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Flores cultivadas no Centro-Oeste podem compor arranjos de grande beleza A temporada da seca não atrapalha essa produção. Brasília, hoje, é o terceiro maior mercado consumidor de plantas do país. Com mais de 1.600 espécies catalogadas, o cerrado vira um celeiro de espécies ornamentais

Roberta Machado

Publicação: 09/09/2010 07:49 Atualização: 09/09/2010 09:19

Nos tempos em que o ar seco e o calor castigam os jardins da capital, o brasiliense acostumado ao verde espera ansiosamente a chuva chegar para colorir novamente os gramados. Enquanto o clima não colabora, aproveitar as espécies de flores cultivadas no Distrito Federal para produzir arranjos pode ser uma boa aposta na durabilidade e na originalidade. Mesmo com a baixa umidade, a produção floral no cerrado continua em alta, e sem perder a qualidade.

Não se pode negar que os brasilienses gostam de flores, afinal a cidade é o terceiro maior mercado consumidor do produto no país. De acordo com dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), o nicho movimenta cerca de R$ 130 milhões por ano — desse montante, 20% representam a parcela de plantas produzidas no DF e no Entorno. A fatia correspondente às flores brasilienses pode parecer pequena, mas o crescimento do mercado tem sido rápido. Em 2008, esse percentual era de apenas 7%.

Os produtores de Brasília têm crescido e se diversificado bastante nos últimos anos. São ao todo 1.600 espécies de plantas superiores produzidas no quadrilátero. Todas foram adaptadas ao clima local para comercialização, pois as plantas naturais do cerrado ainda não são usadas para arranjos florais. “Entre as plantas nativas do cerrado, o mercado praticamente só produz árvores. As flores ainda são objetos de pesquisa, a gente nem sabe quanto tempo elas durariam”, explica a engenheira agrônoma Carmem Regina Araújo. Seja por falta de conhecimento ou para agradar ao consumidor, a produção brasiliense não é muito diferente da de outros mercados, mas certas seleções foram feitas para garantir a sobrevivência do investimento. “Alpíneas, bromélias e orquídeas duram mais que rosas ou outras plantas de climas temperados”, exemplifica a especialista.

Mesmo no meio do cerrado, essas espécies sobrevivem bem com certas adaptações nas condições de cultivo, como a climatização e o fornecimento de água de acordo com as necessidades de cada planta. “Pelo conhecimento necessário, o mercado é mais apto a produzir flores do campo, pois elas não exigem tantos cuidados especiais. Mas praticamente todas as flores são bem aceitas, e agora também produzimos espécies mais nobres”, constata Joaquim Pereira dos Santos, presidente do Sindicato de Flores e Plantas, Açougue e Peixaria, Hortifrutigranjeiros e Minimercados do DF (Sindigêneros). As noites frias e o clima seco do cerrado podem na verdade ser uma vantagem para a produção floral: a umidade é o ambiente favorável à proliferação de bactérias que causam doenças, o que faz das flores de Brasília plantas tradicionalmente mais saudáveis.

Direto do produtor
O maior diferencial de ter o mercado produtor próximo do consumidor, segundo Joaquim, é o frescor com que o produto chega às lojas. Sem ter de enfrentar a viagem para as prateleiras, as flores produzidas em Brasília ganham até um dia a mais de duração. A planta importada também tende a estragar mais rapidamente, por sofrer mais com a adaptação ao clima da cidade. “As flores de Brasília são muito boas, saem do campo e vêm direto para a loja, sem passar por câmaras frias”, acrescenta o presidente do sindicato. Nas floriculturas, é cada vez mais fácil encontrar as flores cultivadas na terra vermelha do Centro-Oeste. Os vendedores, que antes davam preferência ao status das plantas importadas, mudaram de fornecedores e passaram a vender também as espécies locais. “Elas são mais baratas e a qualidade é melhor. Algumas flores vindas de fora estragam no transporte, não tem nem como vendê-las”, avalia Juvenal Rodrigues, gerente de uma floricultura.

A má notícia é que, entre todas essas espécies, a que menos se adaptou às condições do DF foi justamente a favorita dos apaixonados: as rosas produzidas na capital ainda não têm a mesma qualidade das importadas de São Paulo. De acordo com Joaquim Pereira Santos, uma estufa climatizada para a produção dessa flor pode custar até R$ 8 milhões, investimento que o mercado em crescimento de Brasília ainda não tem como bancar.

“A rosa é o carro-chefe da floricultura mundial, e o Brasil segue o mesmo padrão do mundo. Temos que trabalhar para tirar esse processo cultural da população de que a rosa é a mais bonita”, acredita Cleison Duval, coordenador do programa de floricultura da Emater. Segundo ele, não faltam opções para substituir o tradicional buquê de rosas vermelhas. “Alguns especialistas dizem que a strelitzia produzida no DF tem uma coloração mais bonita, e a boca-de-leão daqui também tem tido uma qualidade excepcional. A gente tem se surpreendido com essa qualidade”, aponta.

BELEZAS NATURAIS
Algumas flores que se adaptaram bem ao cerrado:

Helicônia
Gérbera
Orquídea
Bromélia
Lisianto
Copo-de-leite
Boca-de-leão

Passo a passo


A florista Clarice Valente Aragão ensina como fazer um arranjo durável com flores produzidas no Distrito Federal:

1 -
Molhe um bloco de espuma floral e o coloque em um vaso. A espuma mantém a umidade sem a necessidade de trocar a água diariamente, e isso evita o apodrecimetno do arranjo. No caso de cachepôs de madeira ou palha, use um plástico para evitar que a umidade passe para o material. Encharque a espuma com mais água.





2 -
Espete galhos de folhagens como a cheflera, planta que pode ser cultivada em qualquer jardim do DF. Use as folhas para esconder a mecânica do arranjo, isto é, a espuma e o plástico. Se quiser, crie ângulos com galhos de junco, outra planta muito resistente.




3 -
Corte as hastes das flores na diagonal, para que seja maior a área de absorção de água da planta. Faça o corte imediatamente antes de colocá-la na espuma — se a ponta da haste secar, a flor não será capaz de absorver a umidade. No caso do girassol, uma opção é usar um arame nº 18 para evitar que a haste se dobre.




Enquanto um arranjo de rosas colombianas de R$ 95 dura cinco dias, um buquê de flores do campo do DF leva uma semana para murchar - e só custa R$ 75 (Daniel Ferreira/CB/D.A Press
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Enquanto um arranjo de rosas colombianas de R$ 95 dura cinco dias, um buquê de flores do campo do DF leva uma semana para murchar - e só custa R$ 75
4 -
Coloque os girassóis delicadamente na espuma, com cuidado para não machucar as pétalas. As flores menores devem ficar no ponto mais alto do arranjo, para garantir um assentamento harmonioso. Complementos como o tango podem ser usados para dar mais vida ao arranjo.




5 -
Borrife a folhagem e regue a espuma diariamente, para manter a umidade das plantas. O vaso também deve ficar distante do Sol. Se bem cuidado, um arranjo como esse dura cerca de uma semana sem murchar.

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: VASCO VASCONCELOS
Oulam no YOTUBE a música composta pelo brasiliense Vasco Vasconcelos; BRASÍLIA CAPITAL DA BOSSA NOVA (Um Tributo à Bossa Nova e aos 50 anos de Brasília) COMO EU TE ADORO BRASÍLIA/ COM A SUA NATUREZA EXUBERANTE/SEUS IPÊS E SUAS FLÔRES DO CERRADO/QUE ME DEIXA AINDA MAIS APROXONADO/ COMO EU TE QUERO.. | Denuncie |

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