POLÊMICA

Sudoeste protesta contra festas nos estacionamentos do Parque da Cidade

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postado em 05/11/2009 08:05 / atualizado em 05/11/2009 08:43

Luiz Calcagno

Festas no estacionamento 4 do Parque da Cidade, na altura do Centro Hípico, têm tirado o sono de moradores das Quadras 100, 101, 102 e 103 do Sudoeste. Sem organização aparente, os encontros são realizados nos fins de semana, com carros de som ligados no volume máximo e bebida alcoólica. Segundo moradores, muitas vezes a algazarra começa por volta das 23h de quinta-feira e vai até domingo. Vidros de janela chegam a tremer com a altura dos ruídos. Para lidar com o problema, moradores se organizaram e fizeram um abaixo-assinado, que conta com mais de 150 assinaturas, para exigir uma iniciativa de autoridades. A administração do parque foi procurada, bem como a de Brasília e o 1º Batalhão da Polícia Militar, mas nada aconteceu.
Paulo de Araújo/CB/D.A Press


A advogada Nathalia Waldow, 25 anos, moradora do Bloco H da SQSW 102, é uma dos responsáveis pelo abaixo-assinado. Ela conta que tem gravações de áudio em celular de festa às 5h da manhã. E, no fim de semana prolongado pelo Dia de Finados, não foi diferente. “Fiquei aborrecidíssima. Entrei em contato com o 1º Batalhão na noite de domingo para segunda e um sargento me disse que se tratava de som ambiente e que minhas reclamações não tinham pertinência”, lamenta.

Empenho
Nathalia ressalta que a Administração do Sudoeste está empenhada em solucionar o problema, mas acredita, no entanto, que o maior responsável pelo problema é o administrador do parque, Rivaldo Sérgio Carvalho, a quem chama de conivente. “Eles não acionam a polícia e a própria fiscalização deles não faz nada. O administrador chegou a dizer em entrevista a um canal de tevê que não sabia do problema, quando moradores já tinham mandado até carta para ele”, alega

Um morador que chegou a filmar e fotografar festas para enviar como provas às autoridades tem medo de aparecer. Segundo ele, com a desativação do bar Barulho, que ficava próximo ao Carrera Kart, a clientela teria migrado para o estacionamento 4. Para o denunciante, os encontros, que já foram recorrentes no ano de 2007, também servem como pontos de uso de drogas. “Já presenciei, inclusive, crianças de colo e até bebês nesses ambientes. Em março, expus a situação à Administração de Brasília e ao comandante do 1º Batalhão. Não recebi nenhum telefonema como resposta”, protesta. “Imagino o tipo de pessoa que frequenta essas festas no estacionamento. Tenho nome, endereço e família e não quero me expor a pessoas de índole desconhecida. Não sei qual será a reação delas quando essas festas acabarem de vez”, completa.

Dentre as soluções pensadas pelos moradores estão até mesmo o fechamento do parque, que a maioria concorda ser uma questão polêmica. Outra ideia seria fechar apenas os estacionamentos, da meia-noite às 5h, para que não houvesse como estacionar os carros para os encontros. As festas não têm alvará. A dona de casa Édina de Freitas, 54 anos, acha que fechar os estacionamentos pode ser uma boa solução. “Algumas vezes, essas pessoas não perdoam nem a segunda-feira”, reclama. O apartamento de Édina fica de frente para o estacionamento. Ela conta que, dependendo do dia, dorme na sala ou em outro quarto para amenizar a intensidade do barulho.


» Local pode ser fechado

No fim de semana prolongado pelo Dia de Finados, a algazarra e a bagunça marcaram presença novamente, mesmo com as administrações e a Polícia Militar cientes do fato. O administrador do Sudoeste, Nilo Cerqueira, explica que tomou a frente do problema, mesmo com o Parque da Cidade fora de sua jurisdição. A administração se reuniu ontem com o secretário de Estado da Ordem Pública e Social , Roberto Giffoni. “Estamos tratando esse assunto com o conselho comunitário de segurança. A ideia de fechar os estacionamentos é boa. É preciso uma grande operação para coibir essas reuniões e, em seguida, realizar uma manutenção para garantir que elas não retornem ao parque”, disse Giffoni.

Procurada pelo Correio, a administradora de Brasília, Ivelise Longhi, limitou-se a dizer que os estacionamentos do Parque da Cidade são públicos e de livre acesso. Ainda segundo ela, as equipes de fiscalização do local, popularmente conhecidas como joaninhas, não têm poder de polícia e cuidam apenas do patrimônio. “Quando eles flagram festas, não podem agir. Quando o barulho é muito alto ou há algum perigo, eles entram em contato com o posto policial do parque, já que é a Polícia Militar que tem que intervir”, afirmou. Ainda segundo a administradora, assim como as pessoas se reúnem no estacionamento do parque, poderiam se reunir em uma área residencial.

Abordagem
O coronel Alberto Pinto explicou à reportagem que a Polícia Militar aborda quem realiza festas no estacionamento do Parque da Cidade e as notifica quando há necessidade. “Mas precisamos que o reclamante acompanhe a PM até a Delegacia de Polícia da região para resolver a questão. Temos um posto no parque que atua com viaturas, motocicleta e policiais descaracterizados”, garantiu.

O secretário Roberto Giffone se mostrou ciente do problema. “Já montamos uma ação com a PM para impedir que esses eventos se repitam. Se não adiantar, teremos que analisar outras alternativas. Por enquanto, não queremos impedir o acesso. Primeiro, é preciso orientar que o tipo de atitude está incomodando pessoas. A questão de fechar os estacionamentos terá que ser vista com a Administração de Brasília e os moradores do Sudoeste”, concluiu.

» O QUE DIZ A LEI
A Lei Distrital nº 4.092/08 considera poluição sonora qualquer emissão de ruído que possa ser nocivo à saúde, ao bem-estar e à coletividade. Além disso, a regulamentação limita os níveis de intensidade do som para cada área da cidade e define que estabelecimentos com nível de pressão sonora acima de 80 decibéis avisem a clientes sobre danos à saúde. Dentre outras coisas, a lei proíbe carros de som em áreas residenciais ou escolares e exige o isolamento acústico para casas noturnas. A multa para quem desrespeita a norma varia de R$ 3 mil a R$ 20 mil. A pessoa notificada ainda pode ser presa por crime de desobediência caso insista em manter o som acima de um nível aceitado para sua região.

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