Um modelo de comércio on-line que virou febre nos Estados Unidos há menos de dois anos está desembarcando em Brasília. Três sites com o conceito de compra coletiva começaram a funcionar no último mês. A lógica adotada por eles é baseada na lei da oferta e da procura: se um mínimo estipulado de pessoas comprar os produtos ou serviços anunciados em um tempo estipulado, os participantes ganham descontos que vão de 50% a 90%.
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| A bióloga Lilian Pedrosa testou um dos sites e comprou comida japonesa pela metade do preço: "Quem não gosta de desconto?" |
Segundo dados do mercado norte-americano, que conta com mais de 100 sites de compra coletiva, esse modelo de negócios movimentou US$ 250 milhões somente no ano passado. Um dos sites pioneiros, o Groupon, criado em novembro de 2008, já investiu US$ 35 milhões e acumula 3,6 milhões de usuários cadastrados. Até dezembro, deve faturar US$ 77 milhões.
O Brasil e a capital do país estão na mira dos principais investidores do setor. Os internautas brasileiros são os que navegam por mais tempo na web em todo o mundo, de acordo com levantamento divulgado em março pela consultoria comSore. Além disso, no Brasil, o número de participantes em comunidades virtuais e microblogs supera a média mundial.
No início de junho, o site Citybest (
www.citybest.com.br) lançou a primeira oferta de compra coletiva em Brasília. Vendeu 500 temakis pela metade do preço em menos de cinco dias. A bióloga Lilian Pedrosa, 27 anos, soube da promoção por uma amiga e pagou R$ 5 em um lanche pelo qual costuma desembolsar R$ 10. “Quem não gosta de desconto? Vou acompanhar sempre o site”, diz ela, que espalhou a novidade entre os amigos.
Brasília foi a segunda cidade em que o Citybest se instalou no país. O grupo nasceu em Belo Horizonte e optou por começar a expansão fora do eixo Rio-São Paulo. “Brasília tem um público bem informado e conectado. A vida social também é forte. As pessoas são menos bairristas, não se incomodam em se deslocar em busca de novidades”, comenta Gustavo Borja, sócio-proprietário do City Best.
O Peixe Urbano (
www.peixeurbano.com.br), site pioneiro desse modelo no Brasil, lançou a primeira oferta na capital federal há duas semanas. Em três dias, 372 internautas garantiram uma massagem em um spa da cidade com desconto de 80% — de R$ 196 por R$ 39. “Brasileiro adora promoção e usa muito as redes sociais”, avalia Julio Vasconcellos, um dos sócios do Peixe Urbano.
TendênciaA advogada Fernanda Pavanello, 30 anos, soube da novidade oferecida por esses sites em uma comunidade virtual. Logo comprou um ingresso de cinema — que não custa menos do que R$ 15 a inteira — por R$ 3,60. “Não sou de comprar só porque é mais barato. A proposta é boa porque os sites oferecem descontos de produtos que já tenho o costume de consumir”, comenta.
Como toda novidade, o conceito de compra coletiva deve levar um tempo para ser difundido. Mas os investidores acreditam que há uma tendência consolidada. “Não tem como dar errado. O modelo está revolucionando a internet em todo o mundo. Aqui não será diferente”, avalia Marcelo Macedo, do site ClickOn (
www.clickon.com.br), que, em Brasília, foi lançado na última segunda-feira.
Quem aposta no novo modelo defende que ele tem o poder de movimentar a economia local. O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Distrito Federal (Abrasel-DF), Sérgio Zulato, gosta da ideia, mas diz que os empresários precisam fazer bem as contas antes de fechar parceria com esses sites. “Não adianta vender muito mais barato e não conseguir cobrir os custos”, adverte.
Para os internautas, a dica do presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), José Geraldo Tardin, é ficar atento às contrapartidas do desconto oferecido. Mesmo com a promessa de devolução do dinheiro caso a promoção não seja validada, ele sugere: “É bom que o consumidor teste o modelo comprando um produto mais barato”.
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