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Japonês busca demonstrar que água se modifica com estímulos externos

Carolina Vicentin

Publicação: 06/04/2011 07:00 Atualização:

A sabedoria popular diz que uma imagem vale mais do que mil palavras. Um pesquisador japonês levou o ditado a sério e decidiu mostrar ao mundo as diferentes caras da água. Masaru Emoto tinha a teoria de que as moléculas do líquido se modificavam a partir de estímulos externos, absorvendo e reagindo às vibrações do ambiente. Para demonstrá-la, congelou amostras, nas quais, afirma, é possível identificar diferentes formatos de cristais de água. Seus achados foram publicados em um livro que chegou ao Brasil em 2004, dois anos depois que Emoto veio ao país pela primeira vez. Agora, o pesquisador japonês mantém vínculo com parceiros brasileiros e pretende construir um centro de estudos em Formosa (GO), a 75km de Brasília.

Segundo o pesquisador, a água é instável e muda rapidamente. Por isso, capta as intenções que estão à volta. Nas primeiras experiências, o japonês congelou amostras de diferentes pontos do Japão, desde a água da torneira de Tóquio, uma das principais metrópoles mundiais, até a de lagos do interior do país. As gotas de água foram colocadas em lâminas e levadas ao congelador por duas horas. Depois, foram analisadas em um microscópio equipado com lentes e câmera fotográfica capaz de aumentar as imagens de 200 a 500 vezes.

Em outra experiência, Emoto quis verificar se a água era capaz de “ouvir” música. Para isso, colocou amostras do líquido destilado (mais livre de impurezas) entre duas caixas de som, que tocaram canções em volume ambiente. A equipe deixou a substância descansar por dois dias, em um pote com tampa, antes de congelá-la. O resultado foi a formação de diferentes estruturas conforme o tipo de música ao qual a água foi submetida.

“Eu trabalho com medicina alternativa há muitos anos e trato alguns pacientes com água, algo que não é aceito pelos cientistas. Então, decidi mostrar como isso ocorre, como a água pode memorizar informações”, conta Emoto ao Correio, por e-mail. “A consciência humana pode mudar as estruturas das moléculas de água, que são o design da substância. Se pensarmos que a água é o princípio de todas as coisas, podemos dizer que a consciência humana cria tudo.”

A proposta gerou questionamentos no meio científico. Principalmente depois que o pesquisador apresentou os resultados de um terceiro experimento, no qual as amostras de água passaram por um método mais sutil de exposição: etiquetas com palavras e frases grudadas nos potes onde estava o líquido. Segundo o estudo, expressões de bondade — como as palavras “gratidão”, “amor” e “paz” — formaram cristais harmônicos. Resultado diferente do verificado em recipientes com expressões grosseiras. Parte desse material está impresso na publicação para crianças A mensagem da água, organizado por instituições brasileiras que compõem o Centro de Estudo Transdisciplinar da Água (CET).

O professor Alexandre Fontes da Fonseca, do Departamento de Física da Universidade Federal Fluminense (UFF), foi uma das pessoas que analisou o trabalho de Emoto. “Como físico, o que me chamou a atenção foi o fenômeno da estruturação das moléculas de água ao serem congeladas. Como espírita, achei interessante a proposta de que as causas para essa estruturação das moléculas sejam ‘forças’ não reconhecidas pela ciência formal”, diz o professor.

[FOTO2]Fonseca, no entanto, questiona a influência das palavras coladas em frascos contendo o líquido. Para ele, a menos que alguém leia a palavra, a interprete e emita pensamentos ou sentimentos bons ou ruins, não é possível que um conjunto de papel e tinta seja capaz de determinar “qualidades” na amostra. “A falta de discussão sobre questões como essa é um ponto fraco na análise de Emoto”, aponta.

Mais estudos
As falhas, contudo, não significam que o trabalho do pesquisador japonês deva ser desconsiderado. Embora Emoto seja o único a trabalhar com esse tipo de estudo (o das etiquetas), as alterações em moléculas de água são um campo de interesse para a ciência formal. Há, inclusive, dois trabalhos que analisaram a ação do pensamento e das vibrações sobre amostras de água isoladas eletromagneticamente. Ambas são lideradas pelo professor Dean Radin, do Instituto de Ciências Noéticas. “Esses artigos sugerem a validade do fenômeno. Digo sugerem, porque, por envolver um tópico de pesquisa material — que é a estrutura molecular da água — , é necessário que outros pesquisadores reproduzam o fenômeno”, aponta  Fonseca.

O professor da UFF explica que, para ser considerado científico, o trabalho de Emoto deveria descrever minuciosamente o processo de formação dos cristais de água. Para o especialista, futuros estudos podem investigar como as amostras dão origem às estruturas a partir de certas condições, como temperatura, campos elétricos e magnéticos e frequências específicas de som. “Além disso, as teorias já existentes sobre a formação de cristais de neve poderiam ser investigadas e testadas dentro do contexto proposto por Emoto”, sugere.

Defensores do legado do japonês reconhecem que a pesquisa atinge as pessoas de diferentes formas. “Os cristais fotografados por ele traduzem ressonâncias. Que impacto causa uma imagem de água morta, ou uma amostra exposta a xingamentos? Não precisa palavras para dizer, basta olhar, isso te dá a noção do que é harmônico, correto”, aponta Maria Consolación Udry, fundadora da organização não governamental Oca do Sol — que apoiou as vindas de Emoto a Brasília.

Em sua última visita ao Distrito Federal, o pesquisador japonês conheceu o dono de um terreno no interior de Formosa que se ofereceu para doar parte das terras para a construção de um laboratório semelhante ao que Emoto trabalha em Tóquio. Além da análise de água, o pesquisador planeja também construir uma escola no local. A intenção é começar os primeiros trabalhos em terras brasileiras até setembro.

Emoto tentou apoio para a construção de centros de pesquisa no Japão para acompanhar a vibração da água. Segundo ele, isso poderia, até mesmo, ajudar no alerta a terremotos e tsunamis. “A comunidade científica desconsidera essas coisas, mas o trabalho de Emoto vai além do que é praticado e está ganhando cada vez mais força”, opina Sônia Ferraz, colaboradora da Oca do Sol.

Ciência do inexplicável
A noética é um novo ramo da ciência que procura explicar, por meio de teorias e experimentos, fenômenos, até agora, não reconhecidos pela academia tradicional. Assuntos como a cura pela fé, o poder da oração e o potencial da mente são analisados pelos pesquisadores que se debruçam sobre o assunto. Por serem temas polêmicos, há pouca gente empenhada em estudá-los. Os cientistas que o fazem são, frequentemente, rechaçados pela comunidade científica e, assim, raramente, conseguem financiamentos.
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