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Acusado de receber propina, Bandarra deve ser afastado

Ana Maria Campos

Publicação: 23/05/2010 06:54 Atualização:

Depois de quatro anos à frente do Ministério Público do DF, o chefe da instituição, Leonardo Bandarra, tem apenas 40 dias pela frente para concluir o mandato. Mas é possível que não consiga passar o cargo para seu sucessor. Antes disso, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) deve instaurar processo administrativo disciplinar contra Bandarra e a promotora de Justiça Deborah Guerner, por falta funcional. A tendência é de que o procurador-geral de Justiça do DF seja afastado da função e encerre sua trajetória de sucesso até a Operação Caixa de Pandora com a suspeita de vazamento de informação privilegiada para beneficiar o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa.

O CNMP deu um prazo até a próxima sexta-feira para que Bandarra apresente uma defesa prévia contra as conclusões apontadas pela corregedora do MPDFT, Lenir de Azevedo. Em relatório encaminhado ao Conselho no dia 10, ela sustentou a existência de indícios fortes contra o procurador e, principalmente, contra Deborah, de má conduta no MPDFT. De acordo com o entendimento dos conselheiros, apenas esclarecimentos veementes e provas irrefutáveis apresentadas na defesa poderão reverter uma posição majoritária hoje no CNMP, de que o caso Bandarra deve ser tratado de forma exemplar. Com base no relatório da sindicância entregue por Lenir, pelo menos quatro dos 14 conselheiros (1)já manifestaram, em conversas reservadas, disposição de afastá-lo do cargo de chefe do Ministério Público do DF.

A expectativa é de que o corregedor nacional do MP, Sandro Neis, peça o afastamento do procurador-geral quando apresentar sua posição sobre o caso na próxima sessão. Se Neis não fizer isso, outro conselheiro deverá fazê-lo durante o julgamento. O argumento que tem se discutido no Conselho é o de que, se Bandarra é suspeito de vazamento, sua presença na chefia da instituição é constrangedora para os promotores e representa um risco para outras investigações. Ninguém aceita dar declarações oficiais sobre o caso até que a defesa de Bandarra esteja anexada ao processo. Mas esse tem sido o tom nos bastidores do CNMP.

O afastamento de Bandarra seria um dos atos mais contundentes do CNMP desde a sua criação como órgão de controle externo da conduta de promotores e procuradores. Procurador-geral do MPDFT, um dos ramos do Ministério Público da União, Bandarra sempre teve o apoio da classe e chegou a ser cotado para o cargo de procurador-geral da República, hoje ocupado por Roberto Gurgel, presidente do CNMP. Até outubro do ano passado, Bandarra chefiava o Conselho Nacional dos procuradores-gerais dos Ministérios Públicos dos estados e da União, entidade que reúne representantes de todo o país.

Sindicância
Ao acatar a sindicância da corregedora-geral do MP, Sandro Neis deu mostras de que concorda com as suas conclusões. Antes de tomar essa providência, ele poderia pedir novas informações para formar sua convicção, mas convenceu-se de que o trabalho de investigação de Lenir de Azevedo estava completo. Dessa forma, ele notificou Bandarra e Deborah Guerner para que apresentem defesa e, em seguida, marcará uma sessão para deliberar sobre o assunto na próxima semana. Se eles forem alvo de processo administrativo disciplinar, poderão ser punidos com advertência, censura, suspensão ou aposentadoria compulsória. Poderão ainda responder a ação de improbidade administrativa com possibilidade de resultar em perda do cargo, na hipótese de condenação transitada em julgado.

As conclusões da sindicância interna do MPDFT abateram Bandarra. Promotores o aconselharam a tomar a iniciativa de se afastar do cargo e evitar uma ação do CNMP nesse sentido, mas ele tem dito que tomar esse caminho representaria uma confissão de culpa que não tem.

Durante a sindicância, no entanto, outros depoimentos reforçaram, segundo a corregedora-geral, os indícios de que Bandarra e Deborah Guerner agiram de forma indevida. O ponto até agora considerado mais grave é o suposto vazamento da Operação Megabyte, uma ação que envolveu a Polícia Federal para cumprimento de mandados de busca e apreensão em prestadoras de serviço na área de informática suspeitas de participação em esquema de corrupção, além de empresas investigadas por indícios de lavagem de dinheiro.

Durval disse que soube, por meio de Deborah Guerner, com duas semanas de antecedência, os endereços da busca. Ainda de acordo com o ex-secretário, a promotora recebeu R$ 1,6 milhão pela informação sobre a Operação Megabyte.

1 - Impedida
Nomeada por Leonardo Bandarra para o cargo no Conselho Superior do Ministério Público (CNMP), a promotora Cláudia Chagas não tem votado no caso relacionado ao procurador-geral de Justiça do DF. Ela tem se considerado impedida de participar. Ex-secretária Nacional de Justiça na gestão do advogado Márcio Thomaz Bastos como ministro da Justiça, Cláudia apoiou a indicação de Bandarra nas duas vezes em que foi nomeada pelo presidente Lula.

Novo procurador será escolhido

Nesta semana, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) estará envolvido numa campanha para a escolha do novo chefe da instituição para o biênio 2010-2012. Termina amanhã o prazo de inscrições para a disputa à sucessão do procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra. Até a última sexta-feira, sete interessados já haviam se apresentado para a disputa: os procuradores Eduardo Albuquerque e Eunice Carvalhido, além dos promotores Carlos Alberto Cantarutti, Diaulas Ribeiro, Maurício Miranda, Mauro Faria de Lima e Ricardo Antônio de Souza.

Eles vão participar de eleição interna, na qual os 350 integrantes do Ministério Público do DF escolhem três candidatos. Em seguida, a lista tríplice é encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a nomeação do novo chefe do Ministério Público para os próximos dois anos, que deverá tomar posse em julho. Procurador-geral entre 2000 e 2002, Albuquerque tradicionalmente participa da eleição a cada dois anos. Promotor da Pró-Vida, Diaulas sempre é bem votado. Maurício Miranda, que atua como promotor do Tribunal do Júri de Brasília, também se candidatou nas últimas eleições. A votação está marcada para o dia primeiro de junho. Na próxima sexta-feira, os candidatos participarão de debate no auditório do Ministério Público do DF. (AMC)

 

Entenda o caso

» Ao se tornar colaborador do Ministério Público do Distrito Federal e da Polícia Federal no Inquérito nº 650, em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), conhecido como Operação Caixa de Pandora, Durval Barbosa pediu que o procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, não fosse comunicado do andamento das investigações. Ele afirmou na ocasião que Bandarra estava envolvido nas denúncias de um suposto esquema de corrupção no governo de José Roberto Arruda.

» Em vários depoimentos prestados ao Ministério Público Federal, Durval disse que pagou R$ 1,6 milhão para a promotora Deborah Guerner. O pagamento teria sido dividido em duas parcelas de R$ 500 mil e duas de R$ 300 mil, para ter acesso a informações privilegiadas. Dessa forma, ele teria sido comunicado previamente da Operação Megabyte, que faria busca e apreensão em sua casa e em várias empresas de informática. Durval também falou que Bandarra recebia mesada de R$ 150 mil de Arruda, além de supostamente ter sido beneficiado com pagamentos em decorrência de favorecimento a empresas de coleta de lixo.

» Com base nos depoimentos, o procurador regional da República Ronaldo Albo abriu procedimento criminal contra Deborah Guerner, no qual quebrou o seu sigilo telefônico. O caso também foi investigado em âmbito administrativo pela Corregedoria-Geral do Ministério Público do DF. Em relatório encaminhado no último dia 10 ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), a corregedora, Lenir de Azevedo, concluiu que há indícios fortes de falta funcional cometida por Bandarra e Deborah.

» Ao analisar o relatório, o corregedor nacional do MP, Sandro Neis, deu por encerrada a etapa da sindicância, intimou Bandarra e Deborah Guerner a apresentarem uma defesa prévia e marcará na próxima semana uma sessão do CNMP para decidir o próximo passo da investigação. Há expectativa de que seja aberto processo administrativo disciplinar contra os dois para apuração de responsabilidades.

Defesa na intranet

Na semana passada, Bandarra enviou aos colegas pela intranet uma mensagem sobre o episódio. Ele sustenta que, ao ler a íntegra do relatório da sindicância, conclui-se que não existe nenhum fato concreto contra ele. “Há registro apenas de ilações, conversas, imputações irreais e acusações provenientes, em sua maioria, de um réu confesso, como vem ocorrendo desde o início dessa verdadeira perseguição por que passo”, afirmou. Ele disse acreditar que no CNMP terá condições de esclarecer que as coisas não se passaram conforme relatadas e divulgadas.

“Relação promíscua”
No relatório, a corregedora-geral apontou que havia uma relação promíscua entre Bandarra e Deborah, que teriam trocado “intensa comunicação telefônica” na madrugada que antecedeu a Operação Megabyte. Na intranet do MPDFT, há relatos de que a quebra do sigilo telefônico de Deborah apontou mais de 500 ligações trocadas entre ela e Bandarra. Seriam cerca de 430 do telefone dela e mais de 100 do procurador-geral para a promotora, entre 2006 e 2009. Sobre esse assunto, Bandarra disse que os dois mantinham uma relação de amizade. “Sempre nutri pela Dra. Deborah, assim como em relação a diversos outros membros desta Casa, amizade construída ao longo de 15 anos de MPDFT e sempre falamos de assuntos institucionais e também comumente de assuntos pessoais, típicos das relações de coleguismo de relações de amizade”, explicou na rede. E garantiu nunca ter tratado da Operação Megabyte com a promotora ou com qualquer outra pessoa. (AMC)

Leia mais sobre política no DF no blog da Ana Maria Campo

Esta matéria tem: (24) comentários

Autor: Roberto E Duardo
A culpa é da PM??? | Denuncie |

Autor: Marcos Delessandro Martins
É BRINCADEIRA?! | Denuncie |

Autor: fernando lima
Coitada da D.Fabiana. Pela preocupação demonstrada deve ser a mãe do Bandarra. Pô meu, R$ 1.6 mil de uma vez mais R$ 150.000,00 mensais o crápula estava se lavando. Além de cana merece muita peia para criar vergonha. | Denuncie |

Autor: Manoel lopes
Eu foi vitima na votação das vans quando o Arruda se reuniu com o senhor Bandarra para dar a vitoria para o governo. | Denuncie |

Autor: Domingos Jubé
Diaulas é pros cocos,esse é cabra macho.BRASÍLIA vai tremer se ele for o novo Procurador Geral,UaU! Estamos torcendo,aí tem café no BULE! | Denuncie |

Autor: Guilherme Rbr
Magistrados e Ministério Público possuem uma legislação que os blinda contra investigações e condenações. E nas raras vezes que são condenados, recebem UM PREMIO: a aposentadoria compulsória com proventos integrais... Eles mesmo criaram uma legislação que os diferencia dos simples mortais... | Denuncie |

Autor: Domingos Jubé
Quem diria em DOUTOR BANDARRA? Parecia tão seguro nas falácias! Que vergonha para os seus pares. Se tivesse seguido as orientações dos pais não estaria passando essa vergonha NACIONAL. | Denuncie |

Autor: cladimir zanella
Isso é uma VERGONHA. Espero q esse VAGABA, travestido de defensor do POVO, não seja premiado com aposentadoria, paga por nós POVO. REPITO É UMA V E R G O N H A. Alguem tome posição. Senão não estarão sendo dignos de seus CARGOS. Ou renunciem se não tiverem capacidade de olhar para seus filhos. | Denuncie |

Autor: neide aguiar
Ficou indistinguível quem é porco e quem é homem.Tomara que a Justiça não haja como cão vira-latas que ladra mas não morde. Esse Bandarra tem que ser punido severamente para não denegrir de vez a imagem do MPDFT. | Denuncie |

Autor: Zorba D'grecco
MENSALINHO A AUTORIDADES CONIVENTES... * Segundo pesquisa existe UM MENSALINHO DE GABINETES a LAMSA BANCA FINANCEIRAMENTE C2 e AUTORIDADES TIPO PROCURADOR, PROMOTOR, JUIZ, DESEMBARGADOR, POLITICOS, no estilo MENSALINHO como se fosse a %u201CTAXA DO CALADÃO%u201D pra que essas autoridades e a OAB, SEF | Denuncie |

Autor: Francisco Vieira
E o dinheiro??? | Denuncie |

Autor: fabiana saba
Diaulas estou torcendo por você. Deus permita que vc consiga a função e por favor não mude quando estiver no poder, continue trabalhando em prol dos necessitados. | Denuncie |

Autor: fabiana saba
Dos candidatos ao cargo de Procurador Geral o merecedor é o promotor Diaulas, sempre trabalhando em prol da sociedade e se destacando na guerra do bem contra o mal. | Denuncie |

Autor: fabiana saba
Eu fico pasma das pessoas julgarem e condenarem alguém sem provas! A própria reportagem diz que somente há o relato de Durval sobre Bandarra, em quem acreditar mais, num indiciado ou num procurador. Bandarra vc é muito invejado!Deus te ajude! | Denuncie |

Autor: fabiana saba
Para se falar de um profissional sério é preciso ter provas contundentes, não apenas um depoimento. Vcs estão julgando e condenando antes da hora. | Denuncie |

Autor: fabiana saba
É muito prematuro queimar a imagem de alguém dessa maneira sem que hajam provas.Infelizmente isso tem se tornado uma constante. Temos que parar com isso ! | Denuncie |

Autor: fabiana saba
Leonardo Bandarra é bem conceituado pela população e não acredito que tenha recebido propina, segundo a propria lei todos são inocentes até que se prove em contrário e pelo visto não há provas, senão já teria sido afastado. Que Deus não deixe a injustiça prevalecer contra o Bandarra. | Denuncie |

Autor: waldir silva
Todos eles são assim, quando acusados de alguma coisa, se dizem perseguidos, esses promotores são promotores da corrupção e devem ser presos, espero que não sejam punidos com a aposentadoria, pois isso já aconteceu em outros casos, é uma verdadeira sacanagem se ocorrer, esses ladrões merecem e cana. | Denuncie |

Autor: Hildo Evaristo
Puna-o exemplarmente. Uma instituição com a história e respeitabilida _ MPDFT - não pode deixar de cortar na própria carne, sob pena da omissão custar caro diante a sociedade. O maior patrimônio de uma Instituição é: Credibilidade. Bandarra tem que ser punido antes de deixar o cargo do MPDFT. | Denuncie |

Autor: Hildo Evaristo
Tá explicado porque Bandarra e Arruda não apuraram minhas denúncias feitas há + de 03 anos (protocoladas MPDFT e Buitinga). Claro, não podiam, pois mantinham Relações Promíscuas. Detalhe: milhões de R$ envolvendo "poderosos". Arruda, foi a maior vergonha política. MP, estar acima do imoral Bandarra. | Denuncie |

Autor: deusdede gomes de oliveira
Que diferença, no executivo esses caras já teriam sido exonerados a bem do serviço público. No judiciário, vão se aposentar proporcional. Depois da vovó metralha ficar em casa ganhando, o resto é pirulito. São uns brincalhões. | Denuncie |

Autor: sergio batista
Esta Dra. Deborah é outra mal caráter.Pena que para juizes condenados a cadeia não existe. Pelo menos no Brasil. | Denuncie |

Autor: sergio batista
Se Bandarra for condenado, ainda vou ter de continuar pagando imposto, para sustentar esse meliante sem caráter. | Denuncie |

Autor: sergio batista
Bandarra sempre posou de heroi e justiceiro, a mascara caiu, como a de Arruda. Um vendido sem caráter. | Denuncie |

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