebrações. Uma antiga marcenaria serviu de estrutura para a paróquia. “Comecei a vir aqui quando ainda era um galpão, e desde então ajudo a arrecadar dinheiro para as reformas”, conta a cabeleireira Lurdes Sonada, de 56 anos. Toda terça-feira, Lurdes deixa o salão aos cuidados da amiga Edna Francisca de Oliveira, 37 anos, e passa o dia na cozinha. Entre 6h e 16h, ela produz vatapá de frango, cachorro-quente e caldos. “Todo o lucro vai para a paróquia”, afirma. Na reforma, ainda falta trocar os vidros por vitrais e construir uma torre para colocar o sino. Alessandro — que se intitula “um soldado do Senhor” — é um prodígio. Soube que queria ser padre aos 7 anos. “Sempre ia à missa com a minha avó, que reza, ainda hoje, com mais de 80 anos, 23 terços por dia”, lembra. “Um dia olhei para o padre Orfeu lá em Mogi das Cruzes e cheguei à conclusão de que queria ser como ele.” O padre italiano já faleceu. Aos 13 anos, Alessandro entrou no seminário e, com 24 anos, foi ordenado. Vale destacar que a idade mínima para ser padre é 25 anos. Joana Miguel, avó de Alessandro, foi peça fundamental na formação do jovem padre. Quando ele nasceu, a mãe, Maria de Fátima Correia, mal tinha completado 15 anos e era mãe solteira com o bebê nos braços. A avó já viu o neto como padre. “Ela veio na inauguração da nossa paróquia e ficou muito orgulhosa”, conta ele. A missa com o Padre Alessandro Campos é celebrada toda terça-feira às 19h. 1 - CARISMÁTICO Renovação Carismática é manifestação da igreja católica sem grupo ou fundadores definidos. A origem do movimento vem de um retiro espiritual realizado em 1967 nos Estados Unidos. Em seguida, surgiram reuniões, seminários, encontros e grupos de orações ligados à renovação. O primeiro congresso americano contou com 100 participantes. Quatro anos depois, já eram 12 mil fiéis. A renovação se espalhou por todo o mundo e ganhou forças em encontros religiosos. 2 - PADRE FÁBIO MELO O mais novo ídolo da música católica brasileira, faz sucesso em todo o país com shows de músicas aclamadas pelo público, como os hits do CD Vida, que beira os 700 mil exemplares vendidos. Fábio tem 37 anos e nasceu na cidade de Formiga, interior de Minas Gerais. Ele é mestre em antropologia teológica e hoje canta e dá palestras.

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