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Ambulantes prometem permanecer com seus pequenos negócios nas calçadas e entre os ministérios A fiscalização age, mas eles voltam

Mara Puljiz

Publicação: 12/03/2010 10:14 Atualização:

O comércio irregular resiste na Esplanada dos Ministérios. Uma semana depois de o Correio denunciar a expansão de barracas pelo cartão-postal de Brasília, os vendedores afirmam que não vão abandonar o espaço e insistem em vender mercadorias entre os prédios e pelas calçadas. “Daqui a gente não sai”, garantiu uma mulher que vende salgados há cerca de oito anos, próximo ao Ministério do Planejamento. No último dia 5, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pediu à Agência de Fiscalização (Agefis) que informasse quais providências estão sendo tomadas no local. O órgão tem até segunda-feira para enviar a resposta à Promotoria de Defesa da Ordem Urbanística.

Segundo o chefe da assessoria da Diretoria de Fiscalização, Cláudio Caixeta, desde terça-feira os fiscais apreenderam quatro caminhões carregados de mercadorias, mas os trabalhos de retirada estão ocorrendo diariamente em razão do retorno dos camelôs. “Foram identificados 36 pontos de venda pela Esplanada, mas 80% deles não existem mais”, garantiu. A vendedora de salgado Erina Vaz, 58 anos, foi uma das que teve a mercadoria apreendida. “Levaram meu carrinho, a barraca, o botijão de gás, duas caixas de isopor e uma estufa de pastel”, reclamou. Erina estima um prejuízo de pelo menos R$ 700 com a apreensão.

Ao lado de Erina, outras vendedoras reclamavam da ação dos agentes. “Eles chegam e agridem a gente como se fossemos bandidos”, contou a mulher sem querer se identificar. A Agefis nega qualquer abuso por parte dos fiscais. As mercadorias apreendidas são levadas ao depósito da Agefis no Setor de indústria e Abastecimento (SIA), Trecho 4, e podem ser resgatadas mediante pagamento dos custos da operação e da diária. Cláudio Caixeta disse ainda que as frutas recolhidas dos vendedores são doadas a instituições carentes, como as creches.

A reportagem percorreu ontem toda calçada da Esplanada — desde o Ministério da Saúde até a Catedral — e foi recebida com hostilidade pelos vendedores. “É daqui que nós tiramos nosso sustento. Se sairmos daqui para onde nós vamos?”, disse, nervosa, uma vendedora que não quis dar entrevista. Eles também se recusam a ser transferidos para o Shopping Popular(1). “Ali ninguém passa”, disse Erina. Na manhã de ontem, quem não tinha carrinho usou uma caixa de isopor para guardar os alimentos. Por toda a calçada, o que mais podia ser visto era gente vendendo marmita, mas outros ofertavam salgados, sucos, frutas, doces e CDs piratas. Cada um em um ponto diferente, espalhados pela calçada ou entre os prédios.

Apoio
Para a aposentada Ivani Souza, 57 anos, os camelôs não incomodam. Ela defende a permanência deles na Esplanada, mas acredita que é preciso organização. “Deveriam padronizar os ambulantes. Cada um tinha que recolher seu lixo e manter sempre o local limpo. Tirando isso, não vejo problema algum deles continuarem trabalhando”, disse. O taxista Geraldo Magela, 46 anos, concorda. “A comida dos camelôs quebra um galho na hora do arroxo. Se tirarem eles daqui não temos onde comer”, reclamou.

Não é de hoje que o comércio irregular toma conta do centro de Brasília. Em 2008, era possível ver inúmeras barracas espalhadas ao lado da Rodoviária do Plano Piloto e pelos setores comerciais e bancários Norte e Sul. A invasão de vendedores nessas áreas, bem como na Esplanada, altera a paisagem dos pontos tombados e fere o projeto urbanístico de Lucio Costa para o Plano Piloto. O Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) afirma já ter denunciado o problema ao Governo do Distrito Federal. Mas, segundo a Coordenadoria de Serviços Públicos do DF, acabar com o comércio ilegal na cidade de modo geral não é uma tarefa tão simples.

Segundo a coordenadora
Beth Guilherme, os camelôs que estão na Esplanada não aceitaram ir para o Shopping Popular em 2008. “O ambulante tem por hábito ir atrás do cliente. É uma atividade de subsistência, mas não temos um local definido no Plano Piloto para colocá-los porque a lei não permite isso”, explicou. De acordo com ela, um plano de ocupação foi encaminhado à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Seduma) para análise da possibilidade de emissão de uma permissão precária para alguns dos 600 ambulantes espalhados pelo Plano Piloto. “Algumas áreas são passíveis de ocupação, outras não. Provavelmente, Esplanada dos Ministérios está excluída do rol das áreas passíveis de ocupação”, disse.

1 -
Faltam clientes
O Shopping Popular foi criado em 2008 para receber ambulantes da zona central de Brasília. A obra custou R$ 21,2 milhões aos cofres do GDF e conta com um espaço coberto de 20 mil metros quadrados — com capacidade para abrigar até 1,8 mil feirantes — e outros 20 mil metros quadrados no subsolo, para estacionamento. Hoje, os ambulantes reclamam da falta de compradores no shopping localizado ao lado da Rodoferroviária de Brasília.

Eu acho...
Sérgio Fernandes, 29 anos, taxista
"Pela esplanada não tem lanchonete e nem restaurante para atender todo mundo. Deveriam fazer um cadastro desses ambulantes e legalizar os que estão e impedir a entrada de novos vendedores. Só não acho certo retirar todo mundo"

Esta matéria tem: (20) comentários

Autor: junior lima
...afinal o arruda ja tá ficando materia chata né? Outra coisa o thiago coloca eles pra tra balhar na sua mega empresa,fica esperto o mundo da voltas,cuidado pra vc não cair na mesmo situação um dia egoista,prepotente. | Denuncie |

Autor: junior lima
Eu acho que a equipe do correio não devia se da o trabalho de tentar atrapalhar o trabalho onesto dos outros. Faz o seguinte então tirem eles de lá e coloquem para trabalhar ai no jornal,que pelo visto deve ta sobrando emprego. Isso na minha opinião e falta do que fazer... | Denuncie |

Autor: THIAGO JE
ta na hora de tirar este povo daqui | Denuncie |

Autor: RAMOEL SANTOS
Correio, se as pequenas bancas dos ambulantes agredem arquitetura da esplanada, não deveria a reportagem denúnciar também a enorme tenda do sindsep-df e a casa lotérica? | Denuncie |

Autor: Felipa Silva
Não sei porque não parem de perturbar quem está TENTANDO ganhar o seu com HONESTIDADE, se assim fazem é pq NÃO tiveram outras oportunidades. Agora SUGIRO que o MPDFTA e AGEFIS FISCALIZEM as benditas PENSÕES nas areas resiedenciais das 700 Sul, isso sim fere o TOMBAMENTO da Cidade que já está um LIXO. | Denuncie |

Autor: Fernando
Brasília está voltando ao caos que era! A fiscalização está frouxa (também, o atual governador era camelô). A Galeria dos Estados, debaixo do Eixão está permanentemente tomada de camelôs, das 07:00 as 09:00 e das 12:00 as 16:00. Pobre Distrito Federal. E Roriz posando de modelo de honestidade!!! | Denuncie |

Autor: Mai Val
Brasília está parecendo uma terra sem lei. Em todos os lugares a bagunça impera. Seja no Sudoeste, na Asa Sul ou Norte, os carros estacionam de qualquer jeito, fechando os outros, pq não tem fiscalização. os camelôs começam a tomar conta de novo.... | Denuncie |

Autor: Willian Araujo
Confesso que estou sentindo falta do vendededor de picolé que trabalhava aqui perto do Ministério. Acho que radicalismos devem ser evitados Afinal, gente que faz muito mais mal para a população sempre se fica imune. A exemplo dos senhores Roriz e Arruda. | Denuncie |

Autor: Marcelo Rodrigues
...Essa história também de que todo mundo "precisa trabalhar" já está ficando velha. Além disso, é sempra mesma história, começam a encher de ambulantes, movem para uma feira, e depois vem outros. Nâo acaba nunca isso. Não sou contra, mas não é dessa forma que vamos dar jeito nas coisas. | Denuncie |

Autor: Marcelo Rodrigues
Acho engraçado os que apoiam com a desculpa de que ali não há comércio. Obviamente que não tem comercio, pois não é lugar para tal. Há falta de restaurantes, mas considerar isso desculpa para admitir venda de CD's piratas e outros produdos "alternativos" é um pouco demais.... | Denuncie |

Autor: Eduardo Abreu
O Tombamento da UNESCO estabelece normas e proibe todo o tipo de inrregularidade que possa ferir o mesmo. O governo oferece para alguns chegados e para outro nada. Vamos ser transparente e ter carater, fassam valer os direitos do povo. ajudar maneiras para que possa sobreviver numa democracia faxista | Denuncie |

Autor: Rogério G.Oliveira
Só em Brasília mesmo para persistir o abuso e o desrespeito as leis e as autoridades:feirantes, ambulantes e tantos outros...assim como o abuso dos taxistas com os pontos de taxi que foram construídos pelo GDF e no qual estão abandonados, sendo abrigo para moradores de rua e drogados...um descaso ! | Denuncie |

Autor: Cesar Rocha
Não li a noticia, mas passei ontem pelo SCS - há tempos não ia ali - e posso dizer: prefiro os camelôs que o bando de viciados que vi por lá. E não adianta criticar a Polícia, pois os 'coitadinhos' não podem ficar presos. Ô país!!! | Denuncie |

Autor: Sérgio Torquato
Brasília já vive agredida todos os dias com um "puxadinho" dali, um "outdoor" daqui, uma barraca de frutas aqui, outra de produtos piratas acolá... Chega de ilegalidades! Corrupção existe em toda parte! | Denuncie |

Autor: LUIZ ALBINO
- Ja que foram gastos mais de 21 milhoes de reais, porque nao desalojar os ambulantes? a Esplanada nao e a feira de Caruaru nem da Ceilandia, nao ha condicoes de higiene e fazem uma imensa sujeira, nao entendo como podem deixar a capital, que deveria ser modelo mundial, estar favelizada e imunda. | Denuncie |

Autor: José carlos Rodrigues
Não foram localizados os vendedores de bebidas alcoólicas que ficam próximos aos Ministérios, agravando ainda mais os problemas de alcolismo dos servidores? | Denuncie |

Autor: felippe gomes
Que depoimento é esse Sr. Sérgio, pra uns pode e pra outros não. Que sensacionalismo absurdo. O DF vai ter aquilo que sempre quis. Camelôs, vans, invasões e claro o Roriz de volta. Abre o olho BSB. | Denuncie |

Autor: felippe gomes
O único q conseguiu acabar com isso está sendo escrachado pela população do DF. Legalizou a cidade, ofereceu um lugar ideal para os ambulantes, tirou a bagunça q as vans faziam nas ruas, não permitiu invasões e por aí vai. Vamos voltar p a época de Roriz, aquela mulambagem na rua vendendo de "tudo". | Denuncie |

Autor: ricardo ribeiro
Eu já vi ações do pessoal da AGEFIS e afirmo que os ambulantes são na maioria das vezes tratados como bandidos, são agredidos e também já vi um ambulante ser levado a delegacia por tentar se defeder dos fiscais da tal agência. | Denuncie |

Autor: Anderson Sousa
O triste é que para atividades irregulares dos politicos o governo fecha os olhos, mas para trabalhadores que buscam o sustento de sua familia e ajudam os trabalhadores de baixa renda, eles não fecham o olhos e agem com rigor. Quanto ético e esperado isso do nosso amado governo. | Denuncie |

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