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MUNDO ANIMAL » Exemplar de bisão fêmea que vive no Zoológico de Brasília pode ser o mais velho da espécie Aos 30 anos de idade, Babalu, como o animal foi batizado ao chegar aqui, tem boa saúde, mas veterinários se preocupam, pois talvez não viva muito tempo

Luísa Medeiros

Publicação: 03/09/2009 08:08 Atualização: 03/09/2009 08:10

Babalu veio da Polônia com o nome de Atana, virou Olívia em São Paulo e, no DF, mudou novamente de identidade (Iano Andrade/CB/D.A Press )
Babalu veio da Polônia com o nome de Atana, virou Olívia em São Paulo e, no DF, mudou novamente de identidade
O bisão europeu mais velho do mundo é fêmea, tem 30 anos e mora no Zoológico de Brasília. Fora a artrose tratada com doses diárias de medicação, a bisão Babalu é saudável, ativa e tem um apetite de dar inveja a qualquer um mais novo de sua espécie. Segundo o zoológico, uma organização polonesa especializada em controlar a quantidade existente desse animal no planeta constatou, no fim de julho, que a jovem senhora é a representante mais antiga da espécie.

A notícia surpreendeu os veterinários do zoológico. Eles descobriram o recorde depois de entrar em contato com a European Bison Pedigree Book — publicação do Bialowieza National Park(1), na Polônia, que lista os exemplares de bisões em todo o mundo — para saber se Brasília poderia receber um novo casal da espécie. “Como Babalu já está meio velhinha e não sabemos quanto tempo ainda resta a ela, procuramos a organização, que tem o registro de todos os bisões no mundo. Pelo número de registro e as fotos que mandamos dela, os técnicos identificaram que Babalu é a mais velha do mundo e, provavelmente, a que mais viveu até hoje”, conta o veterinário do Zoológico de Brasília Thiago Luczinski.

As informações descobertas não se limitaram apenas aos anos vividos por Babalu. Os especialistas poloneses disseram que os chifres dela eram peculiares, diferentes da maioria dos representantes dos bisões — considerados os maiores mamíferos europeus. Os machos podem atingir 1,80 metro de comprimento e pesar quase 1 tonelada. A jovem senhora que mora na capital do Brasil segue a média de uma representante fêmea, que é um pouco menor e mais leve. O nome de nascimento de Babalu é outro: Atana. Quando ela foi trazida da Polônia ao Zoológico de São Paulo, foi batizada de Olívia. Ao chegar a Brasília, em 1992, algum funcionário quis dar ao animal o nome da música de Margarita Lecuona imortalizada pela voz da cantora Angela Maria.

De acordo com a veterinária do Zoo de Brasília, Cléa Lúcia Magalhães, Babalu se alimenta duas vezes por dia, de manhã e à noite. Ela não come nenhum tipo de carne, mas esbanja nas porções de capim, frutas, verduras e ração. Sobre as doenças típicas da velhice, a veterinária diz que a bisão fêmea só sente dores nas articulações e, por isso, toma remédio para melhorar a flexibilidade na hora de caminhar e de se levantar. Há dois anos, o animal vivia num recinto com um macho de sua espécie, mas, após a morte dele, Babalu divide o ambiente com um guanaco, animal típico da América do Sul que parece um lhama. “Apesar de serem de continentes diferentes, ambos são herbívoros e estão acostumados a viver em grandes grupos sociais. Nunca se estranharam e vivem pacificamente”, afirma Cléa Lúcia.

Última chance
Para quem nunca viu de perto um bisão, que é da família dos mamíferos ruminantes, a última chance de fazê-lo pode ser agora. Os veterinários do Zoo de Brasília não sabem quanto tempo Babalu irá viver mais, até porque a média de vida da espécie europeia é de 30 anos. E, por enquanto, não há previsões da chegada de um novo casal. Segundo Cléa Lúcia Magalhães, o governo federal precisa autorizar a entrada de qualquer animal estrangeiro no país — e, na Polônia atualmente há um foco da doença da vaca louca, as barreiras sanitárias brasileiras não permitiram a vinda dos bisões.

Ao descrever o animal, ela diz que o mamífero é uma mistura de boi e cavalo, com couro grosso, pelo espesso, juba e barba. “Antigamente, esses bichos eram caçados na floresta e serviam de alimento e o couro era usado na fabricação de tapetes”, explica, ressaltando que o maior predador sempre foi o homem. A impressão de ferocidade do bisão, agravada pelos chifres de ponta afiada e pelo semblante sisudo, só esconde a tranquilidade do animal, que não ataca se não for estimulado para tal.

Sem saber que estava diante do bisão mais idoso do mundo, o analista de sistemas Davi Jeronimo Corgosinho, 46 anos, levou as filhas Hara, 13, e Sara, de seis, para conhecer a representante Babalu. “Nunca tinha visto um de perto. Que bom que estamos tendo essa chance!”, disse Hara, entusiasmada. Preocupado com a extinção da espécie que ainda faz parte do Zoo de Brasília, o analista sugeriu: “Não seria possível fazer um clone da Babalu? Não fizeram da ovelha Dolly?”.

1 - Santuário do animal
Unidade de conservação na cidade polonesa de Bialowieza responsável pela sobrevivência dos últimos exemplares selvagens da espécie na Europa
Para saber mais
Presença ancestral

Durante milênios, o bisão foi animal mítico, caça e garantia de sobrevivência para o homem primitivo no Hemisfério Norte. Assim o atestam as pinturas rupestres encontradas em numerosas cavernas na Europa. O bisão constitui também um elemento-chave na cultura dos índios norte-americanos, que dele obtinham toda uma série de produtos básicos. Os bisões europeus vivem em grupos liderados por um macho adulto, mas os animais mais velhos podem viver isoladamente. A espécie tornou-se extinta na forma selvagem em 1919, mas foi introduzida na floresta da Bialowiesa e no Cáucaso. Atualmente, não existem mais do que 300 exemplares no estado selvagem.

Esta matéria tem: (2) comentários

Autor: Caroline Borges
É verdade Magda. Eles se dedicam e se empenham cada vez mais. É muito bom saber que eles estão sendo bem cuidados. | Denuncie |

Autor: Magda
É muito bom saber disso, pois o Zoo de Brasília é maravilhoso e demonstra a dedicação de toda equipe que lá trabalha. É um passeio agradável que nos faz esquecer a violência que enfrentamos aqui fora. | Denuncie |

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