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VILAS OLÍMPICAS

GDF constrói 20 vilas olímpicas em regiões administrativas do DF

Cada uma tem 12 equipamentos, para atender escolas públicas e moradores

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postado em 26/01/2010 08:47 / atualizado em 26/01/2010 08:56

Juliana Boechat

Kleber Lima/CB/D.A Press
Espelhado em casos de sucesso do estado do Rio de Janeiro, o Governo do Distrito Federal (GDF) está construindo 20 vilas olímpicas em várias regiões administrativas para a prática de esporte e lazer das comunidades. A iniciativa carioca existe há quase 10 anos. O retorno positivo dos moradores de algumas regiões carentes mostra que a ideia deu certo e pode ser replicada Brasil afora. No Rio, são oito vilas. No DF, os centros esportivos estão previstos em 10 cidades, sendo que algumas delas terão mais de uma vila. Todas seguirão o mesmo padrão, com tamanhos diferentes dependendo da necessidade da região. São 12 equipamentos esportivos — entre piscinas, quadras de atletismo, campos de futebol e ginásios cobertos. Durante a semana, alunos das escolas públicas terão aulas de educação física e do ensino integral ali. Aos fins de semana, a vila ficará liberada à população.

Cada complexo esportivo custará R$ 8 milhões aos cofres públicos. A manutenção mensal, na faixa de R$ 300 mil, ficará a cargo de organizações não-governamentais (ONGs) interessadas. Das 20 vilas, apenas a de Samambaia está pronta para uso. Inaugurada em 16 de outubro de 2009, a Vila Rei Pelé, batizada em homenagem ao Rei do futebol, atenderá a 4 mil alunos das escolas públicas da região. O espaço conta com duas piscinas semiolímpicas, duas quadras poliesportivas, um campo de futebol de grama sintética, uma quadra de tênis, uma pista de atletismo e equipamentos para musculação e caminhada. Aos sábados e domingos, as famílias ainda poderão aproveitar as áreas de churrasqueiras. A gestão dessa vila está por conta do Instituto Amigos do Vôlei, criado pelas jogadoras Leila Barros e Ricarda Negrão.

A vila de Ceilândia, na altura da QNN 9, será inaugurada em abril. O complexo contará com o sistema de utilização de energia solar. Instalado sobre o prédio da administração da vila, um painel de células fotoelétricas garantirá o aquecimento das três piscinas — duas semiolímpicas, com adaptações para pessoas com deficiência, e uma infantil. O complexo também contará com um ginásio coberto, um campo de futebol com grama sintética, uma pista de atletismo com área para prática de saltos em distância, em altura e com vara. Skatistas poderão praticar o esporte radical nos circuitos inspirados nas ruas. Ceilândia ainda contará com uma minivila olímpica, que não tem piscina nem pista de corrida. E com uma parceria do governo local com a Caesb da Vila Golfinho, voltada principalmente para esportes aquáticos.

Em São Sebastião, os trabalhos também estão avançados. A área das piscinas está praticamente pronta, com os tanques cheios de água. Os galpões estão erguidos e compostos dos equipamentos esportivos. O campo de futebol está com a grama plantada esperando apenas as marcações de cal. Faltam apenas os detalhes finais para a abertura dos portões, como, por exemplo, o emborrachamento da pista de atletismo. Segundo o secretário de Obras, Jaime Alarcão, metade da vila de Santa Maria está pronta. Montes de terra vermelha ainda se acumulam dentro da área reservada para o complexo. Mas ele garante que esta será uma das vilas inauguradas até 21 de abril.

50 anos de Brasília

Dos 20 complexos esportivos previstos, um está concluído e outros seis, em andamento. Segundo Alarcão, 50% das vilas olímpicas estarão prontas para o aniversário de 50 anos de Brasília, em abril deste ano. As outras 10 deverão ser entregues até o fim de 2010. Algumas vilas ainda passam pelo processo de licitação. Outras esperam o início das obras pelas empresas vencedoras, já com o terreno definido e as demarcações feitas. Serão construídas as vilas olímpicas, com uma área média de 20 mil m², e as minivilas olímpicas, com terrenos menores. Cada uma será erguida por uma empresa diferente.

Até então, os alunos das escolas públicas contavam apenas com a infraestrutura da escola para as atividades de educação física ou do ensino integral. Na maioria dos casos, as opções eram restritas a uma quadra poliesportiva coberta. “O objetivo maior é agregar o esporte à educação. Quando nós descobrirmos estes talentos, levaremos os atletas ao centro de excelência que está sendo revitalizado próximo ao Ginásio Nilson Nelson e ao Estádio Mané Garrincha”, explicou o secretário de Esportes, Aguinaldo de Jesus. Ele ressaltou ainda que, para ganhar o direito de administrar uma vila, a empresa ou ONG interessada deverá cumprir os requisitos necessários. “As do Rio de Janeiro que ficaram na mão da prefeitura ficaram detonadas. As que estão nas mãos da iniciativa privada estão andando a todo vapor. Mas precisam de fiscalização”, completou.

Cidades que terão Vilas Olímpicas

Ceilândia - duas vilas olímpicas e
uma minivila ainda em fase de análise
Samambaia - uma vila olímpica
São Sebastião - uma vila olímpica
Santa Maria - uma vila olímpica
Brazlândia - uma vila olímpica
Recanto das Emas - uma vila olímpica
Planaltina - uma vila olímpica
Estrutural - uma vila olímpica
Gama - uma vila olímpica
Cruzeiro - uma vila olímpica
Itapoã - uma vila olímpica e uma minivila olímpica
Taguatinga - uma vila olímpica e uma minivila olímpica
Riacho Fundo 1 - uma vila olímpica
Riacho Fundo 2 - uma vila olímpica
Núcleo Bandeirante - uma vila olímpica
Águas Claras - uma minivila olímpica
Sobradinho 1 - uma minivila olímpica
Sobradinho 2 - uma minivila olímpica

Depoimento

Kleber Lima/CB/D.A Press

“O início da minha carreira foi em 1999. Naquela época, eu treinava em uma pista muito velha no Cief (Centro Integrado de Educação Física, na 907 Sul). O piso era formado por umas placas pretas que, aos poucos, foram soltando. Em pouco tempo, estávamos correndo no cimento. Depois de quatro anos, eles reformaram a pista. Passei a correr também na pista de barro da UnB. Todo mundo que quer chegar a algum lugar tem que superar as dificuldades. Se, naquela época, eu tivesse essa opção perto de casa como existe hoje a vila olímpica, não demoraria quase uma hora para chegar ao local dos treinos. Por isso, acho que a vila olímpica é um avanço para as comunidades. Meu filho faz futebol lá. É uma boa oportunidade para a descoberta de novos talentos no Distrito Federal. As crianças de hoje terão oportunidades que eu não tive. Mas a vila não me favorece em nada os treinamentos porque a pista de corrida tem apenas 200m, enquanto a profissional tem 400m. De qualquer forma, os obstáculos sempre vão existir. Temos que lutar para superá-los.”

Antônio Delfino, 37 anos, medalhista de ouro no atletismo paraolímpico e recordista mundial

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