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VEÍCULOS

Venda de carros cai com o fim do IPI

Na primeira quinzena deste mês, as revendedoras brasilienses constatam uma redução no movimento de compradores nas lojas

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postado em 16/04/2010 08:26

O fim da redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) incidente nos veículos completou uma quinzena ontem. Para as concessionárias de automóveis do Distrito Federal, o período foi de redução no movimento de compradores. Na tentativa de não deixar escapar os clientes, as empresas do ramo estão investindo em propaganda agressiva e promoções. Apostam, principalmente, nas últimas unidades desoneradas que têm em estoque. O Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do DF (Sincodiv-DF) não fechou os números relativos ao desempenho do segmento em abril, mas confirma que houve queda na procura.

Se ainda não existem dados oficiais sobre as vendas de abril, março, último mês em que vigorou o incentivo, está muito bem documentado. Foram 12.378 novos emplacamentos, segundo o Sincodiv-DF, o que representa um aumento de 18,6% em relação a igual período de 2009, e de 63,5% em comparação a fevereiro. Os números tornam março último o melhor da história para o comércio de automotivos no Distrito Federal. A alta contundente tem relação com a corrida às concessionárias para garantir a compra dos últimos veículos sem incidência do imposto.

“Já sabíamos que a procura iria dar uma refreada após o fim do benefício. As vendas estão caindo dentro do nível normal, esperado”, afirma Ricardo Lima, presidente do Sincodiv. De acordo com ele, o setor está otimista quanto ao desempenho que terá este ano, mesmo sem a desoneração(1).

“O mercado ainda está aquecido em relação a outros anos. A redução do IPI não foi a única ferramenta a nos dar sustentação. Houve facilidade de crédito para os compradores e aumento dos recursos para financiamento”, pondera. Ricardo Lima diz ainda que o setor tem se esforçado em desenvolver ações para manter as vendas em alta desde o último dia 1º, data a partir da qual o imposto reduzido deixou de valer. “Contamos com a criatividade dos nossos empresários”, declarou.

Brindes e promoções
Na Fiat Estação da Cidade do Automóvel, restam 34 veículos com IPI reduzido, ou seja, adquiridos pela concessionária ainda durante o regime de desconto. A ordem é oferecer brindes aos compradores a fim de vendê-los, como tapetes, frisos e som automotivo MP3. Outra vantagem anunciada é a valorização do carro usado do cliente na troca. Anúncios diários em jornais de grande circulação constituem outra ação para evitar o encalhe dos veículos. “No caso dos carros já comprados com IPI normal, a gente tem conseguido com as financeiras juros mais atraentes”, conta Antônio Francisco Macedo Dias, gerente comercial da loja. Ele admite que, apesar das estratégias, as vendas da empresa foram impactadas pelo término da política de imposto reduzido. “De 15 dias para cá, o movimento caiu pelo menos 40%”, diz.

Na Ford Slaviero do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), a queda na demanda também foi sentida. O gerente de vendas da unidade, Antônio Cordeiro, estima um decréscimo de 30% na afluência de clientes. No local, restam entre 50 e 70 unidades com IPI reduzido, de aproximadamente 350 que compõem o estoque. Para fechar negócio, descontos, brindes e facilidades são as armas. “Logo deve haver retomada da intenção de compra. A gente aposta nisso. Sempre vai existir quem precisa comprar carro”, afirma o gerente.

A concessionária Fiat Bali da Cidade do Automóvel, que tem cerca de 170 carros com IPI reduzido, de um total de 335, segurou a mão ao definir os preços de venda dos veículos com imposto cheio. “A gente gostaria de vender pelo valor da tabela, mas, por enquanto, preferimos fazer o desconto a cobrar mais caro e ver a loja vazia”, afirma Fábio Souto, gerente comercial.

Últimas vantagens
Os clientes que ontem circulavam pelas concessionárias mostravam-se interessados, principalmente, nos veículos ainda vendidos com desconto. Os irmãos Lúcia Maria de Souto, 37 anos, secretária executiva, e Victor de Souto Pereira, 26, servidor público, comemoraram a compra de um Fiat Uno do estoque desonerado. “Fazia mais ou menos um mês que a gente estava procurando. Quando vimos que terminou o IPI reduzido e ainda tinha carro mais barato, achamos ótimo. Encontramos o carro que a gente queria, por R$ 2 mil a menos do que ele custaria normalmente”, conta Lúcia.

O professor Aílton Muniz, 47 anos, tem tempo extra para procurar pelo veículo dos sonhos. Aílton quer um modelo comercial leve, com espaço para acomodar ele, a esposa e quatro filhos. Para carros desse tipo, de maior porte, o IPI reduzido vale até o fim de junho. Mas a suspensão definitiva do incentivo para carros de passeio fez com que o professor decidisse intensificar a peregrinação pelas concessionárias. “Dessa vez vai acabar mesmo. Vou ter que escolher”, disse.

1 - Tática contra a crise
A redução da alíquota do IPI para automóveis foi uma política adotada pelo governo federal para evitar a desaceleração da economia do país durante o período de crise. A medida, que também beneficiou eletrodomésticos e o setor de construção civil, durou um ano e três meses para os veículos. Graças a ela, o segmento registrou números recordes de vendas. A princípio, a desoneração valia até março do ano passado, mas foi prorrogada duas vezes. Ontem, o governo federal decidiu estender até dezembro a desoneração para a indústria da construção civil.

"Já sabíamos que a procura iria dar uma refreada após o fim do benefício. As vendas estão caindo dentro do nível normal, esperado"
Ricardo Lima, presidente do Sincodiv

O número
12.378
Total de carros novos emplacados no mês passado. O resultado tornou março o melhor da história das revendas na capital federal

Advogada sugere cautela
Ir em busca do melhor preço é bom, mas o consumidor deve tomar alguns cuidados para evitar dissabores no futuro. O alerta é da advogada Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), organização não governamental (ONG) de defesa dos direitos do consumidor. “Principalmente se tratando de um carro, que não é apenas um bem mas também um investimento, é preciso ter cautela”, diz Maria Inês.

De acordo com ela, o consumidor que decidir aproveitar os últimos veículos com IPI reduzido deve estar atento ao ano de fabricação. “Muitos são fabricação 2009, já que foram adquiridos pela concessionária até abril deste ano. Isso deprecia no momento de vender. Portanto, tem que ver se o custo-benefício compensa. O vendedor tem obrigação de informar”, ensina a advogada.

Maria Inês Dolci recomenda que os clientes visitem várias lojas, façam as contas na ponta do lápis e se certifiquem de que o veículo está de fato sendo vendido com o repasse da desoneração ao comprador. “É preciso ver se a vantagem é real, estar atento para não sair prejudicado”, recomenda. Por fim, a advogada diz que o fato de o benefício estar para acabar de vez não é motivo para comprar por impulso. “Não se compra carro com pressa. A compra irrefletida custa caro”, alerta.

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