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MAUS-TRATOS

Aluno agredido por professora em escola pública recebe apoio psicológico

A criança inicia acompanhamento médico para tratar hiperatividade e possíveis consequências da humilhação sofrida em sala de aula

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postado em 18/06/2010 07:00 / atualizado em 18/06/2010 08:35

Naira Trindade

A professora presa por amordaçar e amarrar uma criança de 6 anos a uma cadeira dentro da sala de aula na Escola Classe Jardim Botânico foi afastada das atividades escolares sem data para retorno. Segundo a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF), a educadora vai responder a uma sindicância aberta pela rede e a um processo criminal por maus-tratos, constrangimento ilegal e submissão ao ridículo, aberto pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Especialistas avaliam que a atitude da docente é um retrocesso na educação escolar. Ontem, o menino teve a primeira consulta com o psicólogo que vai acompanhá-lo no tratamento da hiperatividade.

A caminho da primeira consulta do menino com um psicólogo, os pais da criança não conseguiam esconder a decepção. “Jamais imaginei que isso um dia fosse acontecer com o meu filho”, lamentou a mãe, que é balconista e tem 38 anos. O garoto é o único filho do casal, que mora em São Sebastião e está junto há 10 anos. Os pais nunca encostaram um dedo na criança. “Não precisamos bater para educar”, emendou o pai de 33 anos. Desde o início do ano, a professora acusada de agredir o aluno havia diagnosticado sintomas de hiperatividade no menino. Ele tem dificuldades em manter a concentração nas aulas, brinca e conversa com os outros estudantes, o que atrapalha o rendimento das aulas. Ciente do problema, há um mês, a mãe havia marcado uma consulta para buscar ajuda. O garoto já havia passado por uma triagem médica, mas a primeira visita estava prevista para ontem, um dia após ele ter sofrido a agressão na escola.

Processo
Os pais ainda não decidiram se vão processar a docente pelos maus-tratos cometidos contra a criança diante de todos os alunos da turma do 1º ano da Escola Classe Jardim Botânico. “Quero esfriar a cabeça antes de tomar a decisão”, revelou a mãe. Ontem, os colegas de classe demonstraram curiosidade e agitação com o ocorrido. Esse foi o primeiro caso de castigo severo registrado no centro de ensino, que conta com 498 crianças matriculadas nos turnos matutino e vespertino. O sociólogo e professor da Universidade Católica de Brasília Vicente de Paula Faleiros acredita que, apesar de assustadora, a atitude da professora não deve deixar traumas. “Foi uma ação eventual, não uma violência constante, portanto, não deve deixar sequelas. Mas é importante mostrar à criança que a ação é interpessoal e não institucional para que ela não tenha medo da escola”, explicou.

Para o professor, a atitude da educadora — que tem 32 anos de carreira e um currículo exemplar — retrocede ao tempo em que técnicas de castigo eram utilizadas para disciplinar os alunos. “Estamos na era do diálogo, quando a família e a escola devem se comunicar. No passado, os alunos tinham que se ajoelhar no milho, ficar de castigo no canto da sala ou receber a palmatória como forma de punição. Isso é um retrocesso”, completou.

Segundo o coordenador jurídico do Sindicato dos Professores do Distrito Federal, Washington Dourado, a docente está envergonhada e com problemas pessoais, o que pode ter influenciado a ação descontrolada. “Ela não quer dar entrevistas, mas vamos acompanhá-la durante todo o processo. Ela é exemplar, nunca teve problemas e, durante os 32 anos de profissão, quase não faltou ao trabalho preocupada em não comprometer a educação dos alunos. O Estado é responsável em não ter dado suporte ao aluno desde as primeiras reclamações dela, feitas no início do ano. Além disso, a professora também estava com problemas”, pontuou Dourado.

A educadora, que já foi indiciada, ficará longe da sala de aula durante o período em que a sindicância estiver em andamento. “Vamos fornecer acompanhamento para que ambos superem a situação. A atitude demonstra que ela não está em condições de dar aulas. Após o processo, vamos analisar a saúde dela, mas não há prazo previsto para o fim dos procedimentos”, concluiu a subsecretária de Educação Integral, Cidadania e Direitos Humanos da SEDF, Ivana Torres.

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