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Em 2010, 60% do DF ficou mais horas sem luz do que o aceitável pela Aneel

Adriana Bernardes

Helena Mader

Roberta Machado

Publicação: 22/02/2011 06:58 Atualização: 22/02/2011 08:37

A qualidade do serviço oferecido pela Companhia Energética de Brasília (CEB) está longe do ideal. Nas duas últimas semanas, diferentes regiões administrativas do Distrito Federal ficaram às escuras, algumas delas, durante nove horas. Moradores do Lago Sul, do Varjão, do Lago Norte, de Ceilândia e do Sudoeste, estão entre os locais atingidos pela falta de luz. Além de não serem isolados, os apagões no DF estão cada dia mais recorrentes e uma avaliação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) revela que o brasiliense tem razão ao se indignar com o serviço prestado pelo governo.

Levantamento da agência que regula o sistema mostra que, no ano passado, quase 60% das regiões do DF ficaram mais tempo sem luz do que o considerado aceitável pela órgão. Dos 17 conjuntos de residências analisados, 10 ficaram fora do padrão. De acordo com a Aneel, entre 2002 e 2009, a CEB foi autuada 17 vezes, totalizando R$ 42,1 milhões em multas. Os dados de 2010 não foram informados.

No Lago Sul, bairro atingido por uma interrupção de energia no último fim de semana, os moradores ficaram, em média, 20,6 horas sem luz ao longo de 2010. A Aneel considera aceitável um índice de 13 horas. No Lago Norte, outra cidade afetada pelo problema no domingo último, a comunidade passou 12 horas no escuro de janeiro a dezembro do ano passado. Ao longo de 2010, foram, em média, 13,7 blecautes na região.

Zona rural
 A pior situação foi em Brazlândia, que ficou sem energia quase o dobro do tempo classificado como aceitável. A comunidade da região enfrentou 29,3 horas de escuridão, quando o máximo aceito pela Aneel seriam 16 horas. No entanto, a situação é ainda mais grave na zona rural. A área agrícola à oeste do território do DF passou 56 horas às escuras no ano passado. Ao todo, os produtores enfrentaram 41 interrupções de energia de janeiro a dezembro de 2010. Na área rural leste, foram 42 horas sem energia elétrica (veja arte).

Ao avaliar o serviço prestado pela CEB, em março do ano passado, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que “nenhuma empresa no Brasil já foi tão multada, tão punida quanto a CEB”. A Aneel informou que não faz ranking das piores empresas do setor. A própria CEB reconhece que, nos últimos 10 anos, a companhia não investiu como devia em manutenção e ampliação do sistema de distribuição. As consequências são as interrupções do fornecimento com uma frequência bem acima da aceitável.

Além disso, a empresa cita o mau tempo como causa para as quedas de luz. Entre os problemas provocados por temporais, a empresa menciona redes trançadas, cabos partidos, outdoors, árvores arremessados sobre a rede de alta tensão e defeito em chave na rede de alta tensão. Entretanto, especialistas ouvidos pelo Correio afirmam que a raiz do problema está na falta de investimento e, em alguns casos, na má gestão do sistema.

Prejuízos
Comerciantes sentem no bolso os efeitos da falta constante de energia. Marcos Pereira, gerente de uma padaria no Lago Sul, uma das regiões atingidas no último fim de semana pelo apagão, conta que fez questão de preparar o estabelecimento antes do verão para evitar gastos ainda maiores. Além de uma reforma, a padaria ganhou lâmpadas de emergência e nobreaks para uso  durante um apagão. O investimento, porém, não foi suficiente. Só nas quedas da última semana, Marcos calcula ter perdido mais de R$ 5 mil.

A falta de luz causou também o estrago de uma bomba hidráulica, de um modem, um computador, do motor da câmara fria e de um dos três nobreaks. “A burocracia é tão grande que preferi não recorrer pela indenização”, disse o comerciante. Marcos conta que os clientes somem quando há falta de luz. No último domingo, o comércio local do bairro ficou sem energia por duas horas. Com a padaria às escuras, os compradores preferem ir ao supermercado vizinho, que tem gerador de eletricidade. “Mas é um investimento pesado. Você não acha um gerador por menos de R$ 30 mil”, lamenta


Subestação nova
Em 10 de dezembro de 2008, o ex-governador José Roberto Arruda inaugurou uma subestação de energia no Sudoeste ao custo de R$ 40 milhões. Até então, o bairro dependia da energia vinda do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) e da área central do DF. Na época, foi dito que a nova subestação acabaria, definitivamente, com o problemas de falta de energia na área, o que não ocorreu.

» Leia a íntegra da matéria na edição de hoje do Correio
Tags: celular

Esta matéria tem: (13) comentários

Autor: Jose Maria Camargo
Comprei estabilizadores com suporte a surto de energia para todos os meus eletrodomésticos mais caros. Geladeiras, TVs, Dvds, Computador! Torcer para que os estabilizares segurem os surtos que são muitos e com bastante frequência nesta época do ano. Sucatearam de propósito a CEB!!! Quem foi??? | Denuncie |

Autor: Lost Cluster
Sucatear é o primeiro passo para obter o apoio da população numa privatização. Fiquem de olho, a Vivo/Brasil Telecom já nos mostrou o quanto privatizar resolve alguma coisa... puro espólio do patrimônio público! A Vale LUCRA por ano mais do que o valor em que vendida! | Denuncie |

Autor: André C.
Faço um apelo á CEB: tenha mais consideração com seus usuários - a população do DF. A falta de luz já virou rotina, não precisa nem chover. É lamentável. | Denuncie |

Autor: RIcardo Santoro
O grande papel da CEB para a sociedade brasiliense é nos lembrar que vivemos num país subdesenvolvido! | Denuncie |

Autor: gilton jesus
Tive um aparelho danificado devido à intermitência de energia. Comuniquei o fato à CEB e solicitei ressarcimento do prejuízo causado. Foram registrados vários protocolos (5993033; 5999459; 23868; 40538935........), mas tudo em vão. A empresa se esquivou argumentando que a resolução 61 de 29/04/2009 d | Denuncie |

Autor: gilton jesus
Concordo com a reportagem. A manutenção preventiva da rede pública é péssima. Os combates aos furtos de energia estão a desejar... A única eficiência da CEB é em relação ao corte de energia dos usuários comuns com atrasos nos pagamentos das contas superiores a 30 dias. Duvido que teria a mesma eficiê | Denuncie |

Autor: Carlos monteiro
O problema do apagão é evidentemente estrutural, a empresa possui um quadro amplamente tercerizado, de baixo compromisso, não atende as exigências impostas pelo TCU e TC-DF no que diz respeito à nomeação dos últimos concursados. Sem especialistas em qualidade, (Administradores) fica difícil né!!! | Denuncie |

Autor: jose henderson
se vcs politicos em conlunho com empresariios e empreiteiras aos olhos desta justiça cega, não roubassem tanto os cofres públicos,não precisariam de criar tantos impostos.Por que não tentam repatriar o que fou roubado? Gim Argelo declarou em público possuir 1bi! De onde veio este valor?? | Denuncie |

Autor: ide silva
é os tais investimentos que estão sumidos, o dinheiro para as obras de atualizaçõaes do sistema está enterrado no quintal do arruda. cavuquem lá! | Denuncie |

Autor: Wagner Nunes
Maio de 2010 denuciei à PGR ex e atuais Gestores CEB por Desc. de Estauto, Improb. Adm. e de ligação c/a Cx. de Pandora: José Jorge, Benedito Carraro, Paulo Afonso, Antônio de Pádua, Fábio Tadeu, Marcus Fontana, Nobuaki Honda, Mara Rúbia, Patrícia Barca, Márcia Duarte. A denúncia previa os apagões. | Denuncie |

Autor: Wagner Nunes
Quanto à denúncia que fiz nesse comentário, eu a fiz à PGR em maio de 2010, atarvés de provas documentais. Um dos documentos que fazem parte da denúncia formal previa a ocorrência de apagões a partir de 2007. | Denuncie |

Autor: Wagner Nunes
O péssimo desempenho do sistema CEB deve-se ao Descump do seu Estauto, Improb. Adm. e suspeita de participação na Cx. de Pandora de: José Jorge de V. Lima, Benedito Carraro, Paulo Afonso, Antônio de Pádua, Fábio Tadeu, Marcus Fontana, Nobuaki Honda, Mara Rúbia, Patrícia Barca e Márcia Duarte.Só isso! | Denuncie |

Autor: Roberto Fedele
A PROBLEMÁTICA ENERGÉTICA NÃO É UMA SIMPLES QUESTÃO DE PRODUÇÃO VERSUS CONSUMO. ENTRE A OFERTA E A DEMANDA HÁ O SETOR - SERVIÇOS (MONITORAMENTO, MANUTENÇÃO, ETC). PORÉM, O FUTURO DA ENERGIA COLIDE COM AS FORMAS SUSTENTÁVEIS DE ENERGIA RENOVÁVEL - TANTO A NÍVEL REGIONAL, OU MESMO RESIDENCIAL. | Denuncie |

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