Mensalidades de escolas particulares terão aumento entre 5% e 11%

Hoje, empresários do setor reúnem-se para decidir o índice médio que incidirá sobre os valores cobrados

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postado em 30/09/2010 07:30 / atualizado em 30/09/2010 07:30

Diego Amorim

Pelo quarto ano consecutivo, as escolas particulares do Distrito Federal vão impor aumentos na mensalidade que podem romper a barreira dos 10%. Representantes dos principais colégios se reúnem hoje para discutir a planilha de custos e chegar a um percentual médio. Levantamento feito pelo Correio durante esta semana, porém, mostra que, em 2011, os preços subirão de 5% a 10%. A presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe-DF), Amábile Pacios, adiantou que, em algumas instituições, o reajuste alcançará 11%, mais do que o dobro da inflação acumulada do ano, que é de 4,57%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As despesas das escolas incluem folha de pagamento de professores e demais funcionários, impostos, materiais de consumo e tarifas públicas (aluguel, água, luz etc.). Na hora de definir o reajuste anual, os diretores também levam em conta os investimentos em infraestrutura e a proposta pedagógica. Por exemplo: se o aluno tem direito a atividades extras — como balé, xadrez ou línguas não convencionais — a mensalidade tende a encarecer.

O período de matrículas começou em alguns colégios. Os que ainda não definiram o tamanho do aumento a ser aplicado a partir de janeiro de 2011 o farão hoje, após a assembleia do Sinepe-DF, ou até o fim de novembro, quando as últimas escolas abrem as portas para novos alunos. Há 220 estabelecimentos de ensino vinculados ao sindicato do setor. Incluindo os não filiados, esse número sobe para 450, em todo o DF.

Liberdade

A presidente do Sinepe-DF, Amábile Pacios, explica que cada escola tem liberdade para ajustar as mensalidades como bem entender. Cabe ao sindicato, pondera, orientar tecnicamente aquelas que necessitarem de ajuda na elaboração da planilha de custos. Segundo ela, o reajuste anual é previsível. “Não se trata de aumento, mas, sim, de repasse de despesas. O custo de vida aumenta todo ano. As famílias sabem muito bem disso”, defende.

Amábile sustenta que o percentual dos repasses em questão não é abusivo. “Não há ‘gordura’ nesses valores. (Escola) não é um bom lugar para investir. A lucratividade média do nosso setor tem girado em torno de 3% ao ano, o que é considerada baixa”, afirma a professora, dona de uma escola. Ela conta que a inadimplência nos colégios de Brasília se mantém, historicamente, em torno de 15%, sendo que metade dos devedores quita a dívida antes da virada do mês.

O casal de cirurgiões dentistas Luiz Alberto, 45 anos, e Cristina Ramagem, 44, tem dois filhos matriculados em escola particular — uma de 10 e outro de 13 anos —, o que resulta em uma despesa mensal de quase R$ 1,5 mil. Ao saber do reajuste previsto para 2011, o pai se preocupa: “Por que não respeitar a inflação do período? Início de ano já é tão complicado, com pagamento de impostos e tantas outras taxas”. A mãe questiona para onde vai o dinheiro de tantos aumentos. “Se o dinheiro fosse, ao menos, para o salário dos professores…”, diz ela.

O diretor-geral do Instituto de Defesa do Consumidor do DF (Procon-DF), Oswaldo Morais, conta que os colégios têm obrigação de explicar aos pais e responsáveis o porquê do reajuste. “E ele (o reajuste) só se justifica se houver algum benefício”, completa. A orientação é para que os pais fiquem atentos às promessas que, segundo as escolas, justificam os novos valores. Quem se sentir lesado pelo aumento deve recorrer ao Procon ou ao Ministério Público, que podem investigar possíveis abusos.

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