» Flávia MaiaEspecial para o Correio
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| Sem muros, a escola é contornada apenas por uma cerca: proteção frágil não evita a entrada dos bandidos
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Uma escola aonde nem a regional responsável — a de Samambaia — sabe explicar como se chega, cujo endereço no site da Secretaria de Educação do Distrito Federal é impreciso e mais atrapalha que ajuda, parece ser o símbolo do descaso dos órgãos públicos. Essa é a realidade do Centro de Ensino Fundamental Myriam Ervilha, que tem 2 mil alunos. Abandonada pela Secretaria de Educação e pelo Batalhão Escolar, a escola localizada entre Samambaia e Santo Antônio do Descoberto (GO), no Setor Habitacional Água Quente
(1), enfrenta sérios problemas de infraestrutura e segurança.
Além de uma água de mina misturada com fossa que molha o colégio todos os dias, o Myriam Ervilha tem sido alvo constante de assaltos à mão armada. Com facas e armas de fogo, menores vêm amedrontando pais, alunos, professores e servidores da escola. Na segunda-feira, chegaram ao ponto de levar o laptop do professor de educação física enquanto ele dava aula. “Aqui é o caos e a viatura só chega depois que tudo já acabou”, queixa-se a também professora de educação física Sofia Germana Cardoso.
O centro de ensino ainda não tem muros e a quadra fica do lado de fora, o que facilita a ação dos assaltantes. Tênis e celulares são os principais alvos e os furtos ocorrem principalmente de manhã, porque esse é o horário do ensino médio e muitos alunos já usam celulares. “De tarde, a maioria é criança e os pais ainda não dão celular”, explica Germana.
Além de assaltar, os infratores costumam agredir os alunos da escola. “Os caras vêm na covardia, dois, três, batendo nos meninos do colégio”, conta o moveleiro Valdemar Ferreira da Silva, 24 anos. Dessa forma, o medo impera, tanto que já foram solicitadas várias transferências de alunos. Brenda Lopes, 13 anos, da 6ª série, quer ser a próxima dessa lista. “Já pedi para a minha mãe me tirar daqui e ela vai me transferir porque está muito perigoso, tem aluno até com arma na sala de aula e a polícia parece que não vê”, desabafa.
DrogasSegundo o diretor, que prefere não ter o nome identificado e conversou com a reportagem atrás de uma grossa grade, na secretaria da escola, os assaltantes não são alunos, mas ex-alunos. A identidade dos infratores não é segredo para ninguém das redondezas. “Todo mundo sabe quem é”, diz Terezinha Maria de Araújo, 59 anos, aposentada. A mineira conta que fechou o comércio de balinhas e sorvetes por medo dos assaltos e cobriu a garagem da casa porque as invasões eram constantes. Além disso, ela relata que as drogas estão cada dia mais frequentes na área: “Eu já peguei várias vezes pitoco de maconha aqui na porta de casa”. A aposentada aponta ainda, atrás da quadra de esportes da escola, uma chácara abandonada que seria o ponto de encontro dos assaltantes. “Estamos sem segurança, estamos com medo desses pivetes.”
Os vizinhos da escola reclamam que o problema só ocorre durante o período letivo e, que o Batalhão Escolar que vigiava a escola não fica mais no local. Por isso, Rose dos Santos, 30 anos, funcionária da Secretaria de Assistência Social de Santo Antônio, fica apreensiva com a segurança de seus filhos enquanto está no trabalho. “Todo mundo conhece os elementos, não adianta dar queixa”, reclama. Jacira Soares, 39, mãe de quatro alunos do colégio, também está preocupada. “A polícia prende e bate, e quando eles voltam, falam que a lição dos policiais foi massagem”, revela.
PoliciamentoA 32ª DP, responsável pelo atendimento da região, não tem informações de quantas ocorrências sobre o caso já chegaram ao local, porque elas não ficam registradas por região. Porém, os próprios moradores admitem que não procuram a polícia porque não adianta e que, para chegar até a delegacia, gasta-se R$ 12 de ônibus.
Na tarde de ontem, a Regional de Educação de Samambaia recebeu o conselho da escola e prometeu a volta do policiamento. “O batalhão vai voltar para a porta da escola nos horários de maior incidência de assaltos”, promete Castorino Alves, assistente da direção da regional.
Quanto à construção do muro, a Secretaria de Educação informou que a obra ainda está sendo licitada e não há previsões de início dos trabalhos. A secretaria disse também que a escola deve receber, este ano, R$ 195.724 em três parcelas pelo Programa de Descentralização Administrativa e Financeira — mas não há previsão de depósito dessa verba. Uma vez com esse dinheiro em mãos, a escola tem outra etapa a cumprir: obter autorização para construir o muro, já que o programa proíbe construções e só prevê pequenos reparos e compra de material.
1 - Sem regularizaçãoO Setor Habitacional Água Quente surgiu a partir do parcelamento da antiga Fazenda Tição, há cerca de 15 anos. Foi criado em 2002, durante o governo de Joaquim Roriz. Somente em dezembro do ano passado é que a área ganhou status de zona urbana de baixa renda no Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) do DF. Apesar disso, os oito condomínios que compõem o setor ainda não estão regularizados. O Água Quente faz divisa com Santo Antônio do Descoberto (GO) e vai do trevo da BR-060 à ponte que dá acesso ao município, passando pela DF-280.
Esta matéria tem: (2) comentários
Autor: igor guedes
Isso é o ARRUDA que nunca esteve disposição com a educação em Brasília, quer dizer, só tinha disposição com obras super faturadas. | Denuncie |
Autor: Leonardo Bueno
Essa é a educação, que os governantes do país da copa do mundo e das olimpíadas, oferecem a sua população! | Denuncie |