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Obra inacabada será demolida para dar lugar a um hotel de luxo

Helena Mader

Publicação: 06/09/2010 07:27 Atualização:

Abrigo de mendigos e ponto de tráfico de drogas. Essa é a referência atual do último esqueleto da área central de Brasília, que será implodido no próximo dia 19. A construção inacabada no Setor Hoteleiro Norte está abandonada há 17 anos e virou motivo de críticas constantes de arquitetos e urbanistas. Os especialistas são unânimes em afirmar que a obra parada enfeia e agride o tombamento da cidade. Após a implosão da estrutura de concreto, um moderno e luxuoso hotel será construído no terreno, um dos mais valiosos e bem localizados da capital federal.

Em 2007, três esqueletos foram demolidos e deram lugar a novos empreendimentos. Também houve a retomada de obras paradas e abandonadas, que haviam se tornado rota de fuga de bandidos. Mas o hotel inacabado permaneceu no centro de Brasília. A área era objeto de disputa entre herdeiros dos antigos donos do terreno, que não se entendiam sobre o destino da herança — deixada por uma família de Bauru, município do interior de São Paulo. No ano passado, o irmão de um dos herdeiros comprou a parte dos outros e conseguiu deixar a área pronta para a venda. Este ano, a construtora JC Gontijo fez uma proposta e levou o terreno por R$ 25 milhões.

A estrutura de alvenaria não está comprometida, mas como o projeto inicial é muito diferente do que a empresa pretende erguer agora, a JC Gontijo preferiu demolir o esqueleto para começar do zero a nova construção. “Esse projeto ficou defasado e não é mais compatível com a realidade do mercado. Nossa ideia é fazer um hotel moderno, com arquitetura arrojada, que será muito importante para Brasília durante os grandes eventos, como a Copa do Mundo”, afirma o diretor da JC Gontijo, Rodrigo Nogueira.

A estrutura que se ergue no Setor Hoteleiro Norte será demolida em um domingo para evitar transtornos (Iano Andrade/CB/D.A Press )
A estrutura que se ergue no Setor Hoteleiro Norte será demolida em um domingo para evitar transtornos
Grandes empresas de hotelaria já procuraram a construtora, interessadas em ter um hotel da marca em Brasília. Segundo a JC Gontijo, estão sendo feito contatos com representantes de grupos como o Accor, Hyatt e Fasano. “Mas não vamos ignorar propostas de grupos locais, como o Hplus, que também nos procurou. Aquele terreno é hoje o melhor ponto de Brasília, principalmente para construir um hotel, que necessita de facilidade de acesso”, explica Nogueira. “De segunda a quinta-feira, a maioria dos hotéis da cidade fica lotada. A cidade precisa de novos empreendimentos, há demanda para isso”, acrescenta o diretor da JC Gontijo.

O projeto arquitetônico do novo hotel foi apresentado à Administração Regional de Brasília e a expectativa é de que a obra seja lançada até 1º de outubro. Até lá, a construtora vai anunciar qual empresa administrará o hotel e qual bandeira ele receberá para atrair investidores para o projeto. A JC Gontijo guarda segredo sobre o nome do futuro empreendimento — já definido — e também a respeito do tamanho e número de quartos do hotel. A obra deve levar cerca de 30 meses para ficar pronta.

Custos
A construtora não divulga quanto vai pagar pela implosão do esqueleto do Setor Hoteleiro Norte, mas garante ter feito um acordo para reduzir o valor, já que a empresa responsável pela demolição vai reaproveitar o entulho em projetos de reciclagem. No caso da implosão do edifício abandonado do Setor de Clubes Sul, realizada em 2007, o custo foi de R$ 200 mil, pagos pelo Governo do Distrito Federal. À época, os técnicos usaram 150kg de explosivos que, no fim, geraram 16 toneladas de entulho.

A demolição do prédio abandonado no Setor Hoteleiro Norte será realizada às 10h de um domingo, para minimizar os transtornos, como possíveis alterações no tráfego de veículos. Os funcionários e hóspedes de hotéis vizinhos serão obrigados a evacuar todos os prédios, por medida de precaução. O trânsito na região deverá ser alterado para que ninguém passe próximo ao local no momento da implosão. Por precaução, toda a estrutura será protegida por uma rede feita de material sintético para impedir que parte do entulho seja arremessado a grandes distâncias e provoque estragos.

O superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Alfredo Gastal, comemora a implosão do hotel inacabado e diz que a medida é importante para a revitalização da área central. “Há cinco anos, Brasília parecia uma cidade fantasma, com esqueletos por toda a parte. Esse edifício abandonado do Setor Hoteleiro é o último que restou e é muito bom saber que ele vai sumir finalmente da paisagem”, diz Gastal.

Para a secretária de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Eliana Bermudez, o fim dos esqueletos no Plano Piloto e em Brasília representa a preservação do patrimônio e a revitalização dos espaços públicos. “Com a implosão do prédio do Setor de Clubes Sul, por exemplo, hoje é possível ter uma vista bem melhor do Lago Paranoá. A demolição ou a restauração de edifícios abandonados traz renovação à cidade. Muitos desses esqueletos representavam motivo de insegurança para a comunidade”, afirma Eliana.

Confira outros esqueletos que também foram demolidos e recuperados e o que ocorreu nas proximidades dessas regiões depois da implosão.

Às margens do lago, uma afronta ao tombamento
Em 1987, uma filial do badalado hotel Caesar Park começou a ser construída no Setor de Clubes Sul, às margens do Lago Paranoá. A construtora Guarantã, responsável pela obra, faliu e a edificação nunca foi retomada. O esqueleto, que tinha 38 metros acima da altura máxima permitida para o local, foi vendido, mas, como feria o tombamento, não pôde ser finalizado.

Durante quase 20 anos, Brasília conviveu com as ruínas do Predião, como era conhecido o esqueleto. Em 2007, quando assumiu o governo, José Roberto Arruda determinou, como uma de suas primeiras medidas, a implosão da estrutura. Em 22 de janeiro do mesmo ano, 16 toneladas de concreto foram para o chão, o que custou R$ 200 mil ao governo local.

Depois da demolição, vai dar lugar a um conjunto de prédios de apart-hotel. As construtoras Antares e Odebrecht estão vendendo apartamentos com área entre 34,43m² e 122,58m². A valorização e o grande interesse do mercado demonstram como a retirada do esqueleto revitalizou a região. Quase todas as 750 unidades foram vendidas em menos de dois meses, a um preço médio de R$ 10 mil por metro quadrado. Com isso, até mesmo os proprietários da vizinha Academia de Tênis estudam propostas para vender o espaço, que também seria destinado a novos empreendimentos.

Primeiro hotel recuperado, depois de 28 anos
Na madrugada de 5 de agosto de 1978, um incêndio destruiu o mais antigo e mais tradicional hotel da capital federal. O Brasília Palace, que abrigou personalidades e grandes eventos, ficou em ruínas depois de ser consumido em chamas. Projetado por Oscar Niemeyer em 1956 e inaugurado dois anos depois, o hotel era belamente decorado por dois grandes painéis do artista Athos Bulcão. O edifício foi o point de festas, shows e peças teatrais nos primeiros anos da capital federal.

Depois do incêndio, o esqueleto ficou abandonado às margens do Lago Paranoá durante 28 anos. A partir de 2005, as organizações Paulo Octávio investiram mais de R$ 22 milhões para recuperar o prédio, mantendo as mesmas características arquitetônicas do edifício original. A construtora não precisou demolir a carcaça de concreto. Mas houve reforço na estrutura para manter os três andares e o pilotis. O Brasília Palace foi reinaugurado em setembro de 2006, com um evento que contou com a participação de mais de 40 pioneiros da cidade.

De ruínas a shopping de luxo
Em uma das regiões mais nobres de Brasília, um esqueleto prejudicou a paisagem urbana durante quase 20 anos. Projetada para abrigar um shopping, a edificação foi paralisada depois que o governo reclamou a propriedade do terreno. O empreendimento estava sendo feito pelos empresários Luiz Estevão e Sérgio Naya, que se uniram às organizações Paulo Octávio. Depois da paralisação da obra, o local virou abrigo de lixo e mendigos.

Em 10 de abril de 2007, o esqueleto foi implodido depois de um acordo com o governo. Pela negociação, o custo de R$ 350 mil da demolição ficou com os antigos empreendedores. No local, foi construído um novo e luxuoso centro comercial, o Shopping Iguatemi Brasília. Os empreendedores estimam faturar R$ 250 milhões somente no primeiro ano de funcionamento. A instalação do negócio na entrada do Lago Norte alavancou os preços de imóveis no bairro, principalmente no Centro de Atividades, vizinho ao shopping.

Esqueleto dá espaço a escritórios e estacionamentos
No Setor Comercial Sul, ao lado do Parque da Cidade, um esqueleto abandonado deu lugar a três torres de escritórios, que geraram investimentos de mais de R$ 300 milhões. O projeto do edifício que abrigaria o centro comercial Bi Ba Bô ficou abandonado durante quase 15 anos, até ser demolido em fevereiro de 2007. O gasto de R$ 420 mil com a implosão foi arcado pelos empreendedores.

Hoje, as torres de escritórios estão prontas e têm salas comerciais com sedes de empresas e também de órgãos públicos. Os sete andares de garagens ajudaram a reduzir o deficit de vagas na área central de Brasília e aliviaram o trânsito do Setor Comercial Sul.

Esta matéria tem: (10) comentários

Autor: dyone nascimento
atem que em fim irão retirar aquele esconderijo de marginais. | Denuncie |

Autor: marcos sousa
Alguém vai ganhar e muuuittooo com esta implosão. Duvido muito se por trás da empresa laranja não estão P.O., Luiz Estevão e outras figuras carimbadas de Brasília !Aí tem ! | Denuncie |

Autor: Lázaro Gregorio
Finalmente vão limpar aquela sujeira! Agora: 1. Gustavo: tem razão. Precisa demolir aquela coisa triste. 2. Pousada na W3 Sul nem pensar. Brasília é uma cidade. 3. Se a JC quer demolir e vai pagar (está na matéria) não é da nossa conta. 4. Guará paliteiro c/ poucos prédios de 11 andares? Fala sério! | Denuncie |

Autor: André Pelegrini
Heliete, o PDOT foi aprovado por compra de deputados, é inconstitucional, ou seja, os moradores do Guará tem que se juntar e pedir na justiça limites para construções, é dificil por abaixo as q começaram, mas podem evitar novas aberrações. Mandado de segurança pelos cidadãos! Salvem sua cidade! | Denuncie |

Autor: Anilton Moccio
17 anos para tomar a decisão, nossos administradores não são nem do 3º mundo. | Denuncie |

Autor: Heliete Bastos
pela SEDUMA que afrontam o tombamento como todos esses apartamentos disfarçados de apart à beira do Lago, privatizando a orla? O que dizer, senhora Secretária?E a mudança de gabarito do Guará que permitiu aquele escândalo ao lado do shopping? E o resto do Guará que futuramente será um paliteiro? | Denuncie |

Autor: Heliete Bastos
Me dá vontade de gargalhar quando ouço dizer que o empreendimento à beira do Lago, onde estava o esqueleto do hotel, será um apart-hotel.Me engana que eu gosto.Se a preservação do patrimônio, como afirma a Secretária, se resumisse à demolição de esqueletos, estaria tudo bem. E os projetos aprovados.. | Denuncie |

Autor: marcos paiva
Quanto custa esse esqueleto?, quem vai pagar a conta? será que esse predio não poderia ser reformado ou restaurado? | Denuncie |

Autor: Tiago schultz
enquanto isso as pousadas que serviriam de hotel para quem não pode pagar muito são fechadas em nome do absurdo tombamento da feiúra que são aquelas casas na w3 sul. Porque não demolir aquelas casa, após idenizações, e fazer ali uma rua de pousadas e hoteis de 3 estrelas p. quem ñ pod pagar o luxo... | Denuncie |

Autor: Gustavo Taveira
Jah está passando da hora de colocar abaixo um esqueleto metálico aqui no Pistão Sul. Desde da minha infância que eu presencio essa carcaça abandonada por aqui. Lah está servindo de abrigo pra famílias sem teto, ponto de tráfico, uso de drogas, esconderijo de bandidos, etc. | Denuncie |

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