REFORMAS

Orçada em R$ 25 milhões, restauração da Catedral deve acabar apenas em novembro

Autora dos vitrais originais, a artista plástica Marianne Peretti visitou a obra e encantou-se com o que viu

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postado em 09/04/2010 07:00 / atualizado em 09/04/2010 08:43

As obras da Catedral Metropolitana de Brasília não terminarão antes do aniversário de 50 anos da capital. Até lá, apenas metade dos vitrais, principal atrativo da estrutura, deve estar instalada. A partir da próxima segunda-feira, no entanto, os passantes poderão visualizar um dos principais pontos turísticos da cidade sem tapumes e sem o pano que o cobre atualmente. Segundo o monsenhor Marcony Ferreira, pároco da igreja, a primeira missa acontecerá no dia 22. “É um presente para Brasília. É o monumento mais querido e visitado da cidade”, destaca. A missa de aniversário da capital será realizada na madrugada de 21 de abril, exatamente como aconteceu na inauguração da cidade em 1960, no altar-monumento montado na Esplanada dos Ministérios.

Em meio às obras,a Catedral recebeu ontem uma visita muito especial. A autora dos vitrais originais, Marianne Peretti, passou horas contemplando o renascimento de sua obra. “É um alívio porque são 13 anos esperando para refazer os vitrais. Gostei muito do que vi”, afirmou. Para a artista francesa — radicada no Brasil desde 1956 — o monumento foi alvo de negligência inexplicável já que “essa é a catedral da capital do país. É uma catedral única no mundo”. A reforma passa por constante acompanhamento do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para que o projeto original permaneça perfeitamente inalterado.

Os vitrais de Peretti ganharam nova vida nas mãos do vitralista Luidi Nunes, um dos mais celebrados do Brasil e do mundo. Ele conta que, quando entrou na igreja, o estado do material era tão ruim e o perigo de estilhaço eminente, quadro que o forçou a pedir a interdição do local. “Ou teríamos o vitral refeito ou não teríamos mais vitral”, explica. Foi por intermédio dele que a renomada indústria de vidros alemã Lambert aceitou reproduzir os vitrais com cores idênticas às dos originais. “Eles já conheciam a Catedral de Brasília. Ficaram eufóricos com o projeto”, lembra. Nunes conta ainda que os alemães fizeram questão de resolver problemas de mecânica dos vidros, tornando-os mais fortes e resistentes ao calor. As placas dos vitrais são produzidas na Alemanha e cortadas no Brasil. Cabe a Nunes, o monumental trabalho de montar as peças, respeitando as alterações de cor, manualmente.

Presente tecnológico
A catedral projetada por Oscar Niemeyer ganha também um presente da tecnologia. Presente este que promete acabar com os três principais vilões para a adequada conservação da igreja: calor, quebra de vitrais e sujeira. Os novos vidros receberam um tratamento de solução plástica que penetra nos poros microscópicos e deixa a superfície da estrutura mais lisa, impedindo a aderência de água e sujeira. Eles também têm a capacidade de bloquear a entrada de aproximadamente 40% do calor. “Insolação é ruim para tudo. Este é um vidro inteligente, mágico”, enaltece Nunes.

Os três anjos do artista Alfredo Ceschiatti já estão içados no centro da Catedral e receberam novos cabos, além de um sistema que permite o rebaixamento para limpeza. A reforma da igreja, orçada em R$ 25 milhões — patrocinada pela Petrobras e pelo Governo do Distrito Federal —- começou em julho de 2009 e a previsão do Iphan é que os trabalhos terminem em novembro. Além da substituição dos vitrais e da impermeabilização da estrutura, as redes elétrica e hidráulica também estão sendo reformadas, assim como os banheiros, o hall de entrada, a sacristia e as salas da administração.

ESPAÇO LUCIO COSTA REABERTO

Dois redutos da memória candanga foram reabertos na última quarta-feira, 7. O Espaço Lucio Costa e o Museu da Cidade fecharam as portas por aproximadamente um mês, em virtude da obra de revitalização da Praça dos Três Poderes. Nos dois espaços, no entanto, não houve reformas estruturais. O fechamento foi feito por medida de segurança, já que havia risco de deterioração do acervo cultural. Caso permanecessem abertos, a poeira gerada pela instalação das novas pedras portuguesas da praça poderia estragar o material exposto nos locais. Já o Panteão da Pátria permanece fechado. Minuciosa, a reforma do espaço requer estudos técnicos aprofundados para garantir a preservação das características originais. “Foi necessário um diagnóstico detalhado, mas o trabalho começou em dezembro”, afirma. A diretora conta que a obra — prevista para ficar pronta em junho — inclui a restauração do revestimento externo, o reforço da estrutura e a modernização dos equipamentos do espaço.

» Personagem da notícia
Parceira de Niemeyer

Marianne Peretti nasceu na França, filha de mãe francesa e pai pernambucano. Estudou arte na Europa e mudou-se para o Brasil em 1956. Realizou várias exposições, individuais e coletivas, em Paris, São Paulo, Olinda — onde vive — e em outras cidades. A parceria com o arquiteto Oscar Niemeyer fez com que seu trabalho se tornasse símbolo de diversas obras em Brasília. Algumas delas são a fachada do Panteão da Pátria (1987), os vitrais da Catedral de Brasília (1998/9), da Câmara dos Deputados (1977), do Senado Federal (1978), do Palácio do Jaburu (1979), do Memorial JK (1981), e a escultura de bronze do foyer do Teatro Nacional (1980). A franco-brasileira continua trabalhando, especialmente com encomendas particulares.