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Frequentadores da Água Mineral se dividem sobre mudança no preço do ingresso

Órgão de defesa do consumidor questiona correção

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postado em 10/01/2010 08:10

Diego Amorim

Hoje (10/1), domingo com previsão de sol, é o último dia para curtir as piscinas da Água Mineral, no Parque Nacional de Brasília, pelo preço de R$ 3. A partir de amanhã, o valor dos ingressos sobe para R$ 6, de acordo com determinação do Ministério do Meio Ambiente. Ontem, sob um calor de quase 30º C, cerca de 2,7 mil pessoas visitaram o local até o início da tarde. O Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec) questiona a nova tabela(1) de preços e define esta semana se entra na Justiça contra a medida. A direção do parque alega que há 12 anos não havia reajuste.

Nos fins de semana, quando a lotação é de 3 mil pessoas, a fila de carros à margem da Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia) começa a se formar antes mesmo das 8h. O presidente do Ibedec, José Geraldo Tardin, teme que o aumento de 100% no valor dos ingressos prejudique a população do Distrito Federal. “Parece algo meramente arrecadatório. Queremos saber como se chegou a esse novo valor”, disse Tardin. Até a próxima quarta-feira, a entidade decide se entra ou não com uma ação civil pública no Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT).

Enquanto técnicos do Ibedec estudam o caso, frequentadores do parque debatem os prós e os contras da medida. “Quase ninguém vem sozinho ao parque. O aumento não vai ser só de R$ 3”, observa a enfermeira Nívea Cristina Souza, 33 anos. “Não é bom pagar mais, claro. Mas, se for para melhorar a estrutura do parque, pode até valer a pena”, pondera sua amiga, a também enfermeira Elizabete Santos, 27, acompanhada do casal de filhos: Wanderson, 11, e Ingrid, 9. Moradores de Taguatinga Norte, eles conseguiram entrar no parque ontem às 9h30, após uma longa fila.

A diretora da unidade de conservação, Maria Helena Reinhardt, reconhece que a Água Mineral é uma das principais áreas de lazer do DF e que o aumento causará desconforto. No entanto, ela defende a necessidade do reajuste. “Não queremos lucro, mas precisamos garantir recursos para manter o parque funcionando”, argumenta. Já a presidente da Associação dos Amigos do Parque Nacional de Brasília, Silvia Nogueira, acha o aumento abusivo. “Os preços vão dobrar da noite para o dia. Sabemos que o parque precisa de mais verbas, mas não dessa forma.”

Sempre que vai à Água Mineral, a dona de casa Maria de Fátima Gomes de Oliveira, 27, convida as amigas. Ontem, 10 pessoas estavam no grupo que saiu cedo do Cruzeiro Novo. “Vai ficar muito caro. Infelizmente, vamos ter que vir menos vezes, pois não temos condições de pagar o dobro toda semana”, disse. Com a mudança de preços, crianças com até 12 anos não pagarão para entrar. O reajuste na cobrança dos ingressos foi determinado pela Portaria nº 366, de 7 de outubro de 2009, cujos efeitos se estendem a outros 16 parques nacionais, além de três florestas e duas reservas extrativistas.


1- Acesso diferenciado
O Ibedec também é contrário à diferença de preço para estrangeiros e brasileiros. “Isso é discriminação”, definiu o presidente da entidade, José Geraldo Tardin. A direção do parque explicou que os ingressos dos brasileiros são mais baratos para incentivar a visitação.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

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