| CAPA | BRASIL / ECONOMIA / POLÍTICA | CIDADES-DF | MUNDO | DIVERSÃO E ARTE | DIVIRTA-SE | CIÊNCIA E SAÚDE | TECNOLOGIA | TURISMO | REVISTA |
Publicação: 25/04/2010 08:45 Atualização: 25/04/2010 09:01
Terra de pioneiros, a Candangolândia guarda importantes capítulos da história de Brasília. Criada para abrigar o primeiro acampamento destinado aos operários da nova capital, a região ainda conserva lembranças da época da construção, como casas e igrejas de madeira. Além de ostentar o reconhecimento de ser a primeira cidade do Distrito Federal, tem outro título menos conhecido: o de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Boa parte dos moradores não sabe, mas a cidade faz parte da área tombada do DF. O desconhecimento abre brechas para abusos e agressões ao patrimônio, protegido por lei.
![]() | |
| Puxadinhos: Operários erguem mureta e estrutura de imóvel comercial em avenida da cidade pioneira |
A Candangolândia tem 34 quiosques licenciados pela administração. Pela Lei nº 4.257/08, que trata da instalação de trailers e quiosques no Distrito Federal, essas estruturas podem ter até 60 metros quadrados, com exceção do Plano Piloto, onde as construções não podem ultrapassar 15m². Apesar de fazer parte da área tombada, a Candangolândia pode ter quiosques maiores, com as mesmas dimensões dos trailers de outras regiões administrativas.
Na entrada da cidade, uma tenda branca chama a atenção de quem chega à Candangolândia. Ao lado de um quiosque de lanches, há um toldo que cobre quase 100m² de área pública, onde foram fixadas dezenas de mesas e cadeiras de madeira. O empresário explora comercialmente o espaço mais movimentado da cidade e paga mensalmente uma taxa de apenas R$ 339,60.
O ex-administrador regional da Candangolândia João Hermeto, que se desincompatibilizou do cargo há quase dois meses, justifica a concessão do alvará ao quiosque. Ele conta que o dono do Café dos Estados, que funciona no quiosque, mantém uma cascata e o parquinho infantil vizinhos ao negócio como contrapartida.
"A cidade precisava de um espaço para atrair a comunidade, como uma praça de alimentação. E a Administração não teria condições de manter aquela estrutura. Aquele espaço antes era um ferro velho, de tão abandonado", justifica João Hermeto. "E as cadeiras e mesas podem ser usadas por qualquer um. Não é preciso consumir no quiosque", garante o ex-administrador, responsável pela concessão do alvará e da autorização para uso do espaço público na entrada da cidade.
Denúncias ao MP
Para o pioneiro Carlos Paulista, as justificativas não são suficientes. Ele já procurou o Ministério Público do Distrito Federal para reclamar da concessão de termos de utilização de áreas públicas a empresários da cidade. "Já procurei o governo e o MP. Tem gente enriquecendo enquanto o patrimônio da cidade é agredido", reclama.
Outra denúncia apresentada ao GDF pelo coordenador do Grupo em Defesa da Memória Candanga com relação à instalação de um depósito de material de construção em uma área de preservação. A região, chamada de Santuário Ecológico, é bem conhecida na Candangolândia. Funciona como um corredor verde ao longo do Córrego Riacho Fundo e de seus tributários, como o córrego do Guará e o Córrego Vicente Pires.
Apesar da relevância ambiental, a área de preservação — que no futuro vai virar um parque — tem hoje montes de areia e cimento. "Espero que o governo abra os olhos para o que está acontecendo na Candangolândia. Isso é um crime ambiental", reclama Carlos Paulista.
Faltam fiscais
O Iphan não tem fiscais para percorrer e controlar toda a área tombada do Distrito Federal. Quando recebe denúncias ou descobre infrações, o instituto checa as informações ou manda ofícios aos órgãos de fiscalização do governo. Para o superintendente do Iphan no DF, Alfredo Gastal, o maior desafio à preservação do patrimônio é informar a sociedade sobre o que é o tombamento(1). "A Candangolândia foi incluída na área tombada por causa da importância da cidade para a história de Brasília. É preciso manter a volumetria da região e, principalmente, mobilizar a população para preservar a área", explica Gastal.
O professor de arquitetura e urbanismo da Universidade de Brasília Frederico Flósculo concorda com o representante do Iphan. "É essencial que a comunidade conserve o patrimônio e proteja o tombamento. Infelizmente, a maioria das pessoas não sabe da importância dele, nem ao menos conhece os limites da área tombada", afirma o especialista. "Na Vila Planalto, quase tudo já está descaracterizado. O desafio agora é preservar a Candangolândia", finaliza Flósculo.
1 - Ato pela conservação
Tombamento é um ato administrativo realizado pelo poder público para preservar efetivamente, por intermédio de uma legislação específica, bens com valor material e cultural. Quando um bem é tombado, significa que foram reconhecidas sua importância histórica, cultural, artística, arquitetônica, ambiental e afetiva. Deve, portanto, ser conservado, protegido e restaurado, permanecendo preservado para usufruto de todas as gerações.
De
até
50 ANOS DE BRASÍLIAConfira caderno especial publicado pelo Correio |
ATHOS BULCÃOO artista que coloriu a capital da República com desenhos geométricos |
Esta matéria tem: (13) comentários
Autor: Lucas Silva
O que acontece na Candanga é uma vergonha. O povo constrói sem nenhuma dificuldade, à beira do rio, invadem calçadas, muram lugares errados... VERGONHA!!! | Denuncie |
Autor: marco aurelio santos
AGRESSÕES AO TOMBAMENTO, reflexo do GOVERNO RORIZ, q ainda INSISTE EM SER CANDIDATO da BAGUNÇA.chega do IMPÉRIO RORIZ,só mesmo INTERVENÇÃO FEDERAL!!! | Denuncie |
Autor: waldir silva
O DF tá sem comando deste os governos de Orroriz, invasão e ocupaçao irregular são marcas desses governadores assistencialistas, que só pensam em votos e em defender seus próprios interesses, o bem comum sempre ficará em segundo plano, o DF é terra de ninguém, INTERVENSÃO É A SOLUÇÃO, FORA ROSSO! | Denuncie |
Autor: Joracyario Rodrigues
(4) (Cont.) - totalmente construída de madeira, bem como a 1ª escola, a Júlia Kubitschek (reconstruída), que JK ergueu e deu o nome de sua mãe, d. Júlia. E também lá está, à entrada da cidade, o primeiro posto de combustíveis (com chapéu de cimento armado). A Candanga merece mais respeito, gente. | Denuncie |
Autor: Joracyario Rodrigues
(4) - (Cont). Uma grande injustiça praticada contra a Candanga, durante o aniversário de Brasília, é sempre lembrar-se do Núcleo Bandeirante como 1ª cidade. Não é, gente. Esse privilégio cabe à Candanga, que ainda hoje possui pérolas históricas, como a Igreja de São José Operário (1ª do DF) - (segue) | Denuncie |
Autor: Joracyario Rodrigues
(2) (cont.) Essa praça recebeu o nome de "Praça das Crianças", e muitas árvores ali foram plantadas, com os nomes daqueles que as apadrinharam. A Praça está lá, graças à vigilância e dedicação de Paulista, um símbolo vivo de determinação e amor à cidade. Cadê o título de Cidadão Honorário para ele? | Denuncie |
Autor: Joracyario Rodrigues
(2) (cont.) e ninguém se lembrou desse bravo cidadão, que até lançou, há tempos, um projeto, para que se pintassem bandeiras dos estados e da OEA em muros da cidade. Ele o fez. Inclusive, ao lado de sua casa, há uma praça, que fora abandonada, e que ele, a esposa e as crianças rejuveneceram. (segue) | Denuncie |
Autor: Joracyario Rodrigues
Quando se fala da Candanga, dos pioneiros, e de Carlos Paulista, não se pode deixar de elogiar esse paulista, nos seus 74 anos, sofrendo do Mal de Parkson, com deficiência auditiva, mas uma enorme coragem para defender a cidade que o acolheu. Tantos títulos de Cidadão Honorários foram dados (segue) | Denuncie |
Autor: Joracyario Rodrigues
(2) (Cont.) - até 2007, deu um impulso que ela não tivera, com muitas melhorias, inclusive o Ginásio de Esportes, orgulho da cidade, além de ter planejado a Av do Contorno, que somente há pouco foi efetivada. Mas há invasões, sim, e sempre se procurou combatê-las. Vamos ver agora se elas acabam. | Denuncie |
Autor: Joracyario Rodrigues
Em verdade, a Candanga é sempre esquecida, até porque a maioria pensa que o Núcleo Bandeirante é a 1ª cidade do DF. Mas não é. A Candanga surgiu um mês e 16 dias antes. Acolheu os candangos, cresceu com eles e depois foi tombada. Antes de João Hermeto, João Dantas, que a administrou de 1999 a (segue) | Denuncie |
Autor: marco aurelio santos
BRASILIA é A CAPITAL QUE APROVA TUDO QUE ESTÁ ERRADO.não se PREOCUPEM.A PIZZARIA BRASILIA FICA ONDE MESMO??? | Denuncie |
Autor: Marcello Barra
Este é resultado da falta de uma política de ocupação do solo que leve em conta os MAIS POBRES e a NATUREZA. Esse processo vem desde Aparecido, Roriz, Cristovan, Arruda. Todos estiveram preocupados em preservar a qualidade de vida para os ricos de Brasília. Nunca para os mais fracos.INTERVENÇÃO JÁ! | Denuncie |
Autor: isna isnatonete
Patrimônio Histórico Só o suficiente fotos é o bastante, o resto é atraso tem que construir coisas novas modernas o resto fica escrito, certo. | Denuncie |