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Parque da Cidade sofre com o descaso

Apesar das recentes obras, principal ponto de lazer dos moradores do Plano Piloto exibe lixo, mau cheiro e equipamentos quebrados, como bancos e banheiros

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postado em 16/08/2010 08:33 / atualizado em 16/08/2010 08:59

Diego Amorim

Um dos principais pontos de lazer do brasiliense continua dando sinais de esquecimento. Apesar de recentes obras como a revitalização das churrasqueiras e das quadras poliesportivas, frequentadores do Parque da Cidade cobram mais atenção à área verde de 400 hectares. Com saudades do pedalinho, do bicicletário e da piscina de ondas que um dia funcionaram no local, o público reclama de sujeira, mau cheiro próximo aos lagos, bancos e chuveiros quebrados, além do tamanho da pista onde pedestres e ciclistas disputam um espaço cada vez mais concorrido. Ao exigir novos bebedouros, sinalização, segurança e iluminação, quem passeia por ali não tem dúvidas de que o parque é subaproveitado.

Na manhã de ontem, o Correio percorreu vários pontos do local. Há muito lixo espalhado nas margens da pista de cooper, inclusive em frente à administração. Em volta das lixeiras, sacos se acumulam à espera da coleta. Bancos próximos ao conhecido Quiosque do Atleta estão rachados, com ferros à mostra. No local destinado a três chuveiros, apenas um resistiu à ação de vândalos. Nos banheiros, que passaram por melhorias no ano passado, falta papel higiênico e sobram pias, portas e azulejos quebrados. A maioria dos borrifadores de água, muito procurados durante o período de seca, não funciona.

Ao redor do lago que durante anos abrigou os pedalinhos, o mato está alto. Na água, boiam sacos e garrafas plásticas. O lugar onde eram vendidos os bilhetes para o passeio agora é uma construção abandonada, que fede a urina e muitas vezes acabada servindo de depósito para ambulantes. “É uma pena ver um lugar maravilhoso como esse descuidado. Eu andava de pedalinho aqui e era algo superagradável”, recordou, com saudosismo, o servidor público Laviere Gomes da Rocha, 45 anos, acompanhado da mulher, Viviane Santana da Rocha, 33. “Falta segurança também. Só venho caminhar aos sábados e aos domingos porque sei que é mais movimentado. Durante a semana, não me sinto segura”, completou.

Antonio Cunha/Esp.CB/D.A Press
O número de frequentadores aumenta em até sete vezes nos fins de semana. Ao longo de um domingo, por exemplo, chegam a circular 7 mil pessoas pela pista de quase 7m de largura. Apenas a sinalização no chão, quase apagada, separa pedestres de ciclistas. “É preciso, pelo menos, dobrar o tamanho dessa pista. Do jeito que está, não há segurança. Já presenciei vários acidentes, envolvendo crianças, inclusive”, comentou o empresário Euvaldo Marques, 58 anos, morador da Asa Sul e frequentador assíduo do parque. Sobre a sujeira, ele acredita que falta o básico: educação. “A gente vê as pessoas jogando papel no chão. Falta conscientização nesse caso.”

Perigos
Com exceção do parque Ana Lídia, os demais espaços de diversão para as crianças carecem de reforma. Há parques infantis com madeiras soltas e brinquedos enferrujados. “A gente percebe as melhorias, mas muitos pontos estão abandonados. A piscina de ondas é uma delas. Eu daria nota 6 ou 7 para o parque”, avaliou o professor universitário Sérgio Figueiredo, 44 anos, que costuma correr ali nos fins de semana. Ele defende que o local precisa cuidar mais de sua imagem. “Quem vem de fora não sabe o que o parque oferece. Não há uma sinalização eficiente.”

A piscina de ondas, desativada em 1997, foi durante 20 anos um dos lugares mais concorridos do parque. Com capacidade para 1,6 milhão de litros d’água, tinha ondas artificiais de até 1m de altura. Hoje, o lugar está às moscas, acumula água parada e tem paredes destruídas. O estacionamento mais próximo é tão deserto que virou espaço para jovens andarem de patins. A estrutura em que ficavam as bicicletas para aluguel também está desativada e depredada. O trenzinho, usado para transportar visitantes, deixou de rodar há mais de uma década. Promessas para retomar essas atrações nunca saíram do papel.


Administrador reconhece falhas


O administrador do Parque da Cidade, Rivaldo Paiva, reconhece falhas na estrutura, mas diz que, nos últimos dois anos, o local passou por um intenso processo de revitalização. “O ideal do parque ainda não foi atingido, mas estamos trabalhando para isso”, afirmou. No fim do ano passado, lembra ele, houve um investimento de

R$ 200 mil para reformar churrasqueiras e banheiros. O dinheiro também foi usado para pequenos consertos, como o de alambrados. Mais R$ 400 mil possibilitaram que 26 quadras poliesportivas e sete campos de futebol voltassem a ser frequentados. “Agora, com o apoio da CEB (Companhia Energética de Brasília), estamos iluminando esses lugares”, informou.

A responsabilidade pelo parque envolve diversos órgãos do governo, como o Sistema de Limpeza Urbana (SLU), a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), a Administração de Brasília, a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) e a CEB. Do quadro de funcionários do parque, apenas cinco pessoas cuidam da manutenção. Quatro carros e quatro motos fazem ronda no local durante 24 horas. Há ainda oito postos fixos de segurança, onde vigilantes terceirizados se revezam. Alguns estacionamentos são usados como pontos de prostituição durante à noite. Neles, jovens geralmente se reúnem para beber.

O administrador conta que atrações como o pedalinho, o bicicletário e a piscina de ondas funcionavam sob o comando da iniciativa privada. A reativação desses lugares depende, portanto, de gente interessada em explorá-los. “A piscina de ondas, por exemplo, exige um custo muito elevado. É preciso estudar bem a viabilidade dela”, disse. Até o fim deste ano, Paiva pretende ver concluído o processo de licitação para pontos comerciais do parque. “Sobre o tamanho da pista de cooper, estamos discutindo. Mas, de qualquer forma, vamos melhorar a sinalização”, adiantou. Ele diz ainda que os 21 para-raios do parque foram consertados no ano passado. E fez questão de lembrar da reforma recente do Parque Ana Lídia. “Os outros parques infantis estão em manutenção constante”, garantiu. (DA)


Eu acho...

“Frequento o parque desde criança e fico triste ao ver o estado deplorável em que ele se encontra. O parque não tem a atenção que merece. É uma área maravilhosa, grande, mas malcuidada, poderia ser bem melhor aproveitada”.
Hevandro Gaze, 43 anos, servidor público, morador da Asa Norte

“O parque é muito acolhedor, mas carece de uma melhor infraestrutura. Os banheiros cheiram mal desde cedo. Há pouquíssimos bebedouros espalhados pela pista de cooper e falta segurança. Não arrisco passear aqui durante a noite, não é recomendável”.
Luciana Ribeiro, 30 anos, bancária, moradora de Taguatinga

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