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| Flaynesson (D) está entre os 45 estudantes que fazem parte do projeto |
Na mão, uma lata de spray. Na cabeça, um mundo de ideias próprias dos adolescentes. O vandalismo deu lugar à arte do grafite no Centro de Ensino Fundamental nº 4 do Gama. Por meio da técnica, os alunos encontraram uma maneira de acabar com as pichações e melhorar a aparência da escola. Em parceria com dois grupos de grafiteiros — o Ideia Forte Crew e o Força Tarefa — 45 meninos e meninas cobriram o muro de entrada do colégio com desenhos que falam de música, amor, paz, meio ambiente e do aniversário de 50 anos de Brasília.
A ideia de levar o mundo do grafite para o ambiente escolar surgiu a partir da observação do comportamento de alguns estudantes da instituição. Os orientadores educacionais Neilan Costa e Rosemary Cavalcante encontraram na iniciativa uma forma de resolver alguns conflitos existentes no CEF 4 do Gama. “Nós detectamos que alguns alunos estavam pichando as paredes e o teto do colégio”, diz Neilan. Do total de envolvidos no projeto, 15 adolescentes foram chamados porque estavam envolvidos com grupos de pichadores fora da escola. A partir daí, eles participaram de conversas e palestras sobre o tema e assistiram a alguns vídeos para entender o que é o grafite.
Para poder colocar em prática a iniciativa dos orientadores educacionais do CEF 4, o colégio recebeu neste ano uma verba do Plano de Desenvolvimento Escolar para reformar a escola. Na oportunidade, eles incluíram na lista de material a compra de tintas para realizar o projeto. Antes de partir para os desenhos, os 45 alunos preparam o muro para receber o grafite. Eles pintaram toda a extensão de tinta branca e tamparam as antigas pichações. Os estudantes fizeram o que na gíria dos grafiteiros é conhecido como a “lavagem do muro”. Mas, no dia seguinte, ao chegar na escola, se depararam com novas pichações por cima da tinta. “Essa situação causou uma revolta muito grande nos alunos e despertou neles o mesmo sentimento de alguém que tem a casa pichada”, acredita Neilan.
O vandalismo atrasou o trabalho dos alunos, mas não tirou a vontade de aprender dos adolescentes. A estudante da 5ª série do ensino fundamental Raquel Pereira Soares, 12 anos, viu na atividade uma oportunidade para fazer o que gosta: desenhar. “Eu costumava olhar os cadernos dos meninos da minha sala e copiava os desenhos”, conta a menina. Ela aprendeu algumas técnicas com os grafiteiros e se lembra, com orgulho, da sua contribuição. “Toda vez que eu passar pela escola vou lembrar que eu ajudei a fazer. Tinha vergonha de ver o colégio daquele jeito”, ressalta a menina, ao olhar para o muro colorido.
Interesse
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| Alunos passam, por meio dos desenhos no muro, mensagens positivas |
Diego Roberto Pereira Sagas, 15 anos, faz parte do Programa de Aceleração de Aprendizagem do CEF 4 e começou a se interessar pelo grafite no ano passado, quando assistiu a vídeos sobre a atividade na instituição. “Desenhava no caderno durante as aulas e comecei a me interessar. Vi que eu tinha jeito para isso”, anima-se o menino, que pretende seguir carreira e ganhar a vida com o grafite.
O também estudante da Turma de Aceleração do CEF 4 do Gama Flaynesson das Mercedes Lima Castelo Branco, 15 anos, usou a parede do quarto para mostrar o talento a quem entrasse no cômodo. Ele conta que a mãe apoiou a ideia e o incentivou a procurar alguns cursos sobre a atividade. “Desenho desde pequeno. Acho que o grafite é uma arte”, conta o menino, que encontrou na arte uma forma de se expressar. Ele conta que aprendeu algumas técnicas com os grafiteiros como, por exemplo, esboçar os desenhos e não deixar o traço de tinta escorrer.
Alain Oliveira da Silva, 25 anos, trocou as pichações nas ruas da cidade pela arte do grafite. Hoje, desenha por diversão. Mas a habilidade não vem desde a infância. “Não tinha nenhuma noção de desenho até ver a primeira edição da revista Rap Brasil, quando comecei a copiar os primeiros desenhos”, lembra. Logo ele começou a desenvolver criações próprias. O grupo de grafiteiros do qual faz parte, Ideia Forte Crew, resolveu se juntar por acaso. Hoje, os amigos trabalham para tirar os jovens do mundo das pichações. “A gente acaba conseguindo a confiança deles”, orgulha-se.
Para saber mais
Onde tudo começouA palavra grafite tem origem na Itália e significa escritas feitas com carvão. Na Roma antiga, os habitantes protestavam, divulgavam leis e acontecimentos públicos nas paredes das construções da cidade. Em meados do século passado, alguns jovens de Nova York recuperaram essa forma de se expressar, mas trocaram o carvão pelas tintas em spray. Até hoje há quem confunda a arte urbana com vandalismo.
Esta matéria tem: (3) comentários
Autor: izau paiva santos
Boa iniciativa! fiquei sabendo que no muro deste colegio existem vários paineis , inclusive um homenageando o nosso querido renato russo eos 50 anos de Brasilia serão publicados as fotos destes paineis também? | Denuncie |
Autor: izau paiva santos
MUITO BOA INICATIVA!EXISTEM COMENTÁRIOS QUE NO MURO DESTE COLÉGIO EXISTEM HOMENAGENS A RENATO RUSSO E AOS 50 ANOS DE BRASILIA E OUTROS PAINÉIS QUE SÃO VERDADEIRAS ARTES!PODERIAM MOSTRA- LAS! | Denuncie |
Autor: André Pelegrini
Ótima ideia, hoje a vc tem que educar nossas crianças pelo empenho da criatividade e curiosidade. Parabéns à iniciativa. | Denuncie |