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ANIVERSÁRIO » Paranoá completa 52 anos Moradores festejam aniversário da vila que nasceu antes de Brasília e lembram os tempos difíceis, sem infraestrutura, em que tinham de buscar água no lago

Gustavo Marcondes

Publicação: 26/10/2009 08:54 Atualização:

Mais antiga que Brasília. Esse é um orgulho que poucas cidades no Distrito Federal podem ter e que foi festejado ontem no Paranoá, que completou 52 anos de fundação. Das dezenas de trabalhadores que chegavam à futura capital para ajudar na construção da barragem do lago aos mais de 63 mil habitantes que hoje povoam a sétima região administrativa do DF, quase tudo mudou, menos a união e o brio das pessoas que passaram por muitas dificuldades para ter hoje um lar.

[FOTO2]Para celebrar tanta história, a administração local preparou uma grande festa no último fim de semana. Com direito a um bolo de 52 quilos, um para cada ano de existência da cidade, que foi rapidamente devorado. Como presente de aniversário, a população ganhou desfile cívico, atendimento odontológico, feira ao ar livre e dois dias de shows em um palco construído na Praça Central.

As crianças se esbaldaram com as apresentações teatrais na Tenda de Leitura, que levou o projeto Mala do Livro às celebrações do Paranoá. A pequena Mariana da Silva, de 10 anos, não tirou os olhos do Anjo da Leitura, personagem sobre pernas de pau que comandou as atividades lúdicas do espaço. Fanática por livros, Mariana deixou a timidez de lado e até mesmo leu um poema de Vinicius de Moraes na frente de todos.

“Está muito bonita a festa. Viemos pelo atendimento do dentista, mas vamos ficar para todas as atividades”, disse a dona de casa Maria Cristiane dos Santos, de 38 anos, que acompanhava os filhos Camily, de 6, Vitor Hugo, 8, e Débora, 11, nas atividades da Tenda do Livro. Vinda de Parnaíba, no Piauí, Maria Cristiane chegou ao Paranoá em 1991 em busca de emprego. Tempo para ver a cidade, que acabava de ganhar nova localização — deixou de ser um acampamento com pouquíssima infraestrutura para se tornar uma cidade com um dos comércios mais prósperos do Distrito Federal.

Na mesma época chegou ao Paranoá Rita Maria de Farias, de 38 anos, com um filho de 4 anos no colo e aos nove meses de gravidez. “Cheguei à cidade no dia 16 de janeiro e meu segundo filho nasceu no dia 29”, relembra. Na época, o assentamento havia sido recém-criado para substituir a Vila Paranoá original, depois chamada de Paranoá Velho, ainda era “coberto de barro”. Apenas nessa época é que a cidade ganhava os limites que tem hoje.

“Foi muito difícil o começo de vida na cidade. Todos moravam em barracos de madeira e tínhamos pouca estrutura”, conta Rita Maria. “A cada ano foi melhorando e hoje todos temos orgulho de chamar o Paranoá de nossa casa”, completa.

Pioneira

A faxineira Maria Antônia chegou à vila em 1968: %u201CAmo o meu Paranoá (Pedro França/D.A Press)
A faxineira Maria Antônia chegou à vila em 1968: %u201CAmo o meu Paranoá
Alguns moradores, no entanto, têm histórias para contar das duas grandes etapas da história do Paranoá. É o caso da faxineira Maria Antônia dos Santos, de 69 anos, que chegou à cidade em 1968 vinda de Januária, em Minas Gerais, para trabalhar cozinhando para os pedreiros que ainda povoavam a recém-nascida Brasília. “Levava o almoço para os operários que estavam construindo o Gilberto Salomão e vinha dormir na Vila Paranoá”, conta.

A Vila, na época, estava localizada no que hoje é o Parque Urbano e Vivencial(1) do Paranoá. “Tinham poucos barracos naquela época. Para buscar água tínhamos que descer a pé ao lago com dois baldes no ombro e voltar carregando todo aquele peso”, relembra Maria Antônia. “Só depois é que meu marido construiu uma cacimba para reservar um pouco da água.”

Mesmo depois da substituição da Vila Paranoá para a atual localização da cidade, as dificuldades continuaram. Apesar disso, Maria declara: “Amo o meu Paranoá”. Para ela e muitos outros pioneiros, valeu a pena acompanhar o crescimento desse vizinho mais antigo que Brasília.

1 - Parque Urbano e Vivencial
Após a transferência do antigo acampamento da Vila Paranoá para a atual localização da cidade, o local original tornou-se área de preservação ambiental, o Parque Urbano e Vivencial. Ficaram algumas estruturas públicas, dentre elas a caixa d’água e a escadaria da Igreja São Geraldo, construída em 1957 — a segunda igreja mais antiga do DF — tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico em 1993 e demolida em 2005 por problemas estruturais.

PARA SABER MAIS
O Paranoá nasceu com a chegada dos primeiros trabalhadores para as obras da Barragem do Lago. Assim, em 1957 foi inaugurada a Vila Paranoá para abrigar os operários. Após a inauguração da nova capital, em 1960, os pioneiros permaneceram no local devido à necessidade de conclusão das obras da usina. Naquela época, o acampamento abrigava cerca de 3 mil moradores em 800 barracos. A Região Administrativa do Paranoá foi criada em 10 de dezembro de 1964, mas somente em 1989 se delimitaram os novos limites da sétima região administrativa do DF. Neste ano, iniciaram-se a transferência e o assentamento definitivo do Paranoá atua

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