Preço baixo de cirurgias plásticas atrai clientes para Goiás

Muitas brasilienses atravessam a fronteira para fazer operações estéticas em Goiás, onde os procedimentos chegam a custar metade do valor cobrado na capital do país

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postado em 04/04/2010 08:13

Guilherme Goulart /

A paraibana Kelma Macedo Ferreira Gomes, 33 anos, seguiu o mesmo caminho de mulheres interessadas em uma cirurgia estética ou de reparação. Saiu de Brasília, onde morava com a família, para entregar o corpo à responsabilidade de uma clínica de Goiás. Seja por confiança no profissional escolhido ou por viabilidade financeira, muitas pegam a estrada em busca da reabilitação da autoestima. A assessora do Ministério das Cidades perdeu a vida na última sexta-feira, sete dias após se submeter a uma lipoescultura.

O mesmo destino tiveram pelo menos nove mulheres da Região Centro-Oeste na última década (leia arte). Cinco pacientes não resistiram às consequências de procedimentos cirúrgicos realizados em hospitais de Goiânia (GO), Anápolis (GO) e Palmeiras de Goiás. Outras quatro morreram em clínicas da capital do país. Só em 2010, três famílias tiveram histórias trágicas para contar por causa de complicações ocorridas antes, durante ou depois de intervenções para a retirada de gordura ou alterações plásticas. As mortes ocorreram em janeiro, março e agora em abril.

A morte de Kelma — casada, mãe de dois filhos e moradora do Setor O, em Ceilândia — segue sob investigação. O Ministério Público do Distrito Federal (MPDF) e a 23ª Delegacia de Polícia, no P Sul, aprofundam o caso, apesar de a família negar qualquer relação entre a operação feita na capital goiana e a morte da assessora.

Comparativo
O Correio ouviu especialistas em cirurgias plásticas para entender a preferência por clínicas do estado vizinho. Todos disseram que existem profissionais renomados na área de lipoescultura em Goiás. Mas, assim como no DF, há médicos sem a formação devida(1) e clínicas com estruturas inadequadas. Consenso, porém, é de que as intervenções oferecidas nos hospitais goianos saem até pela metade do preço se comparadas com Brasília. Kelma pagou R$ 9 mil para fazer plástica nos braços, nas pernas, nas costas, na barriga, além de implantar silicone. A operação no DF custaria no mínimo R$ 11 mil.

O promotor de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde (Pró-Vida), Diaulas Ribeiro, enxerga com preocupação o que definiu como “uma indústria de turismo para cirurgias plásticas mais baratas em Goiânia”. “Se as pessoas estão indo a Goiânia em busca de clínicas do tipo ponta de estoque, sem condições mínimas de excelência, trata-se de um absurdo”, afirmou ele, que na sexta-feira exigiu que o corpo de Kelma seguisse ao Instituto de Medicina Legal (IML) para a realização de uma necropsia.

Para Diaulas, é obrigatória a criação de regras para as cirurgias plásticas realizadas no DF e no Brasil. A Pró-Vida, em conjunto com a Vigilância Sanitária, a Anvisa e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, prepara um protocolo de segurança para exigir procedimentos básicos a todas as operações estéticas realizadas na capital do país. O documento está em fase de redação final.

1 - Habilitado
O médico responsável pela operação de Kelma Gomes é membro associado da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Tem pelo menos 11 anos de experiência profissional e detém o título de especialista em cirurgia plástica. Está a um nível para se tornar membro titular, o mais alto dentro das quatro escalas exigidas pela entidade.

Colaborou Naira Trindade

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