A chegada da temporada de chuvas agrava ainda mais um problema antigo do Distrito Federal: as falhas no sistema de distribuição de energia elétrica. Com uma rede defasada e carente de modernização, qualquer raio é suficiente para deixar várias regiões às escuras. O alvo mais recente desse gargalo é o Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA). Desde a semana passada, foram registrados vários apagões, que trouxeram prejuízos milionários aos empresários. Os problemas técnicos da Companhia Energética de Brasília (CEB) podem custar caro à empresa. Este ano, só até abril, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) multou a empresa em R$ 4 milhões por problemas como o descumprimento de metas.
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| Luza ficou sem luz: "Não dá para fazer nenhuma venda, porque é impossível emitir até nota fiscal" |
A CEB reconhece os problemas do sistema e garante que já está investindo alto para melhorar a situação. Só em 2010, serão inauguradas duas novas subestações, que devem aliviar um pouco os cortes de energia. A situação atual da rede elétrica da capital federal é fruto de décadas de descaso e baixos investimentos dos governos passados. Aparelhos como transformadores estão obsoletos: muitos são os mesmos desde a época da construção de Brasília. A utilização de redes subterrâneas é a melhor opção para evitar eventos como raios e quedas de galhos. Mas, como os cabos em grande parte da cidade são velhos, é demorado e complicado sanar problemas pontuais quando há interrupção dos serviços.
Com o crescimento rápido da cidade e com o surgimento de centenas de condomínios irregulares e de novos setores, seria preciso um investimento alto para que o sistema elétrico acompanhasse o ritmo de aumento populacional. De acordo com a CEB, era necessário destinar pelo menos R$ 120 milhões todos os anos para adequar as redes à nova realidade urbana. “Mas, na última década, houve ano em que a CEB investiu menos de R$ 20 milhões. A falta de investimentos acabou represada, causando os problemas que enfrentamos atualmente”, justifica o diretor de Operação e Manutenção da CEB, Hamilton Naves.
Curto prazoEnquanto os gastos com a ampliação da rede de distribuição foram ínfimos nas últimas décadas, a CEB focou seus investimentos na geração de energia. Para garantir luz para todos os brasilienses, foram gastos R$ 600 milhões com Corumbá IV. A CEB também ajudou a financiar parte dos R$ 340 milhões necessários para colocar em funcionamento a usina de Corumbá III, que no mês que vem começa a fornecer energia para Brasília.
O diretor da CEB Hamilton Naves lembra que é impossível mudar a situação do sistema a curto prazo. “Obras de grande porte demoram pelo menos três anos e os resultados delas não são imediatos. Depois, ainda é preciso fazer o remanejamento das linhas de distribuição”, destaca Hamilton. “Tivemos que reverter uma situação de endividamento da empresa e recuperar o sistema dos investimentos que deixaram de ser feitos. Nos últimos três anos, investimos mais de R$ 120 milhões por ano”, acrescenta o diretor.
Duas das principais obras inauguradas pelo atual governo para tentar reverter o caos no sistema elétrico foram as subestações do Sudoeste e de Águas Claras. Os dois bairros, ambos criados há mais de 15 anos, ainda dependiam de cidades vizinhas para garantir luz aos seus moradores. Com as inaugurações, foi possível tirar a sobrecarga das subestações de Taguatinga e de Brasília.
Outra novidade que vai contribuir para a melhoria dos serviços prestados pela CEB é a construção da subestação de Mangueiral, próximo a São Sebastião. Prevista para ser inaugurada no mês que vem, ela vai garantir energia para a região dos condomínios do Jardim Botânico e do São Bartolomeu, justamente novas ocupações que surgiram sem a devida ampliação do sistema de distribuição.
Quem é atingido diretamente pelos cortes recorrentes de luz tem dificuldades para compreender as cifras e os dados divulgados pela CEB. No SIA, a revolta com relação aos apagões é grande. Ontem de manhã, enquanto a reportagem do Correio entrevistava empresários e funcionários do setor, a luz acabou mais uma vez. “Não dá para fazer nenhuma venda, porque é impossível emitir até nota fiscal. É revoltante, porque os funcionários ficam parados e os prejuízos são grandes”, reclama a comerciante Luza Rodrigues, que trabalha na Quadra 5 do SIA.
» O que já foi feitoConfira os investimentos realizados pela CEB» Inauguração da subestação de Águas Claras, que tirou a sobrecarga sobre o sistema de Taguatinga;
» Construção da subestação de Mangueiral, que será inaugurada no mês que vem. A obra vai aliviar as subestações do Lago Sul e de São Sebastião, além de garantir energia para a região dos condomínios do Jardim Botânico e do São Bartolomeu;
» Investimentos para melhoria das subestações de Planaltina e Sobradinho, com a compra de equipamentos;
» Ampliação da capacidade da subestação do Gama.
Previsão para os próximos anos» Compactação da rede elétrica aérea, para deixá-la mais moderna e menos suscetível à queda de galhos ou de raios.
» Construção da subestação do Vale do Amanhecer com dois transformadores, prevista para janeiro do ano que vem.
» Lançamento das obras da subestação de São José, na região rural do PAD-DF, próximo à saída para Unaí. A inauguração deve ocorrer no segundo semestre do ano que vem.
» As subestações da Estrutural e do Núcleo Bandeirante estão entre os planos da CEB, mas ainda não há previsão de lançamento das obras.
» Análise da notíciaHerança do abandonoCada vez que precisa acionar um interruptor ou ligar um eletrodoméstico na tomada, o brasiliense sofre os efeitos de anos e anos de descaso. No fim da década passada e no início desta, a CEB conviveu com baixos níveis de investimento. Por ano, a companhia aplicava entre R$ 20 milhões e R$ 40 milhões. O problema é que a maior parte desses recursos eram destinados à geração de energia, em detrimento da distribuição.O resultado não poderia ter sido outro.
A rede de distribuição de energia se tornou incompatível com o tamanho do Distrito Federal, e os apagões começaram a pipocar. Agora, a companhia tenta correr contra os anos de atraso. Entre 2007 e 2008, os investimentos somaram R$ 200 milhões. Até 2010, serão mais R$ 240 milhões. Resta saber se esse volume de recursos será suficiente para reduzir a onda de apagões.
Esta matéria tem: (21) comentários
Autor: marcello rocha
Poderiam vender a CEB pra alguma empresa particular, demitir os engenheiros elétricos que não tem competência para resolver esses problemas e contratar alguém que realmente saiba dar à população o tratamento que ela merece, fora que o 0800 da CEB nunca atende, agora cortar energia eles são bons.... | Denuncie |
Autor: fabricio Feitosa
...inclusive o principal objetivo era o de melhorar a qualidade da luz oferecida e principalmente o abastecimento pleno em todo o DF com preços bem abaixo dos que são cobrados hoje. Infelizmente alguns "bons" políticos preferem o ver o povo sem luz!!! | Denuncie |
Autor: fabricio Feitosa
Só gostaria de lembrá-los que a solução não é simplesmente privatizar, pois a CEMIG em Minas é a melhor empresa de abastecimento de energia do país e é controlada majoritariamente pelo governo. Há alguns meses a CEMIG estava com tudo pronto para comprar a CEB e transferir tecnologia para a CEB... | Denuncie |
Autor: MARCIA
Nos condomínios do Jardim Botânico quase todos os dias falta luz. Com ou sem chuva! Tirando poste que algum motorista (???) derruba de vez em quando (e aí a CEB não tem culpa), ou raios, os problemas são sempre da rede. Ontem, às 22h30, foram fazer um "reparo". Brincadeira!!!!! | Denuncie |
Autor: Comentarista Brasileira
Se alguém quiser dar uma chegadinha no site da CEB: lá tem os lugares onde vai faltar luz em algum dia, durante quanto tempo. Acompanhem todo o dia e vejam a freqüência com que falta luz em quais lugares... Quase 'rotatividade' de luz... Rá... | Denuncie |
Autor: Jailton Farias
Saúde pública, violência,transporte público,metrô... e agora apagão... qual será o proximo problema que vai aparecer em Brasília?Ainda tem gente que apóia esse governo.... | Denuncie |
Autor: Antonio
Caro Salomão Freitosa, Brasília "foi" planejada. Depois "destruíram o planejamento" da cidade. Os Governantes são mandatários do povo, ou seja, a sociedade de Brasília quem destruiu o planejamento. Agora, resta é acompanhar o desenvolvimento com melhorias. Somos uma sociedade passiva. | Denuncie |
Autor: Antonio
Em minha casa tive que criar um plano B quando falta luz. Comprei um inversor ligado a bateria para que eu pelo menos me veja em casa. Cadê a ANEEL com seus servidores muito bem remunerados para acompanhar e cobrar melhorias na CEB??? | Denuncie |
Autor: Antonio
Sou brasiliense, tenho 35 anos e desde que me conheço como gente, a CEB sempre teve esses problemas. Quanto aos condomínios Irregulares citados, todos pagam taxa de iluminação pública, inclusive todos os moradores. Ou seja, paga o condômino E O morador. Falta mesmo é vergonha na cara dos dirigentes. | Denuncie |
Autor: Guilherme Aires
Dagmilson, é isso ai !!! Privatização dos serviços públicos já!!!!! O governo ja provou várias vezes ser incopetente em servir a população. | Denuncie |
Autor: JOSÉ FERNANDES
Caros leitores do Jornal Capital, A situação como dizia o filósofo: "Está feia, está de vaca não conhecer bezerro". Pasmem, as minhas expectativas eram de que a água faltaria primeiro, pois estamos destruindo as nascentes. Com apagão, não tem saúde não tem educação, não tem produção. Um abraço. | Denuncie |
Autor: Alexandre S.
Tudo na CEB é caótico, incluindo o atendimento . . . demoram pelo menos 2h para atender quando há uma queda de energia isolada ... | Denuncie |
Autor: SALOMÃO FEITOSA
Lembrem-se que a capital federal do país foi planejada para ter uma população de 500 mil habitantes no ano 2000 e agora ja somos quaze 2.500.000 habitantes, tudo isso contribui para a piora na qualidade dos serviços oferecidos a população. | Denuncie |
Autor: Dagmilson
O senhor Roberto, deixa de ser idiota, se não tem coisa melhor para falar, cala essa boca. O problema é que a CEB não foi privatizada, se fosse, ela já teria entrado na linha e feito os investimentos necessários. assim como está é um cabide de empregos que os políticos querem manter. | Denuncie |
Autor: André Seve Gomes
Fico de cara com cada comentário idiota que surge nas matérias...impressionante, hein?:!! | Denuncie |
Autor: Manoel Filho
A rede elétrica do DF é antiga e precária. O governo deveria ter investido em modernização há muito tempo, mas transformador novo ninguém nota. Viadutos (Roriz) e duplicação de vias (arruda) é vista pelos eleitores. Usina sem redes elétricas eficientes são inúteis. E a energia só aumenta!!! | Denuncie |
Autor: Celia Figueiredo
Não resolve cortar a energia de Condomínios e dos Edifícios de Águas Claras não meu Senhor,o que resole mesmo é a CEB investir e melhorar a transmissão de enregia. | Denuncie |
Autor: Roberto
Será que alguém ainda acredita nessa ladainha: "o problema é que os governos passados não fizeram os investimentos necessários"...? Cortem a energia dos condomínios irregulares e dos edifícios de Águas Claras com mais andares do que o permitido e verão como a coisa melhora muito! | Denuncie |
Autor: thiago lopes
A Ceb é uma porcaria, o serviço de atendimento por telefone deles são um dos piores... a ceb é uma vergonha para o DF. | Denuncie |
Autor: Lúcio Costi Ribeiro
No Lago Norte, aos primeiros pingos de chuva, já se sabe: vamos ficar sem luz! No último domingo, a treva se antecipou. As luzes se apagaram e, alguns minutos depois, começou a chover!! | Denuncie |
Autor: rosa besoain
Quem mora no Park Way, sofre muito, pois não pode começar a trovejar que a luz apaga. Cai muito raio e apaga a energia. Seria bom a CEB Instalar Pára-Raios. O que evitaria prejuízos e acidentes. Já perdi vários eletrodomésticos e tive muitos prejuízos. É muito burocrático . | Denuncie |