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Com seca, mananciais do DF dão sinais de que é preciso economizar água

Mara Puljiz

Publicação: 02/09/2010 07:00 Atualização:

A estiagem (1) de quase 100 dias no Distrito Federal está afetando mananciais, rios e até o Lago Paranoá. Preocupada com os níveis baixos de água, a Agência Reguladora de Água, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) emitiu alerta para que a população economize água e evite o desperdício. No Lago Paranoá (2), o volume chegou a ficar 30 centímetros abaixo do ideal, calculado a partir do nível do mar de mil metros. O índice está entre as piores médias registradas nos últimos 12 anos. No último dia 23, a cota caiu para 99,70 metros, pouco mais do mínimo exigido pela Adasa, que é de 99,50 metros. Por causa dos riscos de a água atingir níveis críticos, a Companhia Energética de Brasília (CEB) decidiu paralisar as atividades dos geradores até o próximo dia 20, quando eles voltarão a funcionar com potência reduzida.

Hoje a situação do lago se compara à de 2000 e 2007, quando o nível ficou abaixo do ideal. Quem frequenta o local, assusta-se com o que vê. “Além da sujeira, tem pouca água e animais mortos. É muito triste”, disse o biólogo Victor Andrade de Araújo. Ontem, a reportagem do Correio encontrou uma tartaruga morta à beira do lago, próximo ao Morro da Asa Delta, na QL 11 do Lago Sul. “Com o nível baixo de água, diminui o habitat dos animais e a competitividade por alimento também aumenta. Somada à grande quantidade de lixo, o problema só se agrava”, explicou o biólogo.

Além das consequências ecológicas, o reserva é responsável por 2% do abastecimento de eletricidade na capital, mas de acordo com o diretor da CEB, Hamilton Naves, a população não deverá ser prejudicada. “Não há nenhum risco para o consumidor, uma vez que podemos suprir essa demanda com as linhas de transmissão de Furnas e as usinas de Corumbá III e IV”, afirmou. Segundo ele, os geradores de energia do Lago Paranoá não eram paralisados há pelo menos cinco anos. “Como o nível da água estava abaixo do ideal e não há previsão de chuvas, preferimos parar a geração. Assim, vamos aproveitar para fazer manutenção das máquinas e voltar a gerar energia sem deixar o volume abaixar e chegar a níveis críticos”, acrescentou.

Ao todo, 40 bacias estão sendo monitoradas. O cuidado é para que a quantidade mínima de vazão seja mantida. Além do Lago Paranoá, a Bacia do Descoberto, responsável pelo abastecimento de 65% do DF, também reduziu ao mínimo a vazão de água. Para amenizar a situação, grupos de trabalho têm se empenhado em reflorestar a área.

Produtores
Em Planaltina, cerca de 400 produtores rurais do Núcleo Rural Santos Dumont estão tendo obrigados a economizar água desde ontem. Por determinação da Adasa, os usuários da bacia do Pipiripau restringiram o uso de todos os corpos hídricos que compõem a bacia. A finalidade é garantir o abastecimento aos moradores da cidade. São cinco pontos de controle da agência reguladora, espalhados às margens da BR-020, próximos à estação Águas Emendadas, nascente do Rio Taquara e do canal Santos Dumont. Com isso, os agricultores terão horário para utilização do recurso hídrico nas lavouras.

O revezamento ocorrerá a cada seis horas. “A gente pede que a população contribua e faça também o uso racional da água, diminuindo gastos necessários. Precisamos antecipar a restrição do uso para não precisar fazer um racionamento completo”, explicou o superintendente da Adasa, Diógenes Mortari. Por causa da seca, a agência reguladora também tem feito o cadastramento de produtores rurais pelo site www.adasa.df.gov.br. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3961-4963.

1 - Previsão
Há 97 dias não chove no DF. Segundo meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a expectativa é de que a estiagem termine na segunda quinzena de setembro. A seca pode ser prolongada, mas que não deve passar de outubro. O máximo que o DF ficou sem chuva foram 164 dias, em 1963. Em 2008, a seca terminou em 30 de agosto, já no ano passado, choveu em julho e agosto, antes do previsto.

2 - Umidade
É um lago artificial, criado na época da construção de Brasília durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek. É formado pelas águas represadas do rio Paranoá e tem 48 quilômetros de extensão e profundidade média de 38 metros. O Lago Paranoá conta ainda com praias artificiais, como a Prainha e o Piscinão do Lago Norte. Ele foi criado com o objetivo de aumentar a umidade em suas proximidades.

Acidente com embarcação
Uma vela afundou por volta das 17h30 de ontem no Lago Paranoá. O acidente ocorreu na altura da QL 11 do Lago Sul, próximo ao Morro da Asa Delta. Dois velejadores se jogaram na água ao perceber que a haste, necessária para movimentar a embarcação, havia quebrado. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas mas ninguém se feriu.

Esta matéria tem: (2) comentários

Autor: Jose Maria Camargo
Teve um governador que disse que o DF teria água POTÁVEL para pelo menos 100 anos! Será que era mentira ? Passou a propaganda muitas vezes na televisão! Será que alguém sabe que era o então Governador ? O atual Governo tampão deve desconhecer esta valiosa informação!!! | Denuncie |

Autor: Jose Maria Camargo
Vamos continuar inchando Brasília, o DF e o entorno. Não haverá água para todos e teremos os mesmos problemas de grandes cidades que cresceram de forma desordenada pensando do DINHEIRO! Quem sofre depois é a população pois os empreiteiros e deputados, vão tomar água importada! | Denuncie |

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