Usado, mas bom de negócio, principalmente se for na área do Plano Piloto

Especialistas avaliam que esse segmento do setor imobiliário está distante do limite de crescimento. Para os empresários, as unidades situadas no Plano Piloto têm valor comparado ao de um copo d'água no deserto

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postado em 09/01/2011 08:00 / atualizado em 08/01/2011 23:13

Diego Amorim

Antônio Cunha/Esp. CB/D.A Press - 26/11/10
Investir em imóveis usados em Brasília continuará sendo um bom negócio em 2011. Ao contrário do que ocorreu em São Paulo, principal polo imobiliário do país, onde os preços chegaram perto do topo no ano passado, especialistas avaliam que o limite de crescimento na capital federal está longe de ser alcançado. A valorização de casas e apartamentos não deve avançar tanto como nos últimos três anos, quando a variação anual atingiu 80% em alguns casos, mas a aposta do mercado é que os valores médios ainda subirão com índices na casa de dois dígitos.

Em todo o Brasil, o mercado de imóveis viveu um boom na última década, principalmente a partir de 2008. A maior oferta de crédito imobiliário, aliada à queda de juros e ao controle da inflação, rompeu com um período de estagnação que durava cerca de 15 anos. Com as facilidades de financiamento, os novos empreendimentos proliferaram e puxaram o aumento do valor dos usados. Na capital do país, a escassez de terrenos livres e as limitações impostas pelo tombamento fizeram os preços subirem em velocidade assustadora, sobretudo no Plano Piloto.

A valorização média dos imóveis usados em 2008 no Distrito Federal foi de 50%. Apartamentos no Sudoeste protagonizaram casos emblemáticos, com saltos de 80%. No ano seguinte, a variação de preços para venda atingiu 25% e, em 2010, após clara desaceleração no segundo semestre, ficou em torno de 20%. Apesar da trajetória decrescente, o crescimento se mantém sólido, na avaliação do mercado. “Temos segurança para crescer, não é especulação, não se pode falar em bolha”, sustenta o economista Gilvan João da Silva, um dos diretores do Sindicato da Habitação no DF (Secovi-DF).

Aquecimento
Depois de três anos de mercado superaquecido, um ajuste de preços dos imóveis usados é considerado natural. Para especialistas, no entanto, a tendência de avanço em ritmo mais lento não implica desvalorização. “Os preços só vão parar de subir quando atingirmos uma situação de equilíbrio entre oferta e demanda, o que está longe de ocorrer em Brasília”, afirma Silva. Preços de apartamentos em áreas como Asa Norte, Asa Sul, Cruzeiro, Sudoeste e Octogonal devem manter valorizações significativas este ano, justamente porque há muita procura e poucas opções.

Nessas localidades, muitos edifícios passaram por reformas nos últimos anos. A onda de modernização de prédios antigos — conhecida como retrofit —, comum nos mercados dos Estados Unidos e de São Paulo, chegou a Brasília e ajudou a elevar ainda mais os preços no Plano Piloto. “Quanto custa um copo d’água no deserto? Os preços de apartamentos nas asas Sul e Norte seguem a mesma lógica. Se um bem é considerado raridade, é óbvio que ele será sempre mais caro”, compara a consultora em marketing imobiliário Gina Fonseca, com 20 anos de experiência no DF.

Procura
Esse pensamento fez com que apartamentos de dois quartos nas quadras 400 da Asa Sul, em prédios sem pilotis, garagem nem elevador, ultrapassassem o valor de R$ 400 mil. E não é raro três, quatro clientes disputarem a compra do imóvel. “Não acredito em teto. Mas vai chegar um dia em que o próprio mercado perceberá que não dá mais para crescer. Só que esse dia ainda não chegou”, comenta Adriano Cancian, diretor comercial de uma das maiores imobiliárias do DF. Segundo ele, a margem de crescimento é maior fora do Plano.

Ao comentar a proximidade de preços de imóveis novos e usados, o primeiro vice-presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) da 8ª Região, Alberto Fernandes de Sousa, afirma que, mesmo com espaço para avançar, o mercado de usados está prestes a chegar a um limite. “Houve uma valorização muito significativa e pode acontecer daqui a uns dois, três anos, de os preços não terem mais para onde subir”, opina, antes de contar que um apartamento de 100 metros quadrados na 314 Norte, no valor de R$ 750 mil, aguarda um único interessado há dois meses.

O presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), Adalberto Valadão, relaciona a valorização dos usados com o sucesso dos lançamentos, que registram velocidade de venda assustadora na capital federal. “Enquanto a demanda não for plenamente atendida pelos imóveis novos, haverá espaço para crescimento do preço dos usados”, acredita. Em 2010, até setembro, foram lançados 58 empreendimentos no DF, totalizando 7.578 unidades comerciais e residenciais. Os dados até dezembro ainda não foram fechados.


Paulo de Araújo/CB/D.A Press - 21/2/95


Personagem da notícia
Preços em alta, juros em baixa
A forte valorização dos imóveis usados no Distrito Federal levou a contadora Michelle Cristina de Mattos Morosino, 29 anos, a realizar o sonho de morar no Plano Piloto. Em 2005, ela comprou seu primeiro imóvel: um apartamento de dois quartos com 55 metros quadrados em Sobradinho. Pagou R$ 63 mil por ele e, dois anos depois, sem dificuldade alguma, o vendeu pelo dobro. “Quando tive certeza da valorização, resolvi passar para frente. Fiquei surpresa com o salto em tão pouco tempo”, conta.

Com o dinheiro em mãos, Michelle quitou o financiamento e usou o restante para dar de entrada no segundo apartamento da família, no Cruzeiro Novo. Pagou R$ 220 mil em um imóvel de três quartos, com 60 metros quadrados. Na época, aquela opção era muito mais barata do que os apartamentos mais em conta da Asa Sul, localizados nas quadras 400. “Hoje esses preços já se equipararam. Parece que o mercado descobriu o Cruzeiro”, percebe.

Ainda neste primeiro semestre, Michelle, casada, mãe de um filho, se mudará para a Asa Norte ou para o Sudoeste. O apartamento da família vale hoje R$ 305 mil. Ela adianta que o processo se repetirá: com a venda do imóvel atual, vai zerar o financiamento e começar a pagar o novo lar. “Estou pegando carona na valorização e nos juros mais baixos”, diz a contadora. Em 2005, ela pagou uma taxa de 12,5% ao ano. Em 2007, 11%. Para o terceiro apartamento, prevê que não pagará mais do que 10%. “Se não fossem essas condições, não estaria morando no Plano hoje”

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