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Vila Telebrasília comemora 53 anos na próxima sexta-feira Moradores relembram a luta para fixação do bairro na Asa Sul

Publicação: 01/09/2009 08:30 Atualização:

“Daqui não saio. Daqui ninguém me tira.” Os gritos ecoavam às margens do Lago Paranoá. Vinham da Vila Telebrasília. O episódio se repetiu várias vezes. O alvoroço ocorria porque, no início dos anos 1990, o Governo do Distrito Federal deu início a uma briga ferrenha para remover o assentamento, localizado no fim da L4 Sul. Queria levá-los para um novo bairro, no Riacho Fundo. A Associação de Moradores bateu o pé. Mesmo assim, 400 famílias cederam e se mudaram para lá. A outra metade da população resistiu e, na próxima sexta-feira, comemora o aniversário de 53 anos da região.

Dona Neide em um dos símbolos da Vila Telebrasília, a Praça da Resistência (Adauto Cruz/CB/D.A Press)
Dona Neide em um dos símbolos da Vila Telebrasília, a Praça da Resistência
A história da vila será contada durante as festividades programadas para a comemoração. A partir de sexta-feira, a população local poderá assistir a um vídeo sobre a luta para a fixação do bairro e a uma exposição fotográfica com o mesmo tema. Comidas típicas, corte de 53 bolos de aniversário e ações itinerantes de cidadania também estão na lista de eventos, organizada pela Administração Regional de Brasília e pela Associação de Moradores.

Quem ficou lá até hoje não se arrepende. A Vila Telebrasília é um bairro pequeno, vizinho de embaixadas e de áreas nobres do DF. “Não troco a vila por nada”, diz Maria Rosineide Peixoto, 53 anos. Dona Neide, como é conhecida, mora na região há 27 anos. Tem um mercadinho que abastece a comunidade com leite, suco e outros alimentos. O estabelecimento fica em frente à Praça da Resistência, o mesmo local que, anos atrás, viu nascer o movimento de luta de um povo que, como ela, não queria sair da orla do lago de maneira alguma.

Francisco Aristides Meireles, 64, presenciou todo o movimento de resistência. O morador da Rua 20 conta que a Vila Telebrasília vivia momentos de muita euforia. “A polícia frequentemente vinha até aqui para tentar conter o movimento. Mas a gente não cedia. Às vezes, saíamos da vila e íamos até a porta do Palácio do Buriti para reivindicar”, recorda. Aristides acredita que esse foi um dos maiores movimentos comunitários do DF. “Juntaram-se pessoas de várias religiões. Foi uma grande reunião ecumênica. Todos buscando o mesmo ideal”, justifica ele, que reside na Vila Telebrasília há 46 anos.

Saudades
Dona Neide lembra como se fosse hoje do dia em que chegou à Vila Telebrasília. “Eram poucos barracos, todos bem azuizinhos”, comenta, com o sotaque maranhense. “Tinha telefone e até escola. Tudo precário, mas tinha.” O saudosismo também bate à porta de Aristides. O que o antigo morador mais lamenta é o corte das duas árvores da Praça da Resistência. Segundo ele, o fícus italiano e o eucalipto do espaço foram plantados por um pioneiro da vila, o Zezinho Carpinteiro. Faziam uma sombra de dar inveja. “O pessoal do governo exagerou. Tiraram quase todos os galhos”, queixa-se.

O estudante universitário Eudes Santos, 31 anos, nasceu na vila. Para ele, a região carece de uma casa lotérica. “Temos de sair daqui quando precisamos pagar contas ou sacar dinheiro”, explica. Eudes também reclama da falta de um posto de saúde e de escolas e creches públicas. Aproximadamente 3 mil pessoas sofrem com o problema. O cálculo da população local vem da Associação de Moradores. “Estimamos esse número de acordo com a quantidade de lotes existentes”, esclarece o presidente da entidade, João Almeida.

À frente da associação pela quinta vez, João conta que a retirada dos moradores da Vila Telebrasília ocorreu devido a preocupações ambientais. Para a coordenadora do laboratório de sustentabilidade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB), Marta Romero, no entanto, a ocupação da região é pequena e discreta. “Condomínios na região de Sobradinho e São Sebastião, por exemplo, trazem impactos maiores ao Lago Paranoá. Lá, ocorre a abertura de diversas ruas sem planejamento, que acabam prejudicando os cursos de água da Bacia do Descoberto”, explica.

PROGRAMAÇÃO

Sexta-feira
Local: Praça da Resistência.
18h – Barracas de comidas típicas e exposição de fotos e vídeos sobre a história da vila.
20h – Solenidade do aniversário, com shows e corte de 53 bolos com diversos temas.

Sábado
Local: Praça da Resistência.
9h – Ação itinerante do Procon Móvel, Defensoria Pública e outros serviços.
17h – Show com o grupo Trem das Cores e outras bandas.

Domingo
Local: Campo de Futebol da Vila Telebrasília.
9h – Final do campeonato de futebol e rua do lazer para crianças.
13h – Entrega dos troféus para os vencedores do torneio.


CRONOLOGIA

1956

A Vila Telebrasília surge como acampamento de funcionários da construtora Camargo Correa.

1991
A Lei nº 161 permite a fixação dos moradores na Vila Telebrasília. Joaquim Roriz tentou embargar a decisão, mas a Câmara Legislativa derrubou o veto do então governador do DF.

1993
O Bairro Telebrasília é criado, na QN 1 do Riacho Fundo. Aproximadamente 400 famílias se mudam para a região. Os moradores que continuaram na vila se mobilizam contra a transferência e movem ações na Justiça.

1998
É aprovado o primeiro projeto urbanístico da região. A Vila Telebrasília recebe rede de energia elétrica e saneamento básico.

2007
O GDF inaugura o asfalto das ruas, meios-fios e canteiros de grama da vila. A Praça da Resistência também é urbanizada. Ao todo, R$ 3,6 milhões foram investidos no local.

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: Lilian Becker
Parabéns aos moradores!!!! | Denuncie |

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