Polícia abre inquérito para apurar afogamento de criança de dois anos

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postado em 09/02/2011 07:45

Juliana Boechat , Helena Mader

Depois da morte da menina Daniela Camargo Casali, 2 anos, a 1ª Delegacia de Polícia Civil abriu ontem um inquérito para investigar se houve negligência dos professores e assistentes que estavam na área da piscina durante a aula de natação. Peritos da corporação estiveram no Colégio Dromos para analisar o local do afogamento. Verificaram as grades que separam as duas piscinas e avaliaram a profundidade de cada uma.

O laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) também será importante para esclarecer as causas do acidente. Durante o exame, os legistas mediram o crânio da menina, a fim de indicar se ela conseguiria passar entre as grades. Essa informação será indispensável para saber o portão que separa as duas piscinas estava ou não aberto. O parecer técnico do IML e a perícia do Instituto de Criminalística ficam prontos em até 30 dias. O inquérito será baseado nesses documentos e nas oitivas realizadas.

Ainda ontem, o delegado-chefe da 1ª DP, Watson Warmling, começou a ouvir testemunhas. Quatro funcionários da escola prestaram depoimento, mas a Polícia Civil também pretende conversar com outros professores e assistentes, além dos pais de outros alunos. No momento do afogamento, só havia alunos e funcionários do Dromos no local. Mas, pouco antes da morte de Daniela, uma das mães assistiu à aula de natação e teria até fotografado as atividades. “Vamos solicitar essas fotografias e também vamos conversar com mães que já acompanharam a natação oferecida na escola para saber como era a conduta dos professores durante as aulas”, explica o delegado Watson Warmling.

Fatalidade
Se a Polícia Civil comprovar que houve negligência dos responsáveis pelas crianças, eles poderão responder por homicídio culposo — quando não há intenção de matar. O delegado que investiga o caso explica que existem diferenças entre fatalidade e negligência. “É preciso verificar a previsibilidade, ou seja, vamos avaliar se era possível prever o acidente e se prevenir contra o risco. Se chegarmos à conclusão de que faltou cautela dos professores e assistentes, eles poderão responder por homicídio”, justifica. “Mas se a possibilidade de afogamento era imprevisível, se foi uma fatalidade, então não se poderia falar em negligência, tampouco em indiciamento por homicídio culposo. Tudo isso só será definido ao fim das investigações”, acrescenta.

O delegado faz questão de frisar que ainda é cedo para apontar responsáveis. “Não queremos ser precipitados. Precisamos de provas testemunhais e técnicas para concluir o inquérito. Queremos ouvir o máximo de pessoas possível.” Ele pede que os pais de alunos que quiserem dar informações sobre as aulas procurem a 1ª DP. Os crimes de homicídio culposo preveem penas de um a três anos de detenção.

A direção do Colégio Dromos garante que vai ajudar integralmente o trabalho da polícia. A diretora da instituição, Amábile Pácios, afirma ainda que a escola abrirá um procedimento próprio de apuração. “Vamos fazer uma investigação interna para tentar descobrir o que aconteceu e punir os responsáveis. Além disso, vamos colaborar com a polícia de todas as formas possíveis.”


Sem intenção
O Código Penal classifica como culposo o homicídio que deriva da falta de cuidado objetivo do agente, imprudência, imperícia ou negligência. É aquele em que a pessoa não quis nem assumiu o risco de produzir a morte da vítima.


Memória

17de  novembro de 2004
No Centro de Ensino Especial 1, na QR 303 de Samambaia, Emanuelle Kristine Santos Borges, 5 anos, divertia-se no parquinho até desaparecer. A menina foi até a piscina — distante cerca de 20 metros — caiu e se afogou. A aluna com distúrbios de comportamento morreu a caminho do hospital. As portas da sala que davam acesso à piscina, e que deveriam permanecer trancadas, estavam abertas. Uma das funcionárias pulou e tirou a menina da água para os primeiros socorros, mas ela não resistiu.

24 de junho 2007
Luiz Henrique Lopes de Jesus, 1 ano e seis meses, brincava no terreno da chácara da avó, na Quadra 25 do Park Way, quando se deslocou sozinho até o Córrego Cedro, próximo ao Ribeirão do Gama, onde morreu afogado. Ele chegou a ser socorrido pelos bombeiros e levado ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran), mas não resistiu a uma parada cardiorrespiratória.

8 de setembro de 2008
O menino Ruan Henrique Oliveira, 4 anos, morreu afogado no Centro de Atividades do Serviço Social da Indústria (Sesi) do Gama. Os salva-vidas perceberam que a criança estava no fundo da piscina, de onde a retiraram desacordada. Ruan foi levado ao Hospital Regional do Gama, mas não resistiu.

3 de janeiro de 2010
Mariana Araújo Vieira da Silva, 6 anos, morreu afogada em um espelho d'água do Seminário Redentoris Mater, local de formação de padres, no Setor Ermida Dom Bosco do Lago Sul. A menina estava com o pai, Fabiano Vieira da Silva, 27 anos, e com mais três irmãos. O avô das crianças trabalha no seminário como porteiro, e Fabiano decidiu levar os filhos para brincar no local. Mariana teria se separado dos outros e acabou caindo em um espelho d'água de 1,5m de profundidade. Quando o pai avistou a menina, conseguiu retirá-la da água e prestou os primeiros socorros. A menina, porém, não resistiu.

21 de maio de 2010
Um menino de um ano e três meses morreu ao se afogar em uma piscina, na quadra 5 do Park Way. O pequeno João Antônio Ribeiro se afogou por volta das 12h30. Os bombeiros foram chamados, mas o menino não resistiu. A mãe e a criança, que morava em Goiânia, almoçavam na casa da tia da vítima, em um condomínio fechado, quando ocorreu a tragédia.

2 de setembro de 2010
Pedro Henrique de Jesus Bezerra, 3 anos, morreu depois de ser esmagado por um aparelho de televisão de 29 polegadas em uma creche filantrópica na 915 Sul. O menino foi socorrido no local e morreu no Hospital Santa Lúcia, em virtude de um traumatismo craniano encefálico. Seis crianças estavam na sala com uma monitora. O estabelecimento não tinha a licença definitiva nem o devido credenciamento da Secretaria de Educação para funcionar.

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