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Centro de atenção à saúde do adolescente comemora 11 anos

Publicação: 18/09/2009 13:57 Atualização: 18/09/2009 14:10

As reclamações das professoras da escola eram constantes. As frases mais ouvidas por Raquel Siqueira de Araújo, 43 anos, eram "sua filha não termina os exercícios", "ela não copia as tarefas", "é desatenta e esquecida", além do baixo desempenho nas avaliações escolares. Mesmo resistente em admitir que a filha era uma criança especial, Raquel resolveu procurar ajuda. Foram anos de luta que incluiram idas ao neurologista e mudança de escola.

 (Iano Andrade/CB/D.A Press   )
Luanna Siqueira de Araújo, 17 anos, foi diagnosticada com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) quando cursava a 5ª série do Ensino Fundamental. Veterana – como ela gosta de se definir – do Centro de Referência, Pesquisa, Capacitação e Atenção ao Adolescente em Família (Adolescentro), que nesta sexta-feira (18/9) completa 11 anos, a menina conta que derramou muitas lágrimas até apreender a lidar com a diferença.

"A bomba estourou quando Luanna chegou da escola chorando. Me lembro como se fosse hoje. Ela escorregou atrás do sofá olhando para mim e disse: 'Mãe, me ajuda'", emociona-se Raquel. Na mesma semana, ela procurou a direção da escola em busca de ajuda, mas se decepcionou: "O diretor foi bem claro. Ele disse: 'Tenho 500 alunos e não tenho como tratá-la diferente. Ou ela se enquadra ou...", lembra a mãe. Raquel cogitou tirá-la da escola e ensiná-la em casa. "Foi quando deixei de acreditar na educação."

Desapontada, Raquel matriculou a filha em uma escola particular, perto de casa, e a levou a um neurologista. "O tratamento se resumia a consultas e idas à farmácia. Foi quando uma colega do meu trabalho falou do Adolescentro", conta. A menina chegou ao centro em abril de 2006. "Não acreditava que minha filha poderia ser uma adolescente saudável. No Adolescentro, consegui separar minha filha e o problema dela".

Em lágrimas, Luanna recorda o primeiro dia de tratamento. "Fui acolhida por sete médicos. Um deles me disse: 'Você não nadou até aqui para morrer afogada, né?'", conta.

Depois de quase quatro anos de tratamento, a garota recebeu alta. "Antes eu pensava: não sou a filha que minha mãe tem orgulho. Agora, já penso em uma próxima reportagem no jornal: 'Luanna passa em primeiro lugar no vestibular da UnB'". A garota quer ser advogada.

Tal mãe, tal filha

Raquel se descobriu no Adolescento durante tratamento da filha (Iano Andrade/CB/D.A Press  )
Raquel se descobriu no Adolescento durante tratamento da filha
Durante o tratamento da filha, Raquel também se descobriu. Única menina de quatro irmãos, ela apanhou muito quando criança. "Eu era muito falante, agitada, impulsiva e meu pai não esperava isso. Ele queria uma menina de saia e bem comportada", conta.

Após seis anos tomando remédio para depressão, foi no Adolescentro que a mãe de Luanna também identificou o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). "Há pouco tempo, no meu trabalho, outras cinco pessoas também foram diagnosticadas com TDAH. A saúde se voltou só agora para isso. Muitos pais ainda punem os filhos ao invés de tratá-los".

 

Terapia

O Adolescentro funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, na 605 Sul. A equipe é formada por médicos hebiatras, ginecologistas, neuro-pediatra, psiquiatra, psicólogos, enfermeiros, dentistas e assistente social. São atendidos adolescentes e famílias em situação de violência sexual, uso de drogas e que apresentam Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A instituição ainda oferece acompanhamento psicoterápico e clínico.

A partir das 14h desta sexta-feira (18/9), haverá atividades culturais no centro, com apresentações musicais, teatro e artes plásticas, em comemoração ao 11º aniversário.

Saiba mais

Luanna, com os pais Raquel e José Omar de Araújo (Iano Andrade/CB/D.A Press  )
Luanna, com os pais Raquel e José Omar de Araújo
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

Esta matéria tem: (4) comentários

Autor: cristiane souza
Olá, bom dia? Gostaria de saber como e onde posso encontrar essa equipe medica aqui em minha cidade,pois a minha filha tem 9 anos e tem todos esses problemas e atitudes.Pois,preciso muito dessa ajuda.Os professores dessa escola até destratam ela por esse mau desempenho e ela se sente excluida! | Denuncie |

Autor: Rachel Araújo
Esta é uma matéria que deveria ser divulgada amplamente para comunidade em geral pois temos na saúde pública um atendimento de excelência e profissionais super qualificados e principalmente "humanos" em uma sociedade desumanizada pelo capitalismo. Parabéns a toda equipe do Adolescentro! | Denuncie |

Autor: ROGERIO CRUZ
Rogerio,Fernanda,Helena e Cecilia, parabenizam o "adolescentro" por esse trabalho, competente, generoso, profissional, delicado, científico, educativo, social, humanitário,.....que realizam. O trabalho que realizam deveria ser modelo para toda a rede pública de saúde do DF. mais uma vez Parabéns! | Denuncie |

Autor: Hildo Evaristo
Familia sempre será o veiculo de trasformação de uma sociedade salutar. | Denuncie |

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