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Publicação: 09/03/2010 08:53 Atualização: 09/03/2010 12:07
A proposta para tornar obrigatória a licença-maternidade de seis meses provoca polêmica entre representantes do setor produtivo do Distrito Federal. Ninguém nega a importância de a mãe poder ficar mais tempo com o recém-nascido. Mas muitos sustentam que é inviável liberar uma funcionária por 180 dias. A bancada feminina na Câmara Federal quer aproveitar a proximidade com o Dia da Mulher, comemorado ontem, para levar o assunto ao plenário ainda esta semana.
Pela legislação atual, as mães têm direito a quatro meses de folga. Ganham mais 60 dias apenas as servidoras públicas e as funcionárias de estabelecimentos inscritos no programa Empresa Cidadã. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 30/2007 pretende fixar a licença de seis meses para toda e qualquer mulher que tenha carteira assinada. Se conseguir votos necessários na Câmara e depois no Senado, a proposta se transformará em direito previsto na Constituição Federal.
Desde janeiro deste ano, empresas com lucro real acima de R$ 150 mil podem aderir ao programa Empresa Cidadã, que prevê abatimento de impostos para quem prorrogar por mais dois meses a licença-maternidade. A iniciativa é fruto de uma proposta da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Estabilidade
A PEC também prevê que a mãe não poderá ser demitida nos sete meses seguintes ao parto. Hoje, esse prazo de estabilidade é de cinco meses. O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do DF (Fecomércio-DF), o senador Adelmir Santana, diz que, em sã consciência, não há quem seja contrário às melhorias previstas. Porém, ele defende que principalmente os micro e pequenos empresários não terão condições de atender às exigências. “O benefício pode virar malefício”, resume.
Para Santana, a obrigatoriedade da licença de seis meses seria uma “catástrofe” para a própria mulher. “As pequenas empresas não podem reservar lugar para ninguém, elas não podem ficar esperando. Por isso, muitas mulheres são demitidas quando voltam ao trabalho. Ninguém gosta de falar disso, mas é a realidade”, diz. “Se os 180 dias virarem obrigação, temo que as mulheres tenham mais dificuldade em conseguir o primeiro emprego”, completa.
No DF, existem cerca de 38 mil micro e pequenas empresas, segundo o levantamento mais recente, elaborado em 2008 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Elas respondem por 73% dos empregos com carteira assinada. As mulheres são 42% desse universo.
Maioria é favorável
Uma sondagem divulgada ontem pelo Sebrae mostra que 56% dos micro e pequenos empresários do país são favoráveis à ampliação da licença-maternidade. No universo feminino, esse percentual sobe para 60%. Foram ouvidos 2.764 empresários entre 3 e 22 de fevereiro. A maioria deles entende que a extensão do prazo pode melhorar a qualidade de vida das trabalhadoras e não implicará em queda na contratação de mão de obra feminina.
Na avaliação da gerente de gestão estratégica do Sebrae, Raissa Rossiter, o resultado confirma a percepção de que micro e pequenos empresários são mais “sensíveis”, por serem mais próximos dos funcionários. Segundo ela, é uma questão de bom senso aderir à licença de seis meses. “É preferível estender o benefício e ter uma empregada satisfeita a ter que contratar outra e provocar uma rotatividade desnecessária”, argumenta.
Gerente de uma loja de bijuterias e acessórios no Setor Comercial Sul, onde todas as vendedoras são mulheres, Maria do Carmo Gomes, 33 anos, acredita que a mudança não provocaria tanto impacto na empresa. “O que vamos fazer é colocar alguém para substituir a funcionária, como fazemos no caso da licença de quatro meses. É difícil porque tem que treinar uma novata, mas o importante é o bebê ficar mais tempo com a mãe”, diz, demonstrando apoio ao período mais longo de afastamento.
O presidente da Federação das Indústrias do DF (Fibra), Antônio Rocha, pensa diferente. Para ele, a obrigatoriedade dos seis meses não seria bem aceita pelos micro e pequenos empresários do setor. “Se for uma obrigação, provavelmente muitos não terão outra saída: na hora de contratar, vão priorizar os homens”, prevê. “Não é uma questão de ser contra a licença-maternidade, mas o ideal seria que isso fosse negociado entre a empresa e a funcionária”, defende.
O que eles dizem
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“Não há movimento contrário à licença-maternidade, mas a extensão do benefício deve ser uma opção da empresa. Os 60 dias a mais precisam ser negociados entre a empresa e o empregador. A obrigação vai trazer muitas dificuldades. Na hora de contratar, vão priorizar os homens”
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“A obrigação vai ser uma catástrofe para os micro e pequenos empresários, mas também para a própria mulher. As pequenas empresas não podem reservar lugar para ninguém. Por isso, muitas mulheres são demitidas quando voltam ao trabalho. Ninguém gosta de falar disso, mas é a realidade”
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Esta matéria tem: (12) comentários
Autor: Hilcarla Santos
Acredito q se não for obrigatório poucas serão as empresas privadas interessadas em aderir.Estou com quase 9 meses de gravidez e a empresa na qual trabalho,apesar de poder,ainda não adereiu e não tem previsão para isso.Vocês acham provável essa aprovação da obrigatoriedade?Se possível,retornem.Grata | Denuncie |
Autor: Rosangela Santos
Por favor, preciso mesmo de saber quando é que essa lei entra em vigor, se é que ela será aprovada... | Denuncie |
Autor: Rosangela Santos
Olá, Estou grávida de 8 meses e espero mesmo que esta lei seja aplicada com obrigatoriedade, primeiro que, meu trabalho é tão extressante que, normalmente as mães que voltam após o 4ºmês de vida do bebê, acabam por ficarem meio neurôticas, e por causa disso não conseguem mais amamentá-lo. | Denuncie |
Autor: Lara Macêdo
Muitas pessoas utilizam o inciso l do artigo 5º da constituição de forma absoluta, mas não esqueça que devemos tratar os "iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual na medida de suas desigualdades". Podemos e precisamos discutir mudanças porque a democracia assim o permite. | Denuncie |
Autor: Larissa Souza
Mais importante do que o bem estar da mãe, durante os seis primeiros meses de vida o bebê precisa ser amamentado para ter uma boa formação imunológica. Na verdade, estudos comprovam que o leite materno deveria ser o único alimento de qualquer ser humano até os 6 meses de idade! | Denuncie |
Autor: Benedito Castro
Discussão extremamente desnecessária pois se a mulher quer igualdade com os homens, não deveria nem estar pensar em usufruir de tal licença. Os quatro meses a que tem direito, atualmente, já é um custo enorme para a Previdência, imanige mais 60 dias. No meu entender vale mais o emprego. | Denuncie |
Autor: GILSON MEDEIROS
ESSE SENADOR NUNCA FOI FILHO NÃO? A MÃE DELE DEVE ESTAR MUITO CHATEADA COM ESSE INDIVÍDUO.SÓ TEM POLÍTICO QUE NÃO PRESTA NESSE PAISINHO. | Denuncie |
Autor: Rodrigo Ladislau Batista
O Senador Adelmir engana-se quando diz que a ampliação da licença maternidade catástrofe será uma catástrofe para as micro e pequenas empresas. Basta lembrar que a Previdência Social é quem custeia os salários dessas trabalhadoras. Há várias alternativas para suprir a falta delas durante a licença. | Denuncie |
Autor: Lara Macêdo
Na teoria "Feliz dia Internacional da Mulher", na prática "não falte,não adoeça, não engravide". Os EUA na II guerra quebraram um paradigma e inverteram a força de trabalho o que obrigou a mulher a ocupar setores tipicamente masculino. O Brasil precisa quebrar seus paradigmas. | Denuncie |
Autor: Marcos Andrade
Essas empresas só visam lucro. Não estão nem aí para os empregados. Se baixar a guarda, a escravidão volta (se é que não podemos considerar que já voltou) | Denuncie |
Autor: ulisses cp
Opiniões diferentes em uma questão que nem deveria estar sendo dicutida, deveria virar lei e pronto!Nada para beneficio do povo é feito com eficiencia. | Denuncie |
Autor: romerio batista
esse senhor que entrou nosenado sem nenhum voto,pela janela e empresario rico em brasilia e nao vai querer nunca dar licença as mulheres. senador de Brasilia quem votou nele. | Denuncie |